O Dou­ro na sua me­lhor ex­pres­são

Publico - Fugas - - VINHOS -

A qua­li­da­de da co­lhei­ta de 2016 no Dou­ro co­me­ça a con­fir­mar-se co­mo uma das me­lho­res re­fe­rên­ci­as pa­ra a re­gião. Vi­nhos po­de­ro­sos e com­ple­xos, mas ao mes­mo tem­po mui­to equi­li­bra­dos nas su­as com­po­nen­tes de fru­ta, aci­dez e do­çu­ra.

Mar­ca­do por um Ve­rão anor­mal­men­te quen­te, o ano vi­tí­co­la no Dou­ro co­me­çou mui­to ce­do e afi­gu­ra­va­se co­mo es­pe­ci­al lo­go des­de o iní­cio. In­ver­no so­a­lhei­ro, abro­lha­men­to pre­co­ce e pin­tor tar­dio, com as vi­nhas a be­ne­fi­ci­a­rem já na fa­se fi­nal de umas chu­vas que as re­fres­ca­ram e per­mi­ti­ram ma­tu­ra­ções em con­di­ções qua­se per­fei­tas.

E se com a na­tu­re­za a per­fei­ção é sem­pre ape­nas uma es­pe­ran­ça, já no que res­pei­ta à vi­ti­cul­tu­ra e eno­lo­gia es­se é um ob­jec­ti­vo que em per­ma­nên­cia é per­se­gui­do pe­la Sy­ming­ton. Na­da é fru­to do aca­so e tu­do é lon­ga­men­te ana­li­sa­do, co­mo acon­te­ceu com o lan­ça­men­to da mar­ca Quin­ta do Ve­sú­vio, que só foi pa­ra o mer­ca­do de­pois de al­guns anos de Pombal do Ve­sú­vio, qu­an­do as vi­nhas ti­nham atin­gi­do a ne­ces­sá­ria con­sis­tên­cia e ma­tu­ri­da­de. O mes­mo em re­la­ção aos lo­tes, téc­ni­cas de fer­men­ta­ção e es­tá­gio, pa­ra um ní­vel de qua­li­da­de que con­si­de­ra­ram es­tar reu­ni­do em 2007, es­treia do Quin­ta de Ve­sú­vio e apon­ta­da co­mo a gran­de re­fe­rên­cia.

As uvas são co­lhi­das em par­ce­las a 450 me­tros de al­ti­tu­de - ad­qui­ri­das por Do­na An­tó­nia em me­a­dos do sé­cu­lo XIX -, o que em 2016 acon­te­ceu de­pois de dois di­as de chu­va em me­a­dos de Se­tem­bro, a re­for­çar a fres­cu­ra na­tu­ral e a per­mi­tir um fi­nal de ma­tu­ra­ção per­fei­to. Na ade­ga, de­pois de uma pri­mei­ra selecção dos ca­chos se­gue-se uma tri­a­gem dos ba­gos que fer­men­tam de­pois em cu­bas de inox. O es­tá­gio de ano e meio de­cor­re em bar­ri­cas de 225 e de 400 li­tros, cu­ja qua­li­da­de trans­mi­te ao vi­nho uma no­tá­vel fi­nes­se e ele­gân­cia.

Aos aro­mas fru­ta­dos e fi­nos as­so­ci­am-se as no­tas de fres­cu­ra, e até bal­sâ­mi­cas, mas com os sa­bo­res ex­pres­si­vos de fru­tos ver­me­lhos em pre­do­mí­nio. A bo­ca é sem­pre mui­to re­don­da e equi­li­bra­da, com sa­bo­ro­sa ex­pres­são de ta­ni­nos se­do­sos e um fi­nal lon­go, in­ten­so e sem­pre mui­to ele­gan­te e fi­no. J.A.M.

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