Um país que é uma ilha fei­ta de mui­tos pla­ne­tas

Publico - Fugas - - ISLÂNDIA -

A La­goa Azul é um spa ge­o­tér­mi­co ar­ti­fi­ci­al que fi­ca a apro­xi­ma­da­men­te 20 qui­ló­me­tros do Ae­ro­por­to In­ter­na­ci­o­nal de Ke­fla­vík e é uma das atrac­ções mais vi­si­ta­das da Is­lân­dia (tam­bém uma das pou­cas com bi­lhe­tei­ra; en­tra­das des­de 49 eu­ros com di­rei­to a to­a­lha, más­ca­ra de la­ma e uma be­bi­da). A pis­ci­na, for­ma­da em 1976 a par­tir da água usa­da na fá­bri­ca ge­o­tér­mi­ca de Svart­sen­gi, en­con­tra-se num cam­po de la­va per­to de Grin­da­vík. Tor­nou-se po­pu­lar no iní­cio dos anos 80 quan­do as su­as ca­rac­te­rís­ti­cas cu­ra­ti­vas pas­sa­ram de bo­ca em bo­ca en­tre os lo­cais. A em­pre­sa Blue La­go­on es­ta­be­le­ceu-se em 1992. A água, ri­ca em mi­ne­rais, en­con­tra-se a cer­ca de 39 graus e é re­no­va­da a ca­da dois di­as. É sem dú­vi­da o lo­cal per­fei­to pa­ra relaxar de­pois de uma lon­ga vi­a­gem de avião e an­tes de des­co­brir Rei­que­ja­vi­que.

Stakkholtsg já

Com cer­ca de cem me­tros de pro­fun­di­da­de e dois qui­ló­me­tros de ex­ten­são, es­te des­fi­la­dei­ro (que ter­mi­na nu­ma bo­ni­ta cas­ca­ta) é uma das mui­tas pé­ro­las is­lan­de­sas que não es­tão pro­pri­a­men­te à fa­ce da es­tra­da. Um dos en­can­tos des­te Stakkholtsg­já é pre­ci­sa­men­te o ca­mi­nho que te­mos que per­cor­rer des­de que dei­xa­mos pa­ra trás o pi­so re­gu­lar da Ring Ro­ad. À nos­sa fren­te, ani­nha­do en­tre três gla­ci­a­res (Mýr­dalsjö­kull, Tind al­lajö­kull e Ey­ja al­lajö­kull, o pi­co que en­trou em erup­ção em 2010, cau­san­do não ape­nas per­tur­ba­ções ge­ne­ra­li­za­das no trá­fe­go aé­reo na Eu­ro­pa, mas prin­ci­pal­men­te a trans­for­ma­ção ra­di­cal da pai­sa­gem) mos­tra-se o imen­so Va­le do Thor, uma re­ser­va na­tu­ral que é um dos des­ti­nos de ca­mi­nha­das mais po­pu­la­res do país, um va­le que pa­re­ce não ter fim com um pa­no de fun­do de ca­dei­as mon­ta­nho­sas en­tre os ri­os Kros­sá, Þrön­gá e Mar­kar­fl­jót. Quan­do o ca­mi­nho es­trei­tar e os ri­a­chos fi­ca­rem mais atre­vi­dos, não de­sis­ta.

Cas­ca­tas

Fa­zer uma lis­ta das cas­ca­tas da Is­lân­dia é uma ta­re­fa her­cú­lea - ou dig­na da mi­to­lo­gia nór­di­ca. O pla­ne­ta Is­lân­dia pa­re­ce ras­ga­do e in­ces­san­te­men­te per­cor­ri­do por me­di­das de água im­pos­sí­veis de cal­cu­lar. Por es­tar a dois pas­sos da Ring Ro­ad (e a cer­ca de 130 qui­ló­me­tros de Rei­que­ja­vi­que), Sel­ja­lands­foss é uma das pri­mei­ras es­co­lhas da mai­or par­te dos vi­si­tan­tes, de­se­jo­sos de fi­ca­rem do ou­tro la­do da que­da de água, abri­rem os bra­ços e, ain­da que a uns me­tros de dis­tân­cia, sen­ti­rem a for­ça da que­da de água de 60 me­tros. Exem­plo da pro­pa­ga­ção de que­das de água é a tí­mi­da Gl­ju­fra­buí, a al­gu­mas cen­te­nas de me­tros da Sel­ja­lands­foss e que va­le a pe­na ser des­co­ber­ta com al­gu­ma de­ter­mi­na­ção. Não se dei­xem in­ti­mi­dar pe­lo cur­so de água na bo­ca do des­fi­la­dei­ro. Avan­cem com cui­da­do, pe­dra an­te pe­dra, e sem­pre com cal­ça­do im­per­meá­vel. Ao fun­do, a gru­ta trans­for­ma-se nu­ma es­pé­cie de al­tar gran­di­o­so. A 25 mi­nu­tos de car­ro, e tam­bém jun­to à es­tra­da prin­ci­pal, fi­ca a ma­jes­to­sa Sko­ga­foss, que, pa­ra além de ser a pre­fe­ri­da da Fu­gas, é uma das vi­sões mais im­por­tan­tes de Flo­ki quan­do na quin­ta tem­po­ra­da da sé­rie Vi­kings des­co­bre um no­vo mun­do. Sko­ga­foss trans­por­ta a água do rio Skó­gaá pro­ve­ni­en­te dos gla­ci­a­res Ey­ja al­lajö­kull e Mýr­dalsjö­kull. Va­le a pe­na su­bir os de­graus da es­ca­da que con­duz ao to­po da cas­ca­ta e apre­ci­ar o ce­ná­rio de ou­tra pers­pec­ti­va.

Praia dos Di­a­man­tes

Jö­kul­sár­lón é um la­go gla­ci­al (ocu­pa uma área de 18 km qua­dra­dos e atin­ge uma pro­fun­di­da­de má­xi­ma de 284 me­tros, ho­je o la­go mais pro­fun­do da Is­lân­dia) que re­ce­be ice­ber­gues pro­ve­ni­en­tes do gla­ci­ar Vat­najö­kull. Atra­ves­sa-se a pon­te es­trei­ta, es­ta­ci­o­na-se e emer­ge-se num uni­ver­so úni­co de for­mas ir­re­gu­la­res e co­res sin­gu­la­res. De um la­do, o la­go que ape­nas sur­giu nos anos 30 e cu­jo ta­ma­nho tem “di­la­ta­do” ao lon­go dos anos de­vi­do ao der­re­ti­men­to dos gla­ci­a­res - pa­ra fil­mar a fa­mo­sa per­se­gui­ção de car­ros no ge­lo em “007 - Mor­re Nou­tro Dia” foi ne­ces­sá­rio cons­truir uma es­pé­cie de re­pre­sa pa­ra tra­var o cur­so de água que con­duz ao mar. Do ou­tro, uma praia sur­re­a­lis­ta de areia es­cu­ra on­de des­can­sam os pe­da­ços de ge­lo ar­ras­ta­dos pe­las cor­ren­tes co­mo jói­as pou­sa­das num pa­no de ve­lu­do à es­pe­ra de se­rem po­li­das. A ca­da ho­ra do dia cor­res­pon­de um es­pec­tá­cu­lo na­tu­ral di­fe­ren­te. Es­sas pla­ní­ci­es de areia são uma pai­sa­gem co­mum na Is­lân­dia, da­da a ac­ção vul­câ­ni­ca bem co­mo a exis­tên­cia de inú­me­ras ca­lo­tas po­la­res. Tan­to o la­go gla­ci­ar co­mo a fa­mo­sa Di­a­mond Be­a­ch são lo­cais fan­tás­ti­cos, no en­tan­to, a sua exis­tên­cia (e ex­pan­são) é in­fe­liz­men­te con­sequên­cia di­rec­ta das al­te­ra­ções cli­má­ti­cas. À ve­lo­ci­da­de a que os gla­ci­a­res es­tão a der­re­ter, po­de não ha­ver ge­lo den­tro de al­gu­mas dé­ca­das.

Vat­najö­kull

É um gla­ci­ar, a mai­or mas­sa de ge­lo

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