Aus­te­ri­da­de e “cru­e­za” po­dem ser trun­fos num Al­va­ri­nho

So­a­lhei­ro Gra­nit 2017

Publico - Fugas - - VINHOS -

O no­me des­te vi­nho — So­a­lhei­ro Gra­nit, uma das vá­ri­as re­fe­rên­ci­as da mi­nho­ta Quin­ta do So­a­lhei­ro, da fa­mí­lia Cer­dei­ra — é mui­to ape­la­ti­vo. Re­me­te-nos pa­ra um ti­po de vi­nho em que é va­lo­ri­za­da mais a sua di­men­são mi­ne­ral, re­la­ci­o­na­da com o so­lo de on­de pro­vêm as uvas, do que a com­po­nen­te fru­ta­da tí­pi­ca da cas­ta.

É uma as­so­ci­a­ção mui­to na mo­da, diga-se, mes­mo que a per­cep­ção da cha­ma­da mi­ne­ra­li­da­de do vi­nho se­ja uma ques­tão mais ro­mân­ti­ca do que re­al. Ti­ran­do as no­tas sal­ga­das, que são evi­den­tes em vi­nhos pro­ve­ni­en­tes de lu­ga­res mui­to pró­xi­mos do mar, ne­nhum vi­nho chei­ra ou sa­be a gra­ni­to ou a xis­to. Por is­so, não per­ca tem­po a lam­ber pe­dras pa­ra ver se des­co­bre a mes­ma sen­sa­ção no vi­nho. A influência dos mi­ne­rais no re­sul­ta­do fi­nal dos vi­nhos ex­pres­sa­se, aci­ma de tu­do, na sua ri­que­za, vi­va­ci­da­de, in­ten­si­da­de e fres­cu­ra. Um so­lo ri­co, com boa capacidade de ab­sor­ção pe­las plan­tas dos nu­tri­en­tes dis­po­ní­veis, ten­de a ge­rar vi­nhos mais ri­cos e vi­va­zes.

Se pro­var es­te vi­nho la­do a la­do com o So­a­lhei­ro Pri­mei­ras Vi­nhas do mes­mo ano, por exem­plo (ver no­ta de pro­va ao la­do), ve­rá que a di­fe­ren­ça en­tre os dois tem a ver, so­bre­tu­do, com a in­ten­si­da­de da fru­ta (é mai­or no Pri­mei­ras Vi­nhas). O So­a­lhei­ro Gra­nit é mes­mo fru­ta­do — e is­to de­ve-se tam­bém ao fac­to de ter fer­men­ta­do a uma tem­pe­ra­tu­ra mais ele­va­da (o ca­lor quei­ma a fru­ta pri­má­ria) — e li­gei­ra­men­te me­nos ma­du­ro. Co­mo só pas­sou por inox, en­quan­to o Pri­mei­ras Vi­nhas fer­men­tou par­ci­al­men­te em bar­ri­cas usa­das, é tam­bém mais aus­te­ro, con­ti­do e ten­so.

Em pro­va ce­ga per­de cla­ra­men­te pa­ra o Pri­mei­ras Vi­nhas, que pos­sui outra exu­be­rân­cia e su­cro­si­da­de. Mas pa­ra o mo­vi­men­to al­ter­na­ti­vo do vi­nho, que va­lo­ri­za me­nos a fru­ta, é um vi­nho mais in­te­res­san­te, por ser, di­ga­mos, mais cru. É o vi­nho per­fei­to pa­ra “cor­tar” co­mi­das mais con­di­men­ta­das e be­ber com os­tras, ma­ris­co e pei­xe gre­lha­do. P.G.

Melgaço

Cas­tas: Al­va­ri­nho

Gra­du­a­ção: 12,5% vol

Re­gião: Vi­nhos Ver­des

Pre­ço: 12€

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.