Alen­te­jo: Ex­plo­ra­ções Agrí­co­las qua­tro ve­zes mai­o­res do que no res­to do país

Re­gião des­ta­ca-se tam­bém no con­tex­to eu­ro­peu, com pro­pri­e­da­des de di­men­são mui­to su­pe­ri­or à mé­dia Eu­ro­peia, ri­va­li­zan­do mes­mo com Es­pa­nha e Nor­te e Cen­tro da Eu­ro­pa

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O Alen­te­jo man­tém uma es­tru­tu­ra fun­diá­ria de gran­de es­ca­la, com ex­plo­ra­ções agrí­co­las qua­tro ve­zes su­pe­ri­o­res ao res­to do país, apu­rou o Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Es­ta­tís­ti­ca (INE) no mais re­cen­te “Inqué­ri­to à Es­tru­tu­ra das Ex­plo­ra­ções Agrí­co­las”, di­vul­ga­do no fi­nal do ano. No to­tal, em 2016 con­ta­vam-se 35.666 ex­plo­ra­ções agrí­co­las nes­ta re­gião, com uma área glo­bal de 2,1 mi­lhões de hec­ta­res (ha) de Su­per­fí­cie Agrí­co­la Uti­li­zá­vel (SAU). Em mé­dia, as pro­pri­e­da­des agrí­co­las no Alen­te­jo têm uma di­men­são de 58,9 ha (SAU), uma área que des­de 2009 au­men­tou em cer­ca de 15,5 ha, sen­do a mai­or do país e mais do que qua­dru­pli­can­do os 14,1 ha de di­men­são mé­dia re­gis­ta­da a ní­vel na­ci­o­nal. E tam­bém no con­tex­to eu­ro­peu, a re­gião se dis­tin­gue, com pro­pri­e­da­des cer­ca de 3,5 ve­zes mai­o­res do que a mé­dia re­gis­ta­da no con­jun­to dos 28 paí­ses da União Eu­ro­peia (16,1 ha), mos­tram os da­dos do Eu­ros­tat. Paí­ses co­mo a Ale­ma­nha (58,6 ha por ex­plo­ra­ção), Fran­ça (58,7 ha) ou Sué­cia (45,2 ha) apre­sen­tam áre­as mé­di­as pró­xi­mas das re­gis­ta­das na re­gião, en­quan­to que a Ho­lan­da (27,4 ha), a Ir­lan­da (35,5 ha) ou a Es­pa­nha (24,1 ha) se dis­tan­ci­am mais.

E não é só na área por pro­pri­e­da­de que o Alen­te­jo se des­ta­ca, com as pro­pri­e­da­des da re­gião a li­de­ra­rem a ní­vel na­ci­o­nal tam­bém pe­la sua di­men­são eco­nó­mi­ca, me­di­da atra­vés do Va­lor de Pro­du­ção Pa­drão To­tal (VPPT). En­quan­to que a ní­vel na­ci­o­nal, as ex­plo­ra­ções ge­ra­ram em mé­dia 19,9 mil eu­ros em 2016 (de VPPT), na re­gião do Alen­te­jo es­se va­lor foi 48,2 mil eu­ros. A mé­dia eu­ro­peia foi de 30,5 mil eu­ros por ex­plo­ra­ção em 2016, com a re­gião por­tu­gue­sa a su­pe­rar no­va­men­te paí­ses co­mo a Es­pa­nha, a Ir­lan­da ou a Itá­lia. Aliás, as ex­plo­ra­ções si­tu­a­das no Alen­te­jo con­tri­bu­em mes­mo com mais de um ter­ço do VPPT na­ci­o­nal, ge­ran­do 1,7 mil mi­lhões de eu­ros de VPPT em 2016 num uni­ver­so na­ci­o­nal de 5,1 mil mi­lhões de eu­ros.

88% de área agrí­co­la uti­li­za­da

A SAU de 2,1 mi­lhões de ha nas pro­pri­e­da­des no Alen­te­jo diz res­pei­to a 88% da área to­tal des­tas pro­pri­e­da­des (cer­ca de 2,39 mi­lhões ha), um pe­so aci­ma dos 78% ob­ser­va­dos na mé­dia na­ci­o­nal. Os 2.1 mi­lhões de ha são mai­o­ri­ta­ri­a­men­te (1,23 mi­lhões de ha) ocu­pa­dos por área de pas­ta­gem per­ma­nen­te, o que tra­duz tam­bém as es­pe­ci­fi­ci­da­des agrí­co­las da re­gião, que con­ti­nua a ser a prin­ci­pal re­gião pe­cuá­ria do país, com um pe­so de 45 a 50% no efe­ti­vo na­ci­o­nal em 3 dos 4 ti­pos de ga­do. O cul­ti­vo de ce­re­ais pa­ra grão (des­ta­que pa­ra a Aveia) e as cul­tu­ras for­ra­gei­ras do­mi­nam a área ará­vel (to­tal de 599 mil ha); en­quan­to que nas cul­tu­ras per­ma­nen­tes (271 mil ha) des­ta­cam­se o Oli­val, Vi­nha e Fru­tos Se­cos.

Mas nem só de ati­vi­da­de agrí­co­la vi­vem es­tas ex­plo­ra­ções. Mais de 5,7% das pro­pri­e­da­des no Alen­te­jo (i.e cer­ca de 2.020 ex­plo­ra­ções) in­te­gram tam­bém ati­vi­da­des não agrí­co­las co­mo for­ma de ge­rar ren­di­men­to, um nú­me­ro que cres­ceu cer­ca de 10% fa­ce a 2013. O tu­ris­mo ru­ral, a pro­du­ção flo­res­tal, a trans­for­ma­ção de pro­du­tos agrí­co­las, ar­te­sa­na­to, bem co­mo a pro­du­ção de ener­gi­as re­no­vá­veis e a aqua­cul­tu­ra são al­gu­mas des­tas ati­vi­da­des.

Re­ga­dio au­men­tou 22,7 mil ha

Nos úl­ti­mos 7 anos, o Alen­te­jo ga­nhou tam­bém 22,7 mil ha de área de re­ga­dio, so­bre­tu­do de­vi­do ao Al­que­va, o que é es­pe­ci­al­men­te im­por­tan­te ten­do em con­ta que a pro­du­ção por hec­ta­re de área agrí­co­la nas ex­plo­ra­ções pre­do­mi­nan­te­men­te de re­ga­dio atin­giu, em 2016 cer­ca de 5,2 mil eu­ros, mais 4 ve­zes do que a mé­dia na­ci­o­nal e mais 6 do que o al­can­ça­do pe­las ex­plo­ra­ções ex­clu­si­va­men­te de se­quei­ro, re­ve­la o INE.

Ode­mi­ra é um dos exem­plos do im­pac­to da água no se­tor agrí­co­la e agro­a­li­men­tar, com a pai­sa­gem do con­ce­lho a “so­frer, em al­gu­mas dé­ca­das, uma al­te­ra­ção pro­fun­da as­sen­te no ele­men­to água”, no­ta a au­tar­quia de Ode­mi­ra no seu si­te. Nes­te ca­so, a bar­ra­gem de St. ª Cla­ra- a-Ve­lha “cons­ti­tuiu­se co­mo o re­ser­va­tó­rio de água que trans­for­mou o li­to­ral num es­pa­ço pro­du­ti­vo e tec­no­lo­gi­ca­men­te de­sen­vol­vi­do”, no­ta a Câ­ma­ra de Ode­mi­ra, acres­cen­tan­do que “di­ver­si­da­de de pro­du­ções es­tru­tu­rou- se em tor­no do pe­rí­me­tro de re­ga”, as­sen­tan­do fun­da­men­tal­men­te, nas pro­du­ções hor­tí­co­las, flo­rí­co­las e fru­tí­co­las e na pe­cuá­ria, es­ta úl­ti­ma so­bre­tu­do com cri­a­ção das ra­ças bo­vi­nas Li­mou­si­ne e Hols­tein Frí­sia”, ter­mi­na- se.

DR

O Alen­te­jo amen­tou a sua área de re­ga­dio em 22, 7 mil hec­ta­res

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