Ve­lhas gló­ri­as e di­a­man­tes

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O Rei dos La­drões

King of Thi­e­ves de Ja­mes Marsh com Mi­cha­el Cai­ne, Tom Cour­te­nay, Ray Wins­to­ne Por al­gu­ma ra­zão soa bas­tan­te bri­tish o epi­só­dio ve­rí­di­co na ba­se de O Rei dos La­drões, um rou­bo per­pe­tra­do em Lon­dres, a um gran­de de­pó­si­to de jói­as, por um gru­po de se­xa­ge­ná­ri­os e sep­tu­a­ge­ná­ri­os. A Ja­mes Marsh e aos pro­du­to­res do fil­me tam­bém de­ve ter so­a­do, por­que o fil­me ex­plo­ra so­bre­tu­do is­so, um tom mui­to bri­tâ­ni­co, en­tre um re­a­lis­mo fleu­má­ti­co e um hu­mor mui­to ton­gue in che­ek. Marsh tem ti­do jack­pots ( O Ho­mem no Ara­me, A Te­o­ria de Tu­do) mas co­mo re­a­li­za­dor é pou­co mais do que um ilus­tra­dor com­pe­ten­te. O mais in­te­res­san­te é o fac­to de per­ce­ber que o te­ma não é a his­tó­ria, não é o am­bi­en­te, não são as per­so­na­gens — são os ac­to­res, a agre­mi­a­ção de ve­lhas gló­ri­as do ci­ne­ma bri­tâ­ni­co (Mi­cha­el Cai­ne, Tom Cour­te­nay, Mi­cha­el Gam­bon, Ray Wins­to­ne, etc) que exa­la ca­ris­ma pe­lo sim­ples fac­to de es­tar em fren­te a uma câ­ma­ra. O que Marsh faz me­lhor é fil­mar is­so, o ca­ris­ma e a “au­ra” dos ac­to­res — e até vai bus­car o que não fil­mou, os ex­cer­tos de fil­mes an­ti­gos (co­mo o Billy Li­ar que Cour­te­nay pro­ta­go­ni­zou há qua­se 60 anos) que fun­ci­o­nam co­mo flash-backs evo­ca­ti­vos da ju­ven­tu­de das per­so­na­gens. Cla­ro que de­pois tam­bém exa­ge­ra no su­bli­nhar da “ve­lhi­ce”, nas re­zin­gui­ces e nas ma­ni­as, no “re­a­lis­mo” das per­so­na­gens, du­ma for­ma ca­ri­ca­tu­ral pu­xar pe­lo “his­tri­o­nis­mo” que há den­tro de ca­da ac­tor (so­bre­tu­do Cai­ne, mais cock­ney do que nun­ca, que es­tá aqui um bo­ca­do co­mo mes­tre de ce­ri­mó­ni­as). Mas tam­bém é por o fil­me ter um ho­ri­zon­te tão cur­to que são os ac­to­res a sal­vá-lo. L.M.O.

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