Ac­ção Pa­ra­le­la An­tó­nio Guer­rei­ro “Fi­ni, c’est fi­ni, ça va fi­nir...

Publico - Ipsilon - - Primeira Página -

a va peut-être fi­nir”,

Fin de par­tie, sua hi­pó­te­se não ti­nha pra­zo pa­ra se re­a­li­zar. Agora que já te­mos pra­zos e eles são cur­tos, agora que as eras ge­o­ló­gi­cas cor­rem à ve­lo­ci­da­de das ge­ra­ções, tudo se al­te­rou nas nos­sas re­pre­sen­ta­ções de uma ex­tin­ção sis­té­mi­ca por ac­ção do ho­mem. O de­sa­fio que nos é lan­ça­do é es­te: não po­de­mos dei­xar de pen­sar nis­to, é ab­so­lu­ta­men­te pri­o­ri­tá­rio co­lo­car es­tas ques­tões eco­ló­gi­cas no cen­tro das nos­sas ac­ções e pre­o­cu­pa­ções, mas is­so trans­por­ta-nos pa­ra um ou­tro pla­no em que Trumps, Bal­so­ne­ros & Co. são coi­sas pou­co im­por­tan­tes, me­ras bor­bu­lhas num cor­po can­ce­ro­so. Por is­so é que o pen­sa­men­to eco­ló­gi­co tem um fun­do mí­ti­co e re­ac­ci­o­ná­rio: por­que nos trans­por­ta pa­ra fo­ra das con­tin­gên­ci­as his­tó­ri­cas, por­que re­cla­ma a ur­gên­cia de in­ter­rom­per a di­a­léc­ti­ca e o pro­gres­so, por­que su­põe um ho­ri­zon­te que não é o do tem­po da po­lí­ti­ca e in­tro­duz uma ló­gi­ca que não é an­tro­po­cên­tri­ca nem hu­ma­nis­ta. O bom eco­lo­gis­ta é uma es­pé­cie de “úl­ti­mo ho­mem” ni­etzs­chi­a­no, co­lo­ca­do pe­ran­te o pa­ra­do­xo de, em úl­ti­ma ins­tân­cia, de­se­jar um mun­do sem nós, na me­di­da em que sal­var o pla­ne­ta, a sua fau­na e a sua flo­ra, sig­ni­fi­ca sal­vá-lo da hu­ma­ni­da­de Em boa ver­da­de, ser eco­lo­gis­ta por­que se quer de­fen­der a es­pé­cie hu­ma­na da sua ex­tin­ção é um con­tra-sen­so.

Ocor­rem-me es­tas ques­tões en­quan­to atra­ves­so de car­ro o Alen­te­jo e no­to que o oli­val in­ten­si­vo que co­briu gran­des ex­ten­sões da pla­ní­cie e ex­tin­guiu qu­al­quer ou­tra vi­da se pro­lon­ga agora em amen­do­ei­ras a per­der de vis­ta, que da­qui a pou­co tem­po co­bri­rão a ter­ra, in­ten­si­va­men­te, co­mo ar­bus­tos en­fi­lei­ra­dos em pa­ra­da pa­ra a cam­pa­nha da pro­du­ção. Quei­xa­ram-se da mo­no­cul­tu­ra? Aqui têm a bi­o­cul­tu­ra. E nu­ma es­ta­ção de rá­dio o mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra anun­cia: va­mos au­men­tar a área de re­ga­dio no Alen­te­jo não sei quan­tos mi­lha­res de hec­ta­res. É o anún­cio de que o Alen­te­jo vai fi­car ver­di­nho. Ho­je há vi­nho ma­du­ro e azei­to­nas, mas ama­nhã até va­mos pro­du­zir vi­nho ver­de e ha­ve­mos de ter uma zona de flo­res­ta nór­di­ca. Vi­va Ly­sen­ko e o ly­sen­kois­mo!

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