Record (Portugal)

O Rui gosta

- Nuno Encarnação Gestor

A situação do Benfica é confranged­ora. O maior clube português sofre o segundo tsunami na sua história.

Depois de Vale e Azevedo,

parece que Vieira fez das suas.

Nunca tive dúvidas sobre cada uma das personagen­s que atrás referi.

Não sou juiz, mas o conjunto de informaçõe­s que sempre me chegaram eram mais do que suficiente­s para perceber que o desfecho seria trágico. Disse-o e escrevi-o por várias vezes. Adivinhar o óbvio não é nenhum talento, mas esconder o que estava à vista de todos e iludir cerca de 2/3 dos sócios nas últimas eleições do Benfica foi um ato de génio.

Rui Costa, investido nas últimas eleições de príncipe herdeiro

por Vieira, não tardou em ir buscar a coroa ao cofre e autoprocla­mar-se rei da Luz.

Percebo este passo à frente de Rui Costa

numa altura em que a época tem de ser programada, as compras e as vendas têm de ser concretiza­das, e o Benfica tem de ter voz de comando para que a equipa tenha resultados.

Mas pensar que pode herdar o trono,

fingindo que nada tem a haver com o passado, é um erro fatal.

Rui Costa e Soares de Oliveira eram homens de mão de Vieira.

Homens da sua mais elementar confiança (a par de Jesus). Por essa razão, recairão sobre eles várias suspeitas ao longo dos próximos tempos,

PENSAR QUE HERDA O TRONO, FINGINDO NADA TER A HAVER COM O PASSADO, É ERRO FATAL

até que o nevoeiro se esbata.

Rui Costa gosta do Benfica como ninguém.

É o único Benfiquist­a a sério dos que mencionei. Mas até para a proteção do seu futuro, devia ter saído com a detenção do seu criador. Um Benfica gerido por uma personalid­ade do clube, com uma comissão de gestão capaz, daria mais liberdade a Rui Costa para ser candidato nas próximas eleições contra Noronha Lopes.

Ao invés, Rui Costa acha que capitaliza

mais fechando João Mário, apurando o Benfica para a fase de grupos da Champions, e mantendo a equipa no primeiro lugar do campeonato. De facto, o futebol precisa de ser limpo.

A limitação de mandatos

talvez seja mais urgente do que se pensa. Antigament­e, os clubes serviam-se de pessoas credíveis da sociedade para benefício da própria instituiçã­o. Hoje, o mundo parece estar ao contrário.

Pessoas sem escrúpulos,

sem formação, usam estas instituiçõ­es para se beneficiar­em financeira­mente e para se tornarem alguém na sociedade. Não pode haver nada de mais errático.

Se derem títulos aos sócios, estes cegam.

Se deram contrataçõ­es sonantes, eles levitam, mas o necessário é mantê-los sempre a sonhar.

No dia em que acordam,é

sempre tarde de mais.

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