Record (Portugal)

Limpar o futebol

- Bernardo Ribeiro DIRETOR

Tenho algumas dúvidas sobre o espetáculo mediático que é permitido e alimentado por ministério público e tribunais quando o julgamento recai sobre poderosos. Ficamos sem saber se há provas de tudo o que se fala ou se os media são aproveitad­os para incriminar de forma popular os que ainda aguardam julgamento. O último caso que não deu em nada, se bem me lembro, foi Azeredo Lopes, linchado na praça pública, ilibado... pelo ministério público.

Mas a preocupaçã­o,

que vou debatendo com a minha consciênci­a, não me inibe de tentar fazer o melhor trabalho possível no Record. Pelo contrário, acredito que é importantí­ssimo para o desporto, no caso o futebol, que haja uma limpeza de costumes e práticas que todos sabemos são condenávei­s. O que é crime ou não, não cabe aos jornalista­s ou leitores decidir. No campo da ética e práticas podemos fazer a diferença.

Vieira era há muito um símbolo

de opacidade no futebol português. Mas ainda nas recentes eleições teve dois terços dos votos. Perdoaram-lhe ser dos maiores devedores do BES. E as revelações dos e-mails. E o caso e-Toupeira, onde é acusado o braço direito. O do saco azul. Tantos que nem me lembro. E se agora parece que a SAD e direção não conheciam Vieira, a verdade é que estiveram ao lado dele até à semana passada. Não sei se Ricardo Araújo Pereira tem razão quando diz que “ou são cúmplices, coniventes ou totós”. Mas não façam de nós parvos. Vai haver mais casos. Bem. Limpe-se o futebol.

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