Record (Portugal)

Deus e os renegados

O TÍTULO MAIS QUE JUSTO E MERECIDO DO SPORTING, ABRE O APETITE PARA UM CICLO VIRTUOSO COM MAIS CONQUISTAS E UMA FASE DE ESTABILIDA­DE QUASE IMPOSSÍVEL DURANTE DÉCADAS EM ALVALADE

- Rui Calafate Consultor de comunicaçã­o

Unanimidad­es são raras e é um desígnio que muitos líderes perseguem mas dificilmen­te atingem. Rúben Amorim com toda a categoria, talento e resultados cimentou esse estatuto de unanimidad­e em Alvalade e enquanto por lá permanecer tem a massa associativ­a rendida e tranquila. Conta também com o apoio inequívoco de Frederico Varandas que sabe que com ele tem um seguro de vida robusto para a sua presidênci­a, porque a nação leonina vive neste momento na paz dos anjos e sem qualquer convulsão à vista.

O título, mais que justo e merecido, abre o apetite para um ciclo virtuoso com mais conquistas e uma fase de estabilida­de que foi durante muitas décadas quase impossível no clube. Rúben Amorim é o totem sagrado, a divindade suprema dos verde e brancos. Por seu turno os dois outros grandes têm um problema no comando técnico. Sendo que Sérgio Conceição e Roger Schmidt estão quase vistos como renegados. No FC Porto, já toda a gente percebeu que André Villas-Boas quer fechar um ciclo e não conta com o treinador que fez milagres no passado. Só não foi consequent­e durante o período eleitoral por dois motivos. 1- para não prejudicar e desequilib­rar um grupo de trabalho ainda envolvido na disputa de vários troféus; 2- por- que não sabia quanto valia Sérgio Conceição como trunfo eleitoral de Pinto da Costa, o que poderia influencia­r a contenda nas urnas. Agora, é certo e sabido que valia pouco e em nada funcionou como joker da candidatur­a do incumbente. O novo presidente está assim livre para cortar radicalmen­te com os laços do passado e vai deixar a Zu- bizarreta a complicada tarefa de ungir um sucessor.

Se a norte é a direcção que não

quer o treinador, no Benfica é a plateia que exige a demissão de Roger Schmidt que vai dando mostras que só sai com a choruda indemnizaç­ão no bolso. É um dilema complexo para Rui Costa que prolongou erradament­e o contrato do alemão. Se continuar e voltar a falhar é o mandato do presidente que é colocado em causa, pois os benfiquist­as estão com tolerância zero para o alemão.

SE A NORTE É A DIRECÇÃO QUE NÃO QUER SÉRGIO, NA LUZ É A PLATEIA QUE EXIGE A SAÍDA DE ROGER SCHIMIDT

* Texto escrito com a antiga ortografia

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RUI MALHEIRO

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