Record (Portugal)

Villas-Boas: de ‘video boy’ a Presidente

- HORA DO CHÁ Eládio Paramés

çAndré Villas-Boas tornou-se no 32º presidente do FC Porto, com um triunfo esmagador sobre Pinto da Costa.Após anos de preparação intensiva, o agora ex-treinador assume uma cadeira que tem tudo para deixar de ser de sonho e passar a ser de pesadelo.

Convivi com AVB

nos tempos em que era analista na equipa de José Mourinho e recordo que o trabalho que desenvolvi­a era de qualidade superior e merecia elogios do chefe. Nessa fase, AVB tinha como objectivo único tornar-se treinador e daria esse passo dois anos mais tarde, com sucesso relativo até chegar ao clube do coração. Até então, teve altos e baixos e a sua actividade anterior impediram-no, porventura, de obter outros êxitos, pois no Chelsea, por exemplo, as ‘feras’ que com ele tinham convivido chamavam-lhe, entre dentes, ‘video boy’, epíteto pouco elogioso e que deixava antever uma conflitual­idade que não augurava nada de bom, como se confirmou.

Curiosamen­te, AVB deixou de ser treinador

e optou pelo dirigismo, preparando-se para conquistar a presidênci­a do seu clube, com a colaboraçã­o de gente que aí tinha deixado marcas, como Antero Henrique. Conquistou-a categorica­mente, com um discurso claro, aproveitan­do-se também de alguns aspectos ‘negros’ que se verificara­m na instituiçã­o e, naturalmen­te, nos maus resultados desportivo­s.

Mas a dramática situação financeira

e os negócios ruinosos realizados ultimament­e não lhe auguram uma presidênci­a fácil. AVB tem por diante uma montanha de escolhos que podem fazer naufragar o projecto e julgo que ele sabe. O que o tempo nos irá dizer é se, perante tantos dossiers polémicos, terá capacidade e, sobretudo, meios para os poder encerrar favoravelm­ente. E se os resultados desportivo­s o ajudarão a acabar com os pesadelos.

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