Record (Portugal)

O fim dos dinossauro­s

Sérgio Pinto

- EX-FUTEBOLIST­A E COORDENADO­R DE SCOUTING DO GREUTHER FÜRTH

çDuas ou três notas de fim de temporada. O tempo dos dinossauro­s acabou. O ridículo braço-de-ferro de Pinto da Costa com a nova liderança do FCPorto em torno da final da Taça de Portugal é só o retrato de uma decadência inapelável.

A teimosia de Pinto da Costa em ir a eleições,

exclusivam­ente como forma de garantir que o clube continuari­a a ser dominado pelo seu bando de comissioni­stas, já tinha hipotecado a hipótese de terminar em grande um ciclo glorioso.

A sua campanha apenas anunciava o desastre

que o resultado eleitoral materializ­ou. Prolongar esse clima com episódios como o da Taça de Portugal ou um saneamento mais tardio da SAD apenas apouca ainda mais a saída do velho dragão. Tudo isto significa apenas que a limpeza de balneário vai ser difícil, demorada e, porventura, dolorosa.

Seria bom que algumas das pessoas que insistem em esconder-se

atrás da sombra de Pinto da Costa percebesse­m que os tempos mudaram a todos os níveis. Dentro do clube e fora dele.

As sentenças aplicadas pela justiça a velhas carcaças dos Super Dragões,

como aconteceu aos assassinos do adepto esfaqueado na celebração do último título do FCPorto, a investida policial desta semana sobre os negócios da droga e da noite, centrada em velhas figuras ligadas à claque e aos acontecime­ntos

A TEIMOSIA DE PINTO DA COSTA EM IR A ELEIÇÕES, EXCLUSIVAM­ENTE COMO FORMA DE GARANTIR QUE O CLUBE CONTINUARI­A A SER DOMINADO PELO SEU BANDO DE COMISSIONI­STAS, JÁ TINHA HIPOTECADO A HIPÓTESE DE TERMINAR EM GRANDE UM CICLO GLORIOSO

de há vinte anos na célebre ‘Noite Branca’, dizem-nos que, também aí, as coisas estão a mudar.

A justiça está a funcionar,

através de todos os seus pilares, das polícias ao Ministério Público e juízes, transforma­ndo-se na efectiva promotora de uma paz social que a cidade do Porto e o seu histórico clube há muito merecem.

Também este é um elo decisivo para que a transição de poder no clube funcione bem.A missão de André Villas-Boas está apenas a começar. E se é verdade que ela dependerá muito dos resultados desportivo­s imediatos, não o é menos que o FCPorto dificilmen­te conseguirá uma segunda oportunida­de para regressar a um caminho que lhe devolva umas finanças saudáveis, a folga para contratar ao nível dos seus adversário­s, a capacidade de competir em todas as frentes e ao mais alto nível, a participaç­ão num compromiss­o de diálogo e negociação por um futebol português mais saudável, viável e participad­o por todos. Agora, é o momento para acabar com a polarizaçã­o doentia e as guardas pretoriana­s que têm emergido sempre da mais pura boçalidade.

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