Record (Portugal)

“Tivemos de receber o troféu no hotel”

Última final no Rosa Mota sorriu ao Barça no duelo frente ao FC Porto e originou tensão política

- BETO BORREGÁN, RAFAEL GODINHO

Já lão vão mais de 24 anos desde a última final da Liga dos Campeões disputada no Pavilhão Rosa Mota. A 30 de abril de 2000, FC Porto e Barcelona jogavam a glória europeia perante mais de 6 mil espectador­es. Após um empate a dois golos no final dos 50 minutos, um livre direto polémico, a castigar uma falta de Tó Neves, permitiu a Beto Borregán anotar o terceiro golo da sua equipa e da conta pessoal, que se revelaria decisivo. Furiosos com a atuação da dupla de arbitragem italiana, os adeptos do FC Porto invadiram o rinque no final. “Estávamos a festejar a vitória e de repente o nosso seccionist­a disse: ‘corram, corram!’. Os adeptos e a polícia entraram na pista”, recorda a Record Beto Borregán, herói do jogo. “O ambiente estava descontrol­ado. Não fui agredido, mas tivemos de receber o troféu no hotel.” Beto Borregán conquistou 58 troféus em 18 épocas nos catalães. Quando pendurou os patins em 2012, viu o Barça retirar-lhe a camisola ‘21’. A final de 2000 acabou por ser um momento chave da carreira. “Era muito jovem na altura e dei-me a conhecer a partir desse jogo.”

Críticas de Durão Barroso

A invasão de campo motivou uma tensão política no país. Fernando Gomes, Ministro da Administra­ção Interna na altura, pediu desculpa ao Governo espanhol pelos incidentes que a imprensa vizinha classifico­u como “inferno”. Já Durão Barroso, líder do PSD à data, aproveitou o momento para atacar Fernando Gomes. “Portugal não tem credibilid­ade para organizar o Euro’2004, se não é capaz de organizar uma final de uma taça dos campeões europeus de hóquei em patins”. Já Nuno Cardoso, presidente da Câmara do Porto, apresentou desculpas ao alcaide de Barcelona, Juan Clos.

Árbitro reformou-se

A final está bem presente na memória de Tó Neves, histórico jogador do FC Porto. “O ambiente era arrepiante, foi dos melhores ambientes onde joguei”, lembra ao nosso jornal o agora treinador do HC Braga. “O Barcelona tinha uma grande equipa, mas foi uma bola parada a decidir. O árbitro italiano que assinalou o livre direto terminou a carreira no final desse jogo. Foi uma arbitragem muito habilidosa. O Ministro da Administra­ção Interna passou um mau bocado por causa da confusão no final.”

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TÓ NEVES LEMBRA ÁRBITRO “HABILIDOSO” NO DUELO DECISIVO . “TERMINOU A CARREIRA NO FINAL DO JOGO”

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FIGURAS. Beto Borregán (à esquerda) ao lado de Sergi Panadero

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