“Re­ceio mais os au­tar­cas do que os fu­ros”

Ca­te­drá­ti­co e co­or­de­na­dor do Cen­tro de Mo­de­li­za­ção de Re­ser­va­tó­ri­os Pe­tro­lí­fe­ros

Sábado - - PORTUGAL - AMÍL­CAR SOARES

En­tre opor­tu­ni­da­des de ex­plo­ra­ção de re­cur­sos e ris­cos am­bi­en­tais va­lia a pe­na ter fei­to es­te fu­ro?

Os ris­cos am­bi­en­tais de um fu­ro da­que­le tipo eram pra­ti­ca­men­te nu­los. Cla­ro que foi uma ex­ce­len­te opor­tu­ni­da­de que se per­deu. Por­tu­gal vai con­ti­nu­ar a con­su­mir pe­tró­leo e gás por mui­tas dé­ca­das, infelizmente só não vai pro­du­zir.

Se vi­ves­se na­que­la re­gião ou ti­ves­se ne­gó­ci­os li­ga­dos ao tu­ris­mo, não fi­ca­ria re­ce­o­so?

Des­de os anos 70 até ago­ra que os mai­o­res cri­mes am­bi­en­tais têm si­do co­me­ti­dos nas áre­as do ur­ba­nis­mo e or­de­na­men­to do ter­ri­tó­rio. Se eu vi­ves­se no Algarve te­ria mais re­ceio dos au­tar­cas do que dos fu­ros de pe­tró­leo. É o que nos en­si­na a his­tó­ria re­cen­te.

A Galp atri­buía pro­ba­bi­li­da­de de 20% de su­ces­so ao fu­ro. É bai­xa?

Uma pro­ba­bi­li­da­de de 20% de su­ces­so é nor­mal (boa) pa­ra se pros­se­guir com a exe­cu­ção de fu­ros, em si­tu­a­ções co­mo o offsho­re de Por­tu­gal, on­de o co­nhe­ci­men­to é mui­to bai­xo (não há po­ços àque­la pro­fun­di­da­de, não há pro­du­ção) e, con­se­quen­te­men­te, o ris­co é mui­to al­to. Es­ta é uma ac­ti­vi­da­de de al­to re­tor­no, mas de al­to ris­co.

Es­pe­ra que o in­te­res­se na pros­pec­ção no País con­ti­nue?

Infelizmente es­tas si­tu­a­ções não con­tri­bu­em na­da pa­ra que o

offsho­re de Por­tu­gal se tor­ne um bom pre­fe­ren­ci­al de po­ten­ci­ais in­te­res­sa­dos na pros­pec­ção. Es­ta era uma opor­tu­ni­da­de que di­fi­cil­men­te se vol­ta a re­pe­tir a mé­dio prazo por du­as ra­zões: o pre­ço do bar­ril e o his­tó­ri­co de Por­tu­gal co­mo al­vo ins­tá­vel pa­ra as em­pre­sas de ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo e gás.

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