Ci­ne­ma

Sábado - - SUMÁRIO -

Es­treia Be­au­ti­ful Boy, história re­al de um pai e do seu fi­lho to­xi­co­de­pen­den­te

Be­au­ti­ful Boy, em es­treia es­ta se­ma­na, traz ao ci­ne­ma a história ve­rí­di­ca da re­la­ção do jor­na­lis­ta Da­vid Sheff com o seu fi­lho to­xi­co­de­pen­den­te. Por Pedro Miranda

UMA HISTÓRIA PES­SO­AL anseia tor­nar-se men­sa­gem uni­ver­sal – de apoio às ví­ti­mas e aos seus fa­mi­li­a­res e, so­bre­tu­do, de âni­mo pa­ra quem ain­da lu­ta. É nes­tes mol­des que se re­ve­la, já nos seus mo­men­tos fi­nais, a adap­ta­ção do li­vro de Da­vid Sheff, Be­au­ti­ful Boy: A Vi­a­gem de um Pai pe­lo Ví­cio do seu Fi­lho, e da res­pos­ta do seu fi­lho, Nic Sheff, Twe­ak: Cres­cen­do em Me­tan­fe­ta­mi­nas.

Em­bo­ra mãe, ir­mãos, ma­dras­ta e ami­gos da fa­mí­lia Sheff de­sem­pe­nhem pa­péis im­por­tan­tes na nar­ra­ti­va, é jus­ta­men­te so­bre a re­la­ção en­tre pai e fi­lho que in­ci­de o pri­mei­ro filme de lín­gua in­gle­sa do re­a­li­za­dor bel­ga Fe­lix van Gro­e­nin­gen. Be­au­ti­ful Boy, história de re­a­bi­li­ta­ção e re­caí­da, de de­ses­pe­ro e es­pe­ran­ça, tem Ste­ve Car­rell no pa­pel de Da­vid Sheff, jor­na­lis­ta que des­co­bre a to­xi­co­de­pen­dên­cia do fi­lho ado­les­cen­te, e Ti­mothée Cha­la­met co­mo Nic, um jo­vem que, aos 18 anos, se en­re­da nu­ma es­pi­ral que o le­va do ál­co­ol e da er­va a to­do o ti­po de subs­tân­ci­as adic­ti­vas: co­caí­na, ecs­tasy, LSD, me­tan­fe­ta­mi­nas e,

mais tar­de, he­roí­na. Cu­ri­o­sa­men­te, Gro­e­nin­gen es­co­lheu Cha­la­met, em 2016, pa­ra evi­tar as pres­sões as­so­ci­a­das a uma ca­ra co­nhe­ci­da, não ima­gi­nan­do que, um ano mais tar­de, o ame­ri­ca­no se tor­na­ria nu­ma es­tre­la in­ter­na­ci­o­nal, com Cha­ma-me pe­lo Teu No­me . Vi­su­al­men­te ape­la­ti­vo e com uma ban­da so­no­ra mui­to pre­sen­te – o pró­prio tí­tu­lo de­ri­va da can­ção Be­au­ti­ful Boy (Dar­ling Boy), es­cri­ta por John Len­non pa­ra o fi­lho, Se­an, e que Da­vid can­ta pa­ra Nic –, o filme é efi­caz a vin­car o pro­ces­so que le­va pai e fi­lho da pro­xi­mi­da­de ao afas­ta­men­to, en­tre­cor­tan­do a nar­ra­ti­va prin­ci­pal com mo­men­tos da in­fân­cia e iní­cio da ado­les­cên­cia de Nic, abrin­do a por­ta aos bas­ti­do­res da re­la­ção. E o fac­to é que es­ta ex­po­si­ção não li­ne­ar dos acon­te­ci­men­tos – que em na­da di­fi­cul­ta a com­pre­en­são da história – não im­pe­de que o filme co­me­ce lim­po e ter­mi­ne tão vi­su­al­men­te ex­plí­ci­to (exi­bin­do agu­lhas, fe­ri­das e over­do­ses) quan­to se es­pe­ra de um filme so­bre dro­gas pe­sa­das: uma mí­mi­ca tá­ci­ta da de­gra­da­ção pro­gres­si­va da vi­da de um to­xi­co­de­pen­den­te.

Ofil­me­tem uma­ban­da so­no­ra­mui­to pre­sen­te–opró­pri­o­tí­tu­lo­de­ri­va­da­can­ção Be­au­ti­fulBoy (Dar­lingBoy),de JohnLen­non

No filme, Nic Sheff (ho­je com 36 anos e re­cu­pe­ra­do) é in­ter­pre­ta­do por Ti­mothée Cha­la­met. Ste­ve Car­rell dá vi­da ao pai, o mul­ti­pre­mi­a­do jor­na­lis­ta Da­vid Sheff

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