Spor­ting

Co­me­çou com fu­te­bol de ataque e go­le­a­das, mas as der­ro­tas em Gui­ma­rães e Ton­de­la re­fre­a­ram o ím­pe­to. Até 3 de fe­ve­rei­ro, o trei­na­dor do Spor­ting jo­ga a épo­ca – na Li­ga e nas Ta­ças.

Sábado - - SUMÁRIO - Por Car­losTor­res

Mar­cel Keizer: o per­cur­so do téc­ni­co ago­ra que che­gou a ho­ra das de­ci­sões

Um, dois, três, qua­tro, cin­co… Po­di­am ser os go­los de mais um re­sul­ta­do do Spor­ting des­de que Mar­cel Keizer se tor­nou trei­na­dor do clu­be, a 8 de No­vem­bro de 2018. Afi­nal, em 11 jo­gos so­ma já 34 go­los (com Pe­sei­ro, fo­ram 24 em 13 par­ti­das). Mas tra­ta-se an­tes da re­gra dos cin­co se­gun­dos, o má­xi­mo que o téc­ni­co quer que um jo­ga­dor te­nha a bo­la em seu po­der. “Trei­na­mos is­so”, ad­mi­tiu Bru­no Fernandes ao jor­nal A Bo­la , em de­zem­bro. “Es­sa re­gra dos cin­co se­gun­dos, aque­la voz do mis­ter, ora a con­tar, ora a di­zer ‘vai’, aca­ba por acen­der al­go em nós e te­mos de con­ti­nu­ar a cor­rer pa­ra re­cu­pe­rar a bo­la.” Ter mui­ta pos­se de bo­la, jo­gar ao ataque e mar­car go­los. Es­sas são as prin­ci­pais ca­rac­te­rís­ti­cas do “mé­to­do Keizer”, que se ins­pi­ra na es­co­la ho­lan­de­sa e em par­ti­cu­lar no Ajax das dé­ca­das de 60 e 70. So­bri­nho de Pi­et Keizer (tri­cam­peão eu­ro­peu no Ajax, es­te­ve na se­le­ção ho­lan­de­sa que che­gou à fi­nal do Mun­di­al 74), Mar­cel Keizer fez a for­ma­ção no Ajax. Na épo­ca 1987/88, che­gou à equi­pa prin­ci­pal, ten­do si­do trei­na­do por Johan Cruijff – que ti­nha jo­ga­do com o tio. Com ape­nas 18 anos, não foi con­vo­ca­do pa­ra os dois jo­gos da Su­per­ta­ça Eu­ro­peia (em to­da a épo­ca, o mé­dio ape­nas fez uma par­ti­da pe­lo Ajax), e foi da ban­ca­da que viu o FC Por­to ven­cer os ho­lan­de­ses (1-0 em Ames­ter­dão e 1-0 no es­tá­dio das An­tas). Trin­ta anos de­pois, o FC Por­to vai ser o pri­mei­ro gran­de tes­te ao fu­te­bol to­tal de Mar­cel Keizer (dia 12). Um jo­go que, da­da a dis­tân­cia pa­ra o lí­der (8 pon­tos), se­rá uma es­pé­cie de fi­nal. Keizer é um trei­na­dor sem cur­rí­cu­lo – e sem tí­tu­los. Aca­bou a car­rei­ra de jo­ga­dor no Em­men (2ª di­vi­são ho­lan­de­sa), em 2002, e três anos de­pois te­ve a sua pri­mei­ra ex­pe­ri­ên­cia co­mo téc­ni­co, no UVS Lei­den (5ª di­vi­são ho­lan­de­sa). Nas di­vi­sões ama­do­ras, o me­lhor que con­se­guiu foi su­bir o Lei­den à 4ª di­vi­são. Em 2012, te­ve a pri­mei­ra opor­tu­ni­da­de nu­ma equi­pa pro­fis­si­o­nal, o Tels­tar, da II Li­ga. Na pri­mei­ra épo­ca fi­cou em 14º e na se­guin­te em 15º. Mu­dou-se de­pois pa­ra o Cam­bu­ur (clu­be on­de fez a mai­or par­te da car­rei­ra co­mo jo­ga­dor, en­tre 1989 e 1998), sen­do o co­or­de­na­dor téc­ni­co da equi­pa, que es­ta­va na I Di­vi­são. Em 2015/16 foi trei­nar o Em­men, na II Di­vi­são, mas em fe­ve­rei­ro foi ten­tar sal­var o Cam­bu­ur da des­ci­da. A equi­pa es­ta­va em úl­ti­mo e lá con­ti­nu­ou, pois em 11 jo­gos Keizer ape­nas con­se­guiu uma vi­tó­ria e dois em­pa­tes.

A sua sor­te iria mu­dar na épo­ca se­guin­te (2016/17), quan­do foi trei­nar a equi­pa B do Ajax. Ter­mi­nou a II Li­ga em 2º lu­gar, a qua­tro pon­tos do cam­peão, Ven­lo, e com um ataque de­mo­li­dor (93 go­los em 38 jo­gos). Keizer des­ta­cou-se ain­da por ter po­ten­ci­a­do al­guns jo­vens que en­tre­tan­to che­ga­ram à equi­pa prin­ci­pal do Ajax, ca­sos de De Jong e De Ligt (co­bi­ça­dos por Bar­ce­lo­na e PSG) ou Jus­tin Klui­vert (o fi­lho do cam­peão eu­ro­peu Pa­trick foi pa­ra o Ro­ma por 17 mi­lhões).

Os elo­gi­os su­ce­di­am-se: “Fez um tra­ba­lho no­tá­vel, com uma equi­pa de ju­ni­o­res”, adi­an­tou à Fox Sports o an­ti­go fu­te­bo­lis­ta Ro­nald de Bo­er. Tam­bém Jer­gé Ho­ef­dra­ad, que foi trei­na­do por Keizer no Cam­bu­ur, des­ta­cou os seus mé­to­dos e per­so­na­li­da­de: “Acha que a equi­pa é sem­pre mais im­por­tan­te que o in­di­vi­du­al. Gos­ta do es­ti­lo do Bar­ce­lo­na, de ter mui­ta pos­se. As­sim que per­dem a bo­la, os jo­ga­do­res têm de vo­ar pa­ra ci­ma dos ad­ver­sá­ri­os.” Keizer ga­nhou aí a al­cu­nha de Gu­ar­di­o­la ho­lan­dês.

Pas­sa­gem bre­ve pe­lo Ajax

No fim da épo­ca, Pe­ter Bosz saiu pa­ra o Dort­mund e Keizer fi­cou à fren­te da equi­pa prin­ci­pal do Ajax. O di­re­tor-ge­ral, Van der Sar, apre­sen­tou-o co­mo “ex­pe­ri­en­te e co­nhe­ce­dor do sis­te­ma de for­ma­ção de atle­tas”. Mas as coi­sas não cor­re­ram bem, em es­pe­ci­al nas com­pe­ti­ções eu­ro­pei­as. O Ajax ti­nha che­ga­do à fi­nal da Li­ga Eu­ro­pa (per­deu pa­ra o Man­ches­ter Uni­ted de Mou­ri­nho) e no iní­cio da épo­ca 2017/18 foi eli­mi­na­do pe­lo Ni­ce na pré-eli­mi­na­tó­ria da Cham­pi­ons e pe­lo Ro­sen­borg (Li­ga Eu­ro­pa). Em de­zem­bro, ape­sar de al­gu­ma re­cu­pe­ra­ção no cam­pe­o­na­to (cin­co vi­tó­ri­as e um em­pa­te dei­xa­ram-no a qua­tro pon­tos do PSV) foi des­pe­di­do após a eli­mi­na­ção na Ta­ça da Ho­lan­da, pe­lo Twen­te. Keizer fi­cou seis me­ses no de­sem­pre­go, e no iní­cio da atu­al épo­ca foi pa­ra os ára­bes do Al Ja­zi­ra (es­ta­va em 2º, com cin­co vi­tó­ri­as e qua­tro em­pa­tes). No Spor­ting, Keizer ven­ceu os pri­mei­ros se­te jo­gos (to­dos com go­le­a­das), me­lho­ran­do as es­trei­as de trei­na­do­res co­mo Jor­ge Je­sus, Le­o­nar­do Jar­dim, Fer­nan­do San­tos ou Iná­cio (cin­co triun­fos). A der­ro­ta em Gui­ma­rães im­pe­diu-o de igua­lar o re­cor­de de Ma­rio Im­bel­lo­ni (oi­to vi­tó­ri­as, em 1959/60). A oi­to pon­tos do FC Por­to, Keizer te­rá ago­ra 23 di­as decisivos, tan­to no cam­pe­o­na­to (re­ce­be os dra­gões dia 12 e o Ben­fi­ca a 3 de fe­ve­rei­ro) co­mo nas pro­vas a eli­mi­nar: vai ao Fei­ren­se pa­ra a Ta­ça de Por­tu­gal, dia 16, e a 23 de­fron­ta o Sp. Bra­ga na Ta­ça da Li­ga – em ca­so de vi­tó­ria, jo­ga a fi­nal com FC Por­to ou Ben­fi­ca. Se as coi­sas cor­re­rem bem, Keizer che­ga­rá a fe­ve­rei­ro ain­da na lu­ta pe­lo cam­pe­o­na­to, nas mei­as-fi­nais da Ta­ça e com um tro­féu con­quis­ta­do. Ca­so con­trá­rio, po­de­rá co­me­çar a pla­ne­ar a no­va épo­ca.

No Spor­ting, Keizer so­ma no­ve vi­tó­ri­as e du­as der­ro­tas (37 go­los mar­ca­dos e 13 so­fri­dos)

Keizer no Ajax, em ou­tu­bro de 2017, após go­le­ar o ri­val Feye­no­ord (4-1) em Ro­ter­dão. O téc­ni­co com­ple­ta 50 anos a 15 de ja­nei­ro

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