Gos­to mais das mi­nhas per­so­na­gens do que de mim”

AATRIZ QUE TEM CAR­REI­RA NOS EUAVOLTOU A POR­TU­GAL, ON­DE TEM ES­TA­DO CADAVEZ MAIS. EM POU­CO TEM­PO DEU NAS VIS­TAS NU­MA SÉ­RIE E NUM FIL­ME E PRE­PA­RA- SE PARAVOLTAR ÀS NO­VE­LAS. CHEIA DE PRO­JE­TOS, DIZ QUE RE­GRES­SAR ACON­TE­CEU, E ES­TÁ A COR­RER BEM

Correio da Manha - Sexta - - Entrevista -

O ROS­TO DE ANA CRIS­TI­NA D E OLI VE I RA VOL­TO U A APA­RE­CER NO PE­QUE­NO ECRÃ. A atriz por­tu­gue­sa que se dis­tin­guiu na mo­da e que fez car­rei­ra no ci­ne­ma ame­ri ca­no tem pas­sa­do mais tem­po em Por­tu­gal nos úl­ti­mos anos e até vai vol­tar a fa­zer no­ve­las. Opor­tu­ni­da­de pa­ra fa­lar das per­so­na­gens que a têm ocu­pa­do e da­que­las que aí vêm.

Vai en­trar na no­ve­la ‘ Va­lor da Vi­da’. Que per­so­na­gem é que vai in­ter­pre­tar?

A mi­nha per­so­na­gem cha­ma- se Jo­a­na e vai apa­re­cer pa­ra de­ses­ta­bi­li­zar [ ri­sos]. Vou apa­re­cer no fi­nal da no­ve­la, pa­ra cri­ar con­fli­to com as per­so­na­gens in­ter­pre­ta­das pe­la Te­re­sa Ta­va­res e pe­la Su­sa­na Ar­rais. A mi­nha per­so­na­gem vai fun­ci­o­nar co­mo uma es­pé­cie de es- pe­lho: tu­do aqui­lo que a Cláu­dia fez à Be­cas vai a Jo­a­na fa­zer- lhe a ela. Às ve­zes é a úni­ca ma­nei­ra de nos aper­ce­ber­mos do que fa­ze­mos aos ou­tros...

O que a faz acei­tar con­vi­tes pa­ra tra­ba­lhar? Nor­mal­men­te, quan­do me con­vi­dam, a mi­nha pri­mei­ra re­a­ção é di­zer ‘ não’. Co­mo as cri­an­ças de dois anos. Mas de­pois... Nor­mal­men­te acei­to per­so­na­gens que nun­ca fiz. Não a as­so­ci­a­mos às no­ve­las. Tam­bém nun­ca pas­sei tem­po su­fi­ci­en­te em Por­tu­gal. A mi­nha pri­mei­ra par­ti­ci­pa­ção em no­ve­la acon­te­ceu em ‘ A Im­pos­to­ra’, nos úl­ti­mos epi­só­di­os, tam­bém. Foi aí que me aper­ce­bi da quan­ti­da­de de tra­ba­lho que as no­ve­las im­pli­cam. Pa­re­cia que ti­nha vol­ta­do ao mun­do da mo­da: ves­tia um ves­ti­do, des­fi­la­va, e lo­go a se­guir ia a cor­rer mu­dar de rou­pa pa­ra vol­tar a des­fi­lar. Não é mes­mo na­da fá­cil.

Vi­mo- la re­cen­te­men­te na sé­rie ‘ On­de es­tá Eli­sa?’, em que a sua in­ter­pre­ta­ção foi mui­to elo­gi­a­da.

Es­se foi um pro­je­to du­rís­si­mo. Dis­se mui­tas ve­zes que “não”, mas in­sis­ti­ram tan­to... Ti­nha um me­do ter­rí­vel. Por­que eu não sou mãe. Sei lá

ACHO QUE DEVO FA­ZER BEM DE MU­LHER DESEQUILIB­RAD A POR­QUE ME OFE­RE­CEM MUI­TOS PA­PÉIS DEN­TRO DES­SA LI­NHA

eu o que sen­te uma mãe quan­do lhe de­sa­pa­re­ce um fi­lho! De­ve ser uma dor in­des­cri­tí­vel. Mas a sé­rie foi to­da di­fí­cil: gra­vá­va­mos de se­gun­da a sá­ba­do, du­ran­te o in­ver­no, ce­nas de ex­te­ri­or com um frio de ra­char. No fi­nal acho que de­ve­mos es­tar to­dos or­gu­lho­sos do re­sul­ta­do.

Tam­bém vai en­trar em ‘ Te­o­ri­as da Cons­pi­ra­ção’, no prin­cí­pio do ano que vem.

Fa­ço uma mu­lher desequilib­rad a . A ex- n a mo­ra d a d e u m agen­te da Po­lí­cia Ju­di­ciá­ria in­ter­pre­ta­do pe­lo Rú­ben Go­mes. Uma sé­rie so­bre po­lí­ti­ca e cor­ru pção que tem tu do que ver com os nos­sos di­as.

E hou­ve ‘ Car­ga’, o fil­me que pro­ta­go­ni­zou com a Ri­ta Blan­co e a Sa­ra Sam­paio so­bre trá­fi­co hu­ma­no.

Es­se fil­me foi gra­va­do lo­go a se­guir à Eli­sa. Emo­ci­o­nal­men­te, eu es­ta­va de ras­tos. E de­pois dei um tram­bo­lhão des­gra­ça­do, des­lo­quei o co­to­ve­lo e ti­ve de ser ope­ra­da. Du­ran­te a ope­ra­ção dei­xa­ram cair o bis­tu­ri na mi­nha gar­gan­ta e le­vei se­te pon­tos. Li­guei pa­ra a pro­du­to­ra e ex­pli­quei que es­ta­va com ges­so num bra­ço e com um pen­so à vol­ta do pes­co­ço. Mas eles acha­ram que fi­ca­va bem pa­ra a per­so­na­gem e gra­vei as­sim mes­mo. A to­mar an­ti­bió­ti­cos e en­char­ca­da em com­pri­mi­dos pa­ra as do­res. Ne­nhum pa­pel le­ve que gos­te de re­cor­dar? Pa­ra ali­vi­ar de tan­to pe­so?

Ah, es­te ve­rão ti­ve a opor­tu­ni­da­de de fa­zer o ‘ Ve­rão M’, uma ver­são na­ci­o­nal do ‘ Ve­rão Azul’. Foi fan­tás­ti­co. Acho que nun­ca ti­nha ido além de Vi­a­na do Cast e l o e es­te ve rã o a n d e i d e cá pa­ra lá, Ca­mi­nha, Mo­le­do... To­da a gen­te era por­rei­ra. Acho que nun­ca me ri tan­to.

Quan­do en­trou pa­ra o mun­do da mo­da já que­ria ser atriz? A mo­da ser­viu- me pa­ra sair de Por­tu­gal o mais de­pres­sa pos­sí­vel. Pa­ra ver coi­sas di­fe­ren­tes. Saí de Por­tu­gal em 1991, quan­do ain­da não ha­via McDo­nald’s em Por­tu­gal, e ater­rei no Ja­pão, on­de me põem sushi à fren­te. E eu pen­sei: en­tão mas es­ta gen­te não co­zi­nha o pei­xe? Mas ar­re­pen­do- me de não ter le­va­do a mo­da mais a sé­rio. O que te­ria si­do di­fe­ren­te? Te­ria fei­to mais di­nhei­ro. Mas ha­via dois pro­ble­mas: eu não gos­ta­va de vi­ver em Pa­ris, nem em No­va Ior­que. Gos­ta­va de vi­ver em Los An­ge­les. On­de há bom tem­po, on­de as pes­so­as são sim­pá­ti­cas, on­de es­tá a me­ca do ci­ne­ma. Mu­dei- me pa­ra lá em 95 e co­me­cei a tra­ba­lhar co­mo atriz.

Foi fá­cil ar­ran­jar tra­ba­lho co­mo atriz em Los An­ge­les? Los An­ge­les é uma ci­da­de que tem mais ha­bi­tan­tes do que Por­tu­gal. Uma ci­da­de vi­ra­da pa­ra o ci­ne­ma e pa­ra a mú­si­ca. To­da a gen­te tem um agen­te.

A MI­NHA MÃE TRA­BA­LHA­VA NO CI­NE­MA NIMAS, DES­DE QUE ABRIU. EU PAS­SA­VA HO­RAS A VER FIL­MES

E A SO­NHAR COM A AMÉ­RI­CA O DI­NHEI­RO DA MO­DA INVESTI- O NOS ES­TU­DOS. ESTUDEI RE­PRE­SEN­TA­ÇÃO E DE­POIS GRADUEI- ME EM HIS­TÓ­RIA DA AR­TE

Há agên­ci­as es­pe­cí­fi­cas pa­ra fa­ze­res pu­bli­ci­da­de, agên­ci­as pa­ra fa­ze­res te­a­tro, ci­ne­ma. Mas ago­ra es­ta­mos a vê- la por cá, com vá­ri­os pro­je­tos. É o re­gres­so da Ana Cris­ti­na de Oli­vei­ra a Por­tu­gal?

Ago­ra es­tou mais cá do que lá. Não foi bem uma es­co­lha... Sou fi­lha úni­ca e a mi­nha mãe tem 82 anos. Is­so le­va- me a fi­car. Mas não que­ro per­der a li­ga­ção aos Es­ta­dos Uni­dos. Te­nho du­pla na­ci­o­na­li­da­de, te­nho lá um apar­ta­men­to.

Es­ta foi a vi­da com que so­nhou? Du­pla na­ci­o­na­li­da­de. Tra­ba­lhar en­tre Por­tu­gal e os Es­ta­dos Uni­dos?

Acho que não. Nem sei o que so­nho. Mu­do mui­to de idei­as. Por is­so é que eu gos­to mais das mi­nhas per­so­na­gens do que de mim. São mais fá­ceis de en­ten­der. Mais fá­ceis de con­ten­tar e mui­to mais in­te­res­san­tes do que eu.

E nos mo­men­tos em que não

A PER­FEI­ÇÃO NÃO DE­VE EXIS­TIR. NÃO SOU DA­QUE­LAS QUE VAI PA­RA AS RE­DES SO­CI­AIS DI­ZER QUE ADO­RA A SUA VI­DA

há tra­ba­lho? O que faz? Nin­guém gos­ta da ins­ta­bi­li­da­de. On­tem, por exem­plo, pas­sei o dia a ar­ran­car er­vas do meu jar­dim... Um ator quer é tra­ba­lhar e eu sem­pre ti­ve cons­ci­ên­cia fi­nan­cei­ra. Os im­pre­vis­tos acon­te­cem e te­mos de nos pre­pa­rar pa­ra eles.

É mui­to pou­pa­da, en­tão?

Na mai­or par­te das ve­zes sou. Às ve­zes não sou. Es­ta ca­mi­so­la de go­la al­ta que es­tou a usar ago­ra, por exem­plo, já de­ve ter al­guns quin­ze anos. Já lhe fiz vá­ri­os bu­ra­cos, mas co­si- os to­dos. Te­nho ex­cen­tri­ci­da­des mas não gas­to di­nhei­ro a com­prar coi­sas par­vas, is­so não.

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