DE CO­MO A FLORAÇÃO DAS MIMOSAS É UMA FE­LI­CI­DA­DE

Correio da Manha - Sexta - - Emcertos Aspectos -

AGUARDOTOD­OS OSANOS ESTATEMPOR­ADA DE FALSATRANS­IÇÃO DO IN­VER­NO

A MI­NHA SO­BRI­NHA MA­RIA LUÍ­SA an­da “com tem­pe­ra­men­tos bu­có­li­cos”. A ex­pres­são vai no plu­ral por­que tra­duz a plu­ra­li­da­de das su­as al­mas: sen­do a elei­to­ra es­quer­dis­ta da fa­mí­lia, é a ela que ca­be man­ter em per­fei­to es­ta­do de con­ser­va­ção o re­tra­to do Se­nhor Dom Mi­guel no ca­sa­rão de Pon­te de Li­ma; além de que a votante do par­ti­do do con­se­lhei­ro dr. Louçã vi­ve de aconselhar os ri­cos de Bra­ga a de­co­rar as su­as ca­sas. Por is­so aguar­do to­dos os anos es­ta tem­po­ra­da de fal­sa tran­si­ção do In­ver­no (“fal­sa”, por­que ain­da te­mos as ge­a­das de Mar­ço pe­la fren­te, sem fa­lar das chu­vas do En­tru­do) a fim de apre­ci­ar as pri­mei­ras ma­ni­fes­ta­ções do seu bu­co­lis­mo ou, co­mo di­ria o ve­lho Dou­tor Ho­mem, meu pai, “o seu acri­so­la­do amor pe­la na­tu­re­za”. O cau­sí­di­co, que não co­nhe­ceu Ma­ria Luí­sa ( ele so­bre­vi­veu al­guns me­ses ao 25 de Abril), era – co­mo na se­ma­na pas­sa­da ex­pli­quei aos lei­to­res – um cép­ti­co so­bre as vir­tu­des da Na­tu­re­za, ao con­trá­rio de Do­na Es­ter, mi­nha mãe, cu­ja me­di­ci­na fa­mi­li­ar se cen­tra­va em ba­nhos de mar e de sol, além de ri­go­ro­sa abs­ten­ção de lei­tu­ra de po­e­sia ou li­te­ra­tu­ra sen­ti­men­tal.

Se­ja co­mo for, Ma­ria Luí­sa le­vou- nos ( a am­bos, e ain­da a D. Elai­ne, a go­ver­nan­ta des­te ere­mi­té­rio de Mo­le­do) no fim- de­se­ma­na pas­sa­do à n o s s a ro n d a pe­la “es­tra­da das mimosas” – um tre­cho de ca­mi­nho pas­to­ril e ri­so­nho en­tre Amon­de e os ar­re­do­res do Pa­ço de La­nhe­ses. É por aí que flo­res­cem as pri­mei­ras ‘ Aca­cia de­al­ba­ta’ do ano. O lei­tor, tão im­pre­vi­den­te co­mo eu ( mas me­nos da­do às coi­sas da bo­tâ­ni­ca) , não da­ria con­ta do apa­re­ci­men­to de ra­mos de­sor­de­na­dos de ‘ Aca­cia po­daly­ri­i­fo­lia’ em al­guns cu­mes des­se tra­jec­to, mas in­for­mo- o de que as­sim é. Ma­ria Luí­sa acha is­to um pre­ci­o­sis­mo dis­pen­sá­vel, mas é pre­ci­so pres­tar aten­ção a es­ta in­va­são das ra­ma­gens.

O Tio Hen­ri­que, o nos­so de­di­ca­do e an­ti­go mi­li­tar da fa­mí­lia ( além de ins­ti­ga­dor da nos­sa cul­tu­ra mu­si­cal), te­ve em tem­pos uma pe­que­na ca­sa nas co­li­nas de Amon­de ( em Tou­rim, su­po­nho), de on­de ob­ser­va­va o bri­lho do rio Ân­co­ra e as des­pe­di­das cre­pus­cu­la­res da Ser­ra d’Ar­ga. Tam­bém ele apre­ci­a­va a épo­ca do flo­res­ci­men­to das mimosas, uma ár­vo­re tão ple­beia e tão de acor­do com o Al­to Mi­nho, bor­de­jan­do es­tra­das e co­lo­rin­do o ver­de tei­mo­so da nos­sa pro­vín­cia. De ano pa­ra ano, as mimosas dei­xam- me fe­liz e, em si­mul­tâ­neo, tei­mo­so: fe­liz, por­que a sua be­le­za ir­re­ver­sí­vel e sim­ples não tem ex­pli­ca­ção; tei­mo­so, por in­sis­to em que­rer vê- las to­dos os anos. Não sei se o lei­tor me en­ten­de: mais um ano, mais um ano.

A VOTANTE DO PAR­TI­DO DO CON­SE­LHEI­RO DR. LOUÇÃ VI­VE DE ACONSELHAR OS RI­COS DE BRA­GA

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.