A gos­to­sa mo­da dos re­ben­tos de cou­ves

Correio da Manha - Sexta - - A Abrir - Por Ed­gar­do Pa­che­co

SE AL­GUÉM, HÁ DEZ ANOS, AFIRMASSE QUE OS PORTUGUESE­S i ri am ati­rar- se aos re­ben­tos da imen­sa fa­mí­lia das bras­si­cas ( cou­ves va­ri­a­das, bró­co­los, na­bos e pak choi ou mos­tar­da) is­so se­ria ca­so pa­ra se le­van­tar sus­pei­tas so­bre a sua sa­ni­da­de men­tal. Mas, ho­je, dá- se o ca­so de os portuguese­s re­gres­sa­rem ao con­su­mo de tu­do o que tem que ver com cou­ves e os re­ne­tos das mes­mas, de tal for­ma que al­guns pro­du­to­res de mer­ca­dos bi­o­ló­gi­cos de rua es­go­tam o stock uma ou du­as ho­ras de­pois de te­rem mon­ta­do as su­as ban­cas. Aliás, co­nhe­ce­mos al­guns que só ven­dem por re­ser­va.

Es­ta mo­da te­rá ori­gem no dis­cur­so dos nu­tri­ci­o­nis­tas e nas cri­a­ções de mui­tos che­fes que es­tão ca­da vez mais en­tu­si­as­ma­dos com cri­a­ções fei­tas a par­tir de ve­ge­tais – mo­da q u e c o m e ç o u n o n o r t e d a E u ro p a . Mas, de uma for­ma ou de ou­tra, os agri­cul­to­res tam­bém pu­xa­ram pe­la ima­gi­na­ção pa­ra apre­sen­ta­rem nas su­as ban­cas uma es­pé­cie de sub­pro­du­to das plan­tas que cul­ti­vam, e de que são exem­plos os re­ben­tos. Noutros tem­pos, tais re­ben­tos eram des­ti­na­dos às galinhas e aos por­cos. Ho­je têm uma pro­cu­ra con­si­de­rá­vel por­que, gre­lha­dos ou sim­ples­men­te co­zi­dos ao va­por e de­pois tem­pe­ra­dos com umas pe­dras de sal e um fio de azei­te de­cen­te, são acom­pa­nha­men­tos fan­tás­ti­cos pa­ra acom­pa­nhar car­nes e pei­xes.

E co­mo são mui­to co­lo­ri­dos, as cri­an­ças acham- lhes pi­a­da à me­sa. Aliás – e de no­vo – se al­guém, há dez anos, afirmasse que as cri­an­ças por­tu­gue­sas iri­am co­mer so­pa co­mo gen­te gran­de, se­ria a mes­ma his­tó­ria: man­de- se já tal ca­va­lhei­ro a uma con­sul­ta de psi­qui­a­tria.

Em ma­té­ria de ali­men­ta­ção as no­tí­ci­as nem sem­pre são bo­as, mas cer­tos com­por­ta­men­tos fa­zem- nos ter al­gu­ma es­pe­ran­ça.

RE­BEN­TOS QUE NOUTROS TEM­POS

IAM PA­RA AS GALINHAS SÃO HO­JE UM PETISCO E TAN­TO

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