Três di­as de mú­si­ca

PRE­PA­RA ÚL­TI­MOS CON­CER­TOS DES­TE ANO

Correio da Manha - Sexta - - A Semana Começa À Sexta -

Um ano após o iní­cio des­te ‘Ex­pres­so do Ou­to­no’, co­mo tem cor­ri­do es­ta vi­a­gem? Tem si­do óti­ma. Os es­pe­tá­cu­los cor­re­ram mes­mo mui­to bem. Ha­bi­tu­ei-me a ter ca­sa cheia e ago­ra não que­ro ou­tra coi­sa [ri­sos]. Es­ta di­gres­são par­tiu de uma ideia da mal­ta que tra­ba­lha co­mi­go e que me de­sa­fi­ou a mon­tar um es­pe­tá­cu­lo es­pe­ci­al, com mú­si­cos ex­tra, ali­nha­men­to e di­nâ­mi­cas di­fe­ren­tes do ha­bi­tu­al.

Ao lon­go das vá­ri­as pa­ra­gens que tem fei­to, quem é que tem vis­to a em­bar­car nes­ta vi­a­gem? Fãs mais antigos ou mal­ta mais no­va?

Eu ve­jo mui­tos pu­tos, pré-ado­les­cen­tes mes­mo.

E con­se­gue ex­pli­car is­so?

Sim. O que me aper­ce­bo é que as mi­nhas can­ções vão pas­san­do de pais pa­ra fi­lhos e de avós pa­ra ne­tos. Is­to só se con­se­gue quan­do se faz uma car­rei­ra com mui­ta cal­ma. Só as­sim é que o pú­bli­co au­men­ta. Eu tan­to ve­jo gen­te da mi­nha ida­de, nos 60/70 co­mo ve­jo miú­dos de oi­to anos.

Sa­ber que de­pois de tan­to anos ain­da há gen­te a des­co­brir a sua mú­si­ca, de­ve dar um go­zo es­pe­ci­al.

Cla­ro que sim. Sei que há mal­ta ain­da mui­to no­va que tem uma enor­me con­si­de­ra­ção por mim. Há mui­tos miú­dos de 18, 19 ou 20 anos que vêm tem co­mi­go no fi­nal dos con­cer­tos pa­ra me di­ze­rem que te­nho si­do uma in­fluên­cia enor­me pa­ra eles. Al­guns ofe­re­cem-me dis­cos fei­tos em ca­sa. É ra­ro um con­cer­to em que não apa­re­ça al­guém a ofe­re­cer-me um dis­co. Às ve­zes até li­vros de po­e­sia.

Con­se­gue ou­vir es­se dis­cos?

De vez em quan­do ou­ço um ou ou­tro, mas já te­nho uma pi­lha enor­me. Mas te­nho ou­vi­do coi­sas que têm pés pa­ra an­dar. Há mal­ta mui­to boa a tra­ba­lhar na mú­si­ca nes­te mo­men­to. Es­ta­mos a vi­ver tem­pos bons e fe­li­zes nes­ta área.

E o pal­co ain­da tem al­gum en­can­to pa­ra si ou já não tem mis­té­rio al­gum?

Eu acho que ca­da vez fi­co mais ner­vo­so an­tes de en­trar em pal­co. Acho que é o sen­ti­do de res­pon­sa­bi­li­da­de.

Is­so tem al­gu­ma coi­sa a ver com a ida­de?

Afi­nal já es­tá nos 69 anos...

Não sei, eu nun­ca ti­ve es­ta ida­de [ri­sos].

Sen­te que é um ho­mem mais frá­gil do que era há qu­a­ren­ta anos quan­do co­me­çou ou, pe­lo con­trá­rio, mui­to mais se­gu­ro? Eu sem­pre fui uma pes­soa re­la­ti­va­men­te se­gu­ra. Te­nho é mais ex­pe­ri­ên­cia e aven­tu­ras vi­vi­das. Te­nho mui­ta con­fi­an­ça em mim e de­pois te­nho ti­do mui­ta sor­te com as mi­nhas es­tre­li­nhas.

E fo­ra do pal­co é um ho­mem mais pa­ca­to e tran­qui­lo?

Es­tou mui­to mais ca­sei­ro. Não te­nho pa­ci­ên­cia pa­ra sair à noi­te e ir pa­ra um bar ou uma dis­co­te­ca. Eu nun­ca me dei­to ce­do, mas dá-me mais go­zo fi­car a ler, a es­cre­ver ou a ou­vir mú­si­ca.

“NÃO TE­NHO PA­CI­ÊN­CIA PA­RA SAIR À NOI­TE”

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