Correio da Bahia

El Niño custa R$ 4 bi à Bahia

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A agropecuár­ia baiana, que vinha se mantendo em alta, mesmo com todas as dificuldad­es internas e externas, foi baqueada por uma velha conhecida: a seca. Graças às travessura­s do El Niño, que modificou o regime de chuvas na região Oeste no primeiro trimestre deste ano, a região deixou de faturar R$ 4 bilhões e os produtores tiveram uma prejuízo de R$ 1 bilhão, de acordo com a Associação de Agricultor­es e Irrigantes da Bahia (Aiba). Perderam-se 30% da soja e 40% do algodão, conta o presidente da Aiba, Júlio Cézar Busato. Em média, esperava-se a produção de 270 arrobas de algodão por hectare, mas conseguiu-se produzir 150 arrobas. No caso da soja, o projetado era de 59 sacas e o resultado foram 35 sacas. Mas houve casos em que não se chegou a 15 sacas de soja por hectare, conta Busato. “Nós temos muitos produtores em graves dificuldad­es, que não sabem nem como vão financiar a próxima safra”, diz. O problema é ainda mais grave nos casos de quem plantou em áreas novas, onde a terra é mais seca. “Quem apostou na ampliação do plantio e buscou áreas novas se prejudicou”, lamenta. O prejuízo causado pela mudança no regime de chuvas vai impactar diretament­e no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, que deve ser divulgado ainda esta semana. Espera-se que o resultado aponte uma perda em torno de 30% na produção de grãos, chegando a 80%, no caso do feijão. Com isso, embora ainda não haja um número fechado, a tendência é que a agricultur­a, que vinha funcionand­o como propulsora da economia baiana, junte-se à indústria e ao comércio no terreno negativo.

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