Folha de S.Paulo

Santos se reúne com Trump à espera de ajuda em pacto de paz

Colombiano deve pedir que EUA cumpram promessa de verba para acordo com as Farc

- SYLVIA COLOMBO

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, se reúne com o americano Donald Trump nesta quinta-feira (18), na Casa Branca, com a esperança de ouvir do republican­o que cumprirá a promessa feita pelo antecessor, Barack Obama, de ajudar seu país no acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucion­árias da Colômbia).

A última vez em que um presidente colombiano esteve com seu par norte-americano na Casa Branca foi em fevereiro de 2016. Santos e Obama selaram o fim do Plano Colômbia e o substituír­am pelo Paz Colômbia.

Enquanto o Plano Colômbia destinou, por 16 anos, uma ajuda de mais de US$ 10 bilhões para compra de armamentos e em treinament­o militar para o combate ao narcotráfi­co, com o Paz Colômbia os EUA passaram a oferecer apoio político para a viabilizaç­ão da negociaçõe­s do Estado colombiano com as Farc e prometiam uma posterior ajuda financeira anual para garantir a implementa­ção do acordo.

Essa ajuda é tida como fundamenta­l pela Colômbia, que conta com o dinheiro para a reconstruç­ão da infraestru­tura destruída pela guerra e para tarefas como limpar áreas com minas terrestres.

Até aqui, Trump apenas disse a Santos que sua equipe estaria em fase de revisão do Paz Colômbia.

Apesar de o Congresso dos EUA já ter aprovado o envio de uma ajuda de US$ 450 milhões para a primeira fase de implementa­ção do acordo, setores da cúpula do governo e do Partido Republican­o sugerem um possível corte de até 21% desse gasto nas futuras remessas.

Isso porque, quando o Paz Colômbia foi acertado, Bogotá vinha conseguind­o cumprir sua parte no acordo, que era a de reduzir a quantidade de terras dedicadas ao cultivo de coca para a produção de cocaína no país.

No entanto, desde o fim das fumigações aéreas, a pedido de camponeses das regiões afetadas que alegavam riscos à saúde, esse número voltou a aumentar. Dos 112 mil hectares em 2015, a área cultivada passou para 188 mil, mantendo a Colômbia no posto de maior produtor de cocaína no mundo.

O ministro de Defesa colombiano, Luis Carlos Villegas, diz que será possível apresentar números positivos na reunião desta quinta (18).

“Vamos mostrar que o programa de substituiç­ão de cultivos ilícitos está avançando, assim como o da erradicaçã­o manual, que já pôde eliminar 15 mil hectares antes dedicados a essa atividade”, disse à imprensa colombiana.

Do lado americano, Trump manifestou a Santos, em telefonema no último dia 11, preocupaçã­o com a Venezuela. O tema deve ser debatido entre os dois no encontro desta quinta (18).

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil