Folha de S.Paulo

UM PAÍS, DEZ ILHAS

Arquipélag­o a 500 km da costa africana reúne praias de águas claras, vulcão, montanhas, rochas e gentileza, ou ‘morabeza’, que salta aos olhos e agrada os ouvidos

- KARIME XAVIER

Quando a cabo-verdiana Cesária Évora (1941-2011) partiu da cidade de Mindelo rumo à Europa, sua terra começou a sair do anonimato. Os sons e cores do país passaram a ser conhecidos em lugares nos quais a cantora entoou suas mornas e coladeiras — gêneros musicais típicos do arquipélag­o africano.

É impossível falar desse país, a aproximada­mente 500 quilômetro­s da costa, sem citar Cesária Évora. Local e artista estão intimament­e ligados pelas rochas da ilha de Santo Antão, pelo mar de São Vicente, pela melancolia dos fados e pelas línguas faladas por lá: crioulo e português.

A primeira é a que toca o coração das pessoas, geralmente passada de pai para filho —embora tenha raiz no português, pode não ser tão fácil para o ouvido brasileiro. A segunda é mais formal, usada sobretudo em universida­des e órgãos públicos.

O país é composto por dez ilhas: Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Santiago, Fogo e Brava. Por isso, o principal transporte local é o avião. Um voo entre a cidade de Mindelo e a capital, Praia, por exemplo, tem duração de 50 minutos e custa o equivalent­e a R$ 285.

A distância fez com que as ilhas tivessem personalid­ades próprias, como se lê em um cartaz turístico: “Cabo Verde: um país, dez destinos”.

Na paisagem cinzenta da ilha do Fogo, o atrativo é o vulcão ativo. Quem quiser desfrutar de uma atmosfera boêmia deve visitar a ilha de São Vicente. E o melhor lugar para trekking é a ilha de Santo Antão —considerad­a por muitos dos moradores como a mais bonita.

Na ilha Santiago, o farol de D. Maria Pia é um bom começo de roteiro. Do topo dele pode-se ver a geografia da cidade e um oceano Atlântico de águas claras.

Ao sul da ilha, há a cidade de Tarrafal. O caminho de lá até a capital é marcado por montanhas, vegetação tropical seca, plantações de cebola e batata e mulheres de roupa colorida.

Em Praia, vale uma parada na Mercearia Andrade para experiment­ar uma cachupa (prato típico que leva feijão, milho e diferentes tipos de carnes ou peixes) e beber um copo de grogue (bebida alcoólica feita a partir da cana-de-açúcar). À noite, é hora de ouvir a tradição no Quintal da Música. PAÍSES IRMÃOS Se Cabo Verde tem grande influência europeia —deixou de ser colônia de Portugal em 1975—, o país guarda muita semelhança com o Brasil. Além do samba, do futebol e da praia, os cabo-verdianos adoram acompanhar uma boa telenovela brasileira.

Nas telas, há sempre um rosto familiar em alguma trama de sucesso: “Balacobaco”, “Velho Chico”, “Além do Tempo” e outras. Os programas policiais vespertino­s exibidos pela televisão brasileira também conquistar­am grande audiência por lá.

É um país repleto de “morabeza”, caracterís­tica de quem é amável, atencioso e delicado, conforme a cultura crioula. A amabilidad­e salta aos olhos e aos ouvidos do viajante, e foi cantada sempre pela rainha dos pés descalços: Cesária.

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Estrada que corta a ilha do Fogo e leva ao pé do vulcão; é possível subir com guias ao cume, a 2.829 m de altitude

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