Folha de S.Paulo

Diretor de ‘O Filho da Noiva’ lança desenho

- TONY GOES

Há oito anos que o diretor argentino Juan José Campanella, 58 —ganhador do Oscar de filme em língua estrangeir­a por “O Segredo dos Seus Olhos” (2009) e indicado ao mesmo prêmio por “O Filho da Noiva” (2001)— não roda um filme para a tela grande com atores de carne e osso.

Em São Paulo na quinta passada (24) para o lançamento da série de animação “Mini Beat Power Rockers”, da qual é um dos criadores e produtor-executivo, Campanella conversou com a Folha sobre este curioso hiato.

“Um longa me toma pelo menos três anos de trabalho e é como uma sinfonia. Mas também existem as sonatas, as fugas, os trios, que não são necessaria­mente menores”, conta ele, que divide seu tempo entre o cinema, a TV e — “descobri agora!”— o teatro.

De fato, a filmografi­a de Campanella é pontilhada por trabalhos para a TV argentina e americana.

Antes de ganhar o Oscar, ele já havia dirigido episódi- os para séries como “House” e “30 Rock”. E voltou a dirigir séries alheias, mesmo após conquistar um dos prêmios mais importante­s do cinema.

“Foi uma maneira de me manter ativo, mas sem assumir muitas responsabi­lidades. E os projetos eram interessan­tes, como a série policial “Halt and Catch Fire” (2014) ou a ficção científica “Colony” (2016)”.

De volta à Argentina, Campanella diz que tentou renovar o gênero telenovela com “Entre Caníbales” (2014). “Gostei do resultado, mas a audiência foi muito ruim”, admite ele, entre risadas.

Mas e os convites para filmar em Hollywood? “Vieram, é claro. Só que, para começar, eu não tive tempo: ganhei o Oscar em março de 2010, e em abril começou a produção do meu longa de animação ‘Um Time Show de Bola’, que levou três anos”. PAPA-LÉGUAS O filme saiu em 2013 e acabou levando Campanella a se envolver de vez com um universo que sempre o fascinou —o dos desenhos animados. “Sou um grande fã do Pernalonga e do Papa-Léguas.”

“Além disso, os roteiros que foram enviados a mim não me interessar­am”, prossegue. “A maioria era de continuaçõ­es de franquias de super-heróis, ou de remakes desnecessá­rios, como ‘BenHur’ (que foi realizado por Timur Bekmabetov, em 2016).

Preferiu tocar seus próprios projetos. “Estou trabalhand­o em um roteiro com Eduardo Sacheri, com quem escrevi ‘O Segredo dos Seus Olhos’. Gosto da estrutura, mas estou penando para elaborar os diálogos —a história se passa na periferia de Buenos Aires, que é um universo que eu não conheço direito”.

Também pensa em refazer uma comédia argentina de humor negro de 1976, “Los Muchachos de Antes No Usaban Arsénico” (“os rapazes de antigament­e não usavam arsênico”, em tradução livre).

“Acho que um longa tem que ter algo importante a dizer, que transcenda ao tempo. Mas não sei quantos vou fazer nos próximos dez anos. Aliás, também não sei como vai estar o cinema.”

Enquanto não volta a filmar, sua primeira animação para a TV já está pronta.

“Mini Beat Power Rockers” tem 52 episódios de cinco minutos cada um, e é protagoniz­ada por quatro bebês. Eles não falam, mas tocam instrument­os feito gente grande e infernizam a adolescent­e que cuida deles numa creche. NA TV Mini Beat Power Rockers de seg. a sex., às 9h e às 18h50 (livre), no Discovery Kids

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