Folha de S.Paulo

Pizzolato deixa a prisão sorridente após liberdade condiciona­l

Ex-diretor do Banco do Brasil terá de pagar multa de R$ 2 mi; ele foi condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem no mensalão

- FÁBIO FABRINI

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no mensalão, foi posto nesta quinta-feira (28) em liberdade condiciona­l.

Ele foi liberado do regime semiaberto após participar de audiência na Vara de Execuções Penais de Brasília, durante a qual foram definidas as condições para que possa usufruir do benefício.

O ex-diretor do Banco do Brasil foi liberado pouco antes das 17h. Saiu com sorriso no rosto e fazendo um “joia” com o polegar direito. Questionad­o sobre o que fará agora, respondeu: “Vou para casa abraçar minha mulher”.

Pizzolato terá de comparecer à Procurador­ia Regional da Fazenda Nacional da 1ª Região em 30 dias para oferecer garantias de pagamento da multa imposta no julgamento do mensalão, de R$ 2 milhões, que foi parcelada. Em caso de inadimplên­cia, pode ter a condiciona­l revogada.

Ele foi condenado em 2013 a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Ele tem dupla cidadania e fugiu para a Itália com passaporte do irmão morto. Porém, foi preso, extraditad­o para o Brasil e levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) da Penitenciá­ria da Papuda em outubro de 2015.

Desde maio, Pizzolato cumpria pena no regime semiaberto. Trabalhava durante o dia como assistente de programaçã­o numa rádio do ex-senador Luiz Estêvão (MDB-DF), seu companheir­o de cela, mas tinha de se recolher à prisão à noite.

Nesta quinta, Pizzolato foi levado para audiência na Justiça do Distrito Federal, que se deu a portas fechadas, escoltado e algemado.

Durante a sessão, queixouse que foi autorizado a levar objetos pessoais para a cela, que depois foram retirados com a justificat­iva de que se- riam restituído­s aos familiares, o que ele alega não ter ocorrido. Entre os itens constavam um relógio, roupas e imagens do papa João 23, de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora de Mesocore.

O juiz substituto Vinícius Santos Silva determinou que a direção da unidade prisional dê explicaçõe­s sobre a entrada dos objetos e sua destinação. Remeteu o caso para o Ministério Público apurar eventuais irregulari­dades.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do DF informou que a unidade prisional vai apurar o caso.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a liberdade condiciona­l para Pizzolato por ter atendido às exigências legais, como cumprir um terço da pena, ter comportame­nto adequado na prisão e bons antecedent­es.

O fator decisivo foi ter começado a pagar a multa acordada com parcelas mensais de R$ 2.175.

 ?? Pedro Ladeira/Folhapress ?? Ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que foi liberado do regime semiaberto
Pedro Ladeira/Folhapress Ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que foi liberado do regime semiaberto

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil