Folha de S.Paulo

Festa do porco no Maracanã

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RIO DE JANEIRO - A lista de artistas que se apresentar­am no Maracanã é enorme e para todos os gostos: Tina Tuner, Madonna, Roberto Carlos, Zeca Pagodinho, Paul McCartney, Rolling Stones. Em 1980, Frank Sinatra fez o show mais memorável: quem esteve lá, com outras 175 mil pessoas, até hoje agradece a chuva que não veio.

E tem o Papai Noel. Em 1968, ele começou a descer de helicópter­o no gramado do estádio. Naquele ano, o palhaço Carequinha e Ted Boy Marino, o astro do telecatch, o ajudaram a entreter a petizada. Em 1978, um recorde: 250 mil pessoas foram receber o bom velhinho. O detalhe é que a celebração em nada atrapalhav­a o futebol: Papai Noel chegava de manhã, e a bola rolava à tarde.

Pois agora, com o malfadado Campeonato Carioca em curso, estão programada­s as seguintes prioridade­s para o Maracanã: a dupla sertaneja Jorge e Mateus, o cantor Wesley Safadão, as atrações internacio­nais Phil Collins e Foo Fighters, além de um evento de música eletrônica e um tal Carnaval dos Sonhos durante os três dias de folia. É claro que a grama ficará destruída e terá de ser trocada. Jogo de futebol só a partir de 10 de março – se tudo ficar pronto. Duvideodó.

Mas se você pensa que o Safadão foi o ponto máximo a que chegamos, engana-se. Em setembro, a administra­dora Maracanã S.A. (leia-se Odebrecht e AEG) permitiu a realização de uma coisa chamada Feijuca Original, festa que se estendeu por nove horas nas arquibanca­das e, para os vips, no gramado atrás do gol eternizado por Ghiggia na Copa de 1950. Para ajudar na digestão do feijão misturado ao lombo, linguiça, paio, orelha, focinho, pé, rabo, a turma ouviu pagode e funk.

O antigo Maracanã foi assassinad­o por quem só queria encher a burra de dinheiro com a desculpa da Copa do Mundo. Ao novo, é negada sua vocação primordial de estádio de futebol.

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