Folha de S.Paulo

Te cuida, Galvão

- MARILIZ PEREIRA JORGE COLUNAS DA SEMANA segunda: Juca Kfouri e PVC, quarta: Tostão, quinta: Juca Kfouri, sábado: Mariliz Pereira Jorge, domingo: Juca Kfouri, PVC e Tostão

A FOX Sports vai mesmo ter uma narradora mulher na Copa do Mundo de 2018, escolhida por meio de um processo seletivo que pretende recrutar no mercado profission­ais do sexo feminino para reforçar o time da casa. Mas não será necessário mandar currículo com foto de rosto e de corpo. Essa informação circulou nas redes sociais na semana passada, o que causou indignação entre os internauta­s.

Um post atribuído a uma agência que seria parceira da Fox dizia que o canal estava em busca de três “talentosas narradoras de futebol”, que entrariam para a história ao narrar jogos da Copa. Pedia que as interessad­as mandassem por e-mail informaçõe­s pessoais, uma breve descrição sobre sua relação com o esporte e anexassem uma foto de corpo, uma de rosto e portfólio (áudio).

Foi o que bastou para que houvesse uma reação negativa com posts e memes, incluindo fotos dos do tribunal da internet.

A Fox negou qualquer relação com a agência, protagonis­ta da confusão, mas o fato é que o projeto para a contrataçã­o das narradoras existe. Por meio de um comunicado, o canal afirmou que ele não estava “finalizado ou em andamento na presente data”. É possível que o material que acabou indo a público não tivesse sido aprovado, e por uma barbeirage­m da agência, a Fox se viu envolvida num daqueles episódios aconteçam em 2018.

Vamos encarar que o mundo dos esportes, mais especifica­mente o do futebol, não é um oásis no que se refere ao combate ao machismo. O fato positivo é que alguém se deu conta de que falta mulher neste tipo de função. Não foi definida como as contrataçõ­es serão feitas, mas a ideia original é que as narradoras participas­sem de um reality show.

Talvez seja o momento da Fox avaliar se fazer uma competição para essas aquisições seja a melhor maneira de ter mais mulheres em seu time de profission­ais. O que há de errado em analisar currículos e do canal em circo?

Nem seria uma novidade, visto que a Turner anunciou em dezembro que fará um reality, batizado de “A Narradora”, no qual a vencedora vai protagoniz­ar a transmissã­o de uma partida da Liga dos Campeões, pelo Esporte Interativo. Não há contrato vinculado na realização do jogo, que tem caráter mais recreativo do que de levar mais representa­tividade feminina para seus quadros. Não é o ideal, mas vá lá, alguma coisa está sendo feita.

Mesmo assim, seria de bom gosto não confinar as moças numa casa, esperando que haja conflitos e que elas desfilem em trajes de banho, nos momentos em que suas habilidade­s como profission­ais da voz não seja o foco da avaliação.

Na Fox, a ideia de ter mais mulheres começou bem, com a contrataçã­o do projeto batizado de “Narradoras” e, segundo a assessoria do canal, deve trabalhar em mais um produto surpresa para a Copa 2018.

A gente fica chocado que apenas este ano as mulheres na Arábia Saudita poderão frequentar estágios, mas aqui ainda temos que lidar com outro tipo de segregação.

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