Folha de S.Paulo

Brasileira representa a Letônia em concurso kitsch de música

Laura Rizzotto estará no Eurovision, maior competição do tipo

- DANIELA KRESCH

FOLHA,

Ela nasceu em Ipanema, mas vai representa­r a Letônia no maior concurso musical do mundo, o Eurovision, com média de 200 milhões de espectador­es por todo o mundo.

A brasileira Laura Rizzotto, 23, foi escolhida por voto popular para cantar sob a flâmula da república báltica no famoso festival europeu, que este ano acontecerá de 8 a 12 de maio em Lisboa.

Um mês antes do evento, a carioca debutou a canção “Funny Lady” —composta por ela, em inglês— numa espécie de vitrine do Eurovision em Tel Aviv: o “Israel Calling 2018”, que aconteceu nesta terça-feira (10).

Representa­ntes de 25 dos 43 países que participam este ano mostraram suas músicas para um púbico de 30 mil pessoas na Praça Rabin. Laura foi bem recebida pelo público israelense.

“No Eurovision todo mundo parece juiz. É que nem Copa”, brincou a jovem à Folha. “Mas acho que tudo vai depender da apresentaç­ão no dia, quem conquistar mais a audiência”.

Neta de uma letã, Laura tem dupla nacionalid­ade. Mas nunca pensou que representa­ria o país na festa anual da música no Velho Continente —febre anual com canções kitsch como a italiana “Volare” e a sueca “Waterloo”, do grupo ABBA.

No ano passado, no entanto, Rizzotto decidiu tentar a sorte numa espécie de reality show, o Supernova, cujo prêmio seria representa­r a Letônia no Eurovision.

“Conhecia o Eurovision, mas nunca pensei em me inscrever. Acabaram me escolhendo por voto popular. E não só a mim, principalm­ente a minha canção.”

A cantora descobriu a vocação adolescent­e. Em 2009, aos 15 anos, já se apresentav­a em bares e restaurant­es, cantando de blues a pop, com uma pitada de country e som acústico.

Em 2011, lançou seu primeiro álbum (“Made in Rio”) e, no ano seguinte, abriu uma apresentaç­ão de Demi Lovato em São Paulo. Chegou a trabalhar ser “coach” de português de Jennifer Lopez.

Aos 17, Rizzotto se mudou para Nova York para estudar música. Logo engatou no mestrado em Música na Universida­de Columbia. Em 2014, lançou seu segundo álbum (“Reason to stay”).

No passado, os países participan­tes no Eurovision tinham que cantar na língua de seus países. Agora, no entanto, quase todos cantam em inglês.

Uma das exceções foi o português Salvador Sobral, que venceu o concurso de 2017 cantando em português a música “Amar pelos dois” (utilizada na abertura da novela “Tempo de amar”, da Rede Globo).

Este ano, Portugal vai buscar um raro bicampeona­to. Pela primeira vez, o português será a língua do país anfitrião. Caetano Veloso, por exemplo, fará um dueto com Salvador Sobral na abertura.

Poucos brasileiro­s participar­am do Eurovision. Uma delas, Miriam Christine Borg, nascida em Santo Antônio do Descoberto (Goiás), represento­u Malta em 1996.

Outra com laços com o Brasil foi Hanna Dresner-Tzach, que nasceu em Israel, mas viveu no Rio de Janeiro dos 5 aos 13 anos. Ela represento­u Israel em 1973 e 1977. A PRÓXIMA ESTRELA Segundo todas os sites de apostas, Israel —que não fica na Europa, mas participa do Eurovision desde 1973— é o favorito deste ano. A cantora Netta Barzilai, 24, vencedora do reality A Próxima Estrela, conquistou os israelense­s com seu estilo descolado, roupas, penteados e vocais fora do comum.

Outros países de fora da Europa participam, como Austrália, Armênia, Chipre e Azerbaijão.

“O Eurovision é uma celebração de culturas diferentes. Quem parou para pensar sobre como é a música no Azerbaijão ou na Ucrânia?”, pergunta Laura.

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Laura Rizzotto no concurso letão Supernova, que rendeu a ela vaga no Eurovision

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