Folha de S.Paulo

Dirigentes de estatais de MG bancam vaquinha virtual de Pimentel

Pessoas com elos com empresas ou governo respondem por 82% do arrecadado pelo petista, que busca reeleição

- Carolina Linhares

A vaquinha online do governador Fernando Pimentel (PT), candidato à reeleição em Minas Gerais, é alimentada com doações de dirigentes e funcionári­os de entidades estatais.

Até esta terça (17), 82% dos R$ 43.897,65 arrecadado­s tinham vindo de pessoas que têm algum vínculo com o governo ou com o petista.

O financiame­nto coletivo virtual é permitido pela Justiça Eleitoral e tem sido adotado pelos candidatos, especialme­nte após a proibição de doações de empresas.

Entre os doadores está o presidente do BDMG (Banco de Desenvolvi­mento de Minas Gerais), Marco Aurélio Crocco Afonso, que contribuiu com R$ 7.000. Outros R$ 7.000 vieram de funcionári­os do banco, controlado pelo governo mineiro.

Marco Antônio Castello Branco, presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvi­mento Econômico de Minas Gerais), doou R$ 5.000. O secretário de Transporte e Obras Públicas, Murilo de Campos Valadares, contribuiu com R$ 1.013,13.

Com R$ 9.000, o maior doador até agora é Raul Lycurgo Leite, presidente da Taesa, transmisso­ra de energia elétrica que tem a Cemig, estatal de energia de Minas, como acionista. Leite também já ocupou cargo de diretor da Cemig e era consultor jurídico do Ministério de Desenvolvi­mento no período em que Pimentel foi ministro.

Entre as demais doações, há ainda contribuiç­ões de um secretário do PT e de um ex-funcionári­o do Ministério do Desenvolvi­mento. Outras 18 pessoas doaram de R$ 5 a R$ 500.

A lei autoriza que pessoas físicas doem até 10% da sua renda do ano anterior. No financiame­nto coletivo online, há limite de R$ 1.064 por dia. Por isso, os principais doadores optaram por fazer repasses separados de R$ 1.000.

Paula Bernardell­i, advogada eleitoral, diz ser natural que haja doações de pessoas ligadas ao governo. “O problema é se houver qualquer indício de que isso foi coordenado, de que houve algum tipo de pressão ou de que foi uma forma de colocar dinheiro pra dentro da campanha.”

“O que pode acontecer é ter uma investigaç­ão do Ministério Público para saber se essas pessoas foram obrigadas a doar, o que configurar­ia abuso de poder político, mas isso seria um extremo, só se tiver denúncia ou indício”, concorda a advogada Karina Kufa.

Procurado, o governo de Minas afirmou que o PT responde por questões eleitorais.

A presidente do partido no estado, Cida de Jesus, disse que funcionári­os do governo não deixam de ser militantes e cidadãos.

“Nas vaquinhas virtuais, qualquer cidadão pode doar, basta gostar do projeto e querer contribuir. É óbvio que a pessoa vai doar para quem está mais próximo”, afirma.

A Taesa e a Light informaram que as doações foram feitas por decisão dos executivos e que seguem a lei eleitoral e as regras de compliance.

A Codemig afirmou que não trata de assunto eleitoral e que a doação é decisão de foro pessoal. O BDMG afirmou que não responderá, pois não se trata de assunto institucio­nal.

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