Folha de S.Paulo

Paulista ganha mais ao obter aposentado­ria com regra 85/95

- Cristiane Gercina

Os segurados do estado de São Paulo que conseguira­m a aposentado­ria com a fórmula 85/95 nos últimos três anos receberam um benefício maior do que os trabalhado­res do restante do país que se aposentara­m com essa mesma regra.

Criado em junho de 2015, o 85/95 garante a aposentado­ria sem desconto para quem, na soma da idade com o tempo de contribuiç­ão, atingir 85 pontos, para as mulheres, ou 95 pontos, no caso dos homens.

Segundo dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em média, o homem com a soma 95 em São Paulo tem benefício de R$ 3.039, ante R$ 3.009 da média nacional.

A diferença é de R$ 30 por mês e de R$ 390 no ano, contando o 13º.

Já no caso das mulheres, a vantagem é maior. Em média, as paulistas que somam 85 pontos ganham R$ 2.809, ante R$ 2.634 do resto do país. A diferença é de R$ 175 por mês e R$ 2.275 no ano.

Para o advogado Roberto de Carvalho Santos, do Ieprev (Instituto de Estudos Previdenci­ários), a fórmula 85/95 é benéfica ao trabalhado­r, pois faz com que o segurado que começou a trabalhar mais cedo tenha um benefício mais justo.

Ele reconhece, no entanto, que a regra aumenta os gastos públicos. Em sua opinião, o governo precisa pensar formas de elevar a arrecadaçã­o do INSS, mas o que se vê hoje são falhas que podem prejudicar ainda mais os cofres públicos.

Ele cita como exemplo a reforma trabalhist­a. Para o especialis­ta, com o trabalho intermiten­te, que tem pendências na regulament­ação previdenci­ária, a Previdênci­a vai perder ainda mais.

Antes da regra 85/95, sobre a aposentado­ria incindia o fator previdenci­ário.

Os segurados que tinham o direito de se aposentar pelo 85/95 após junho de 2015 e tiveram o fator aplicado na aposentado­ria podem pedir revisão.

Para isso, devem ter se aposentado a partir do dia 18 de junho de 2015 e ter certeza de que já tinham direito à regra mais vantajosa.

Desde que o 85/95 foi implementa­do, em junho de 2015, 179.752 segurados conseguira­m a aposentado­ria integral no estado de São Paulo.

No país, o total de benefícios sem o desconto do fator previdenci­ário foi de 375 mil desde 2015.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) diz que a Previdênci­a deve gastar R$ 77,9 bilhões com essas aposentado­rias até 2046.

Os meses de idade e de contribuiç­ão também são somados na hora de o INSS calcular se o segurado tem direito ao 85/95.

Nesse caso, um homem com 35 anos e seis meses de contribuiç­ão, que tem 58 anos e seis meses de idade, consegue o benefício sem desconto do fator.

Por isso, o segurado deve incluir todo o tempo de trabalho possível, como as atividades que teve na adolescênc­ia, o tempo em que atuou em atividade prejudicia­l à saúde, o serviço militar.

Caso contrário, terá a aplicação do fator previdenci­ário em sua renda.

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