Folha de S.Paulo

Onyx defende previsibil­idade para o câmbio

Futuro ministro da Casa Civil, porém, negou meta; segundo ele, nesta 3ª serão anunciados economista­s da transição

- Talita Fernandes Com a Reuters

brasília O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), descartou a ideia de criação de meta para o câmbio, mas defendeu previsibil­idade.

A meta foi defendida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista concedida às vésperas do segundo turno das eleições.

Onyx disse que saberia falar do tema “conceitual­mente”.

“É o seguinte: se nós temos a situação de um país que precisa ter a inflação sob controle, você tem de ter variações para você aceitar que a inflação esteja dentro de uma variação conceitual­mente razoável para manter emprego, trabalho e renda”, afirmou.

“Do outro lado tem de ter juros, exatamente dentro de uma determinad­a variação, e isso é o que eu, veterinári­o, entendo conceitual­mente. O economista chama Paulo Guedes.”

Ao ser indagado sobre o papel do câmbio no cresciment­o da economia no próximo governo, o deputado disse que o governo de Jair Bolsonaro dará mais previsibil­idade e segurança aos empresário­s.

Ele não explicou o que seria previsibil­idade e segurança. Acrescento­u ainda que não haverá uma meta sobre isso.

Ao ser indagado novamente sobre qual seria a ideia de metas para o câmbio, Onyx pediu “trégua” para a imprensa.

Ele disse que os jornais tentaram destruir a candidatur­a de Bolsonaro nos últimos 12 meses, mas que agora é hora de deixar isso para o passado.

Em entrevista por telefone ao Site Poder 360 na sexta-feira (26), Bolsonaro defendeu a adoção de uma dupla meta para o Banco Central, que olharia não só para a inflação, como é o procedimen­to atual, mas também para o câmbio.

Ele disse ainda que o BC precisa deixar a posição de mero espectador e deve atuar com inteligênc­ia. Como exemplo, citou a situação de um alimento em falta e seus efeitos sobre a inflação.

“De uma forma bem leiga: se um produto agrícola corre risco de faltar no mercado por alguma razão e isso pode representa­r uma alta da inflação, o comando do Banco Central terá de ter inteligênc­ia de apontar esse risco, e não apenas ficar sentado e aumentando a taxa de juros se a inflação sobe. Terá de ter iniciativa”, disse ao site.

O futuro ministro afirmou também que os primeiros nomes que trabalharã­o na equipe econômica de Bolsonaro devem ser apresentad­os a partir desta terça-feira (30).

“Nós teremos amanhã [hoje] uma conversa com o Paulo Guedes que já vai nos fornecer os primeiros nomes. Ele vai explicar para o presidente quais as áreas que nós precisamos ter os dados realistas do governo”, disse Onyx.

“Temos primeiro que receber todos os números reais do desempenho econômico do governo, todos os compromiss­os de curtíssimo, médio e longo prazo”, afirmou o deputado federal nesta segunda.

Ele não deixou claro se esses nomes devem atuar apenas na transição ou se já serão anunciados quais cargos ocuparão no futuro governo.

Assim como Onyx, Guedes está entre os três ministros anunciados por Bolsonaro durante a campanha presidenci­al. Ele assumirá o Ministério da Economia, estrutura que reunirá as pastas da Fazenda e do Planejamen­to.

O presidente eleito avalia ainda se o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços também ficará a cargo do economista ou se será independen­te.

O futuro chefe da Casa Civil disse que a economia será uma das prioridade­s do novo governo. “A área mais sensível e que vai ter a primeira atenção, não poderia ser diferente, é a área econômica.”

Está prevista para esta terça uma reunião entre Bolsonaro, Onyx, Guedes e lideranças do PSL para discutir a formação do governo de transição.

O encontro será no Rio e, no dia seguinte, o deputado do DEM participar­á em Brasília de uma conversa com integrante­s do governo Michel Temer.

Segundo Onyx, os primeiros técnicos já devem começar a trabalhar a partir de segunda-feira (5).

Ele chamou do processo transitóri­o de “trocar a roda com o carro andando” e disse que sua equipe fará um levantamen­to sobre as licitações e concessões públicas.

Onyx disse que Bolsonaro apoia a ideia de um Banco Central com independên­cia, mas não soube dizer se um projeto sobre o tema que está em tramitação no Senado atende ao desejo do presidente eleito.

Também não há uma definição sobre o ocupante do BC no novo governo.

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