Folha de S.Paulo

‘ESG é uma farsa’, diz Musk após Tesla ser tirada de índice esg

Acusações de discrimina­ção racial e acidentes com veículos automático­s pesam contra montadora de elétricos

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LONDRES | reuters A S&P Dow Jones excluiu a Tesla de seu índice S&P 500 ESG Index, citando questões como discrimina­ção racial e colisões ligadas ao sistema de piloto automático dos veículos da montadora. A decisão disparou uma série de tuítes raivosos do presidente­executivo da empresa, o bilionário Elon Musk.

A exclusão da Tesla do índice marca o crescente debate sobre as métricas usadas para julgar observânci­a de questões ambientais, sociais e de governança, reunidas sob a sigla ESG.

Outros motivos para a retirada da Tesla do índice incluem a falta de publicação pela montadora de detalhes ligados à sua estratégia de baixo carbono ou códigos de conduta de negócios, disse Margaret Dorn, diretora dos índices ESG da S&P Dow Jones para América do Norte.

Apesar de a Tesla parecer contribuir para redução de emissões de carbono por meio dos milhares de carros elétricos que produz, a falta de informaçõe­s relativas aos pares da empresa no setor deve criar preocupaçõ­es para os investidor­es que avaliam a empresa sob critérios ESG.

“Você não pode simplesmen­te pegar um comunicado sobre a missão de uma empresa como valor de face. Você tem que olhar suas práticas em todas essas dimensões importante­s”, disse Dorn.

A Tesla não se manifestou sobre o assunto, mas, após o anúncio, Musk publicou no Twitter que a “[petrolífer­a] Exxon está colocada entre as dez melhores do mundo em ESG pela S&P 500, enquanto a Tesla não faz parte da lista! ESG é uma farsa. Tem sido usado como arma por falsos guerreiros da justiça social”.

Quando lhe foi perguntado sobre a crítica de Musk, um representa­nte da fornecedor­a do índice respondeu que “a lista não é um ranking das melhores companhias no quesito ESG”.

A Exxon tem um peso de 1,443% no índice, enquanto a Apple tem o maior, 9,657%.

Investidor­es que se dizem preocupado­s sobre questões como diversidad­e e mudanças climáticas têm colocado bilhões em fundos que afirmam usar critérios ESG para escolher seus ativos.

Mas há um debate sobre o quão efetivos esses fundos são na promoção de mudanças ou se eles podem incentivar de maneira relevante empresas sobre questões que deveriam ser tratadas por políticas governamen­tais.

A retirada da Tesla está entre uma série de mudanças promovidas no S&P 500 ESG desde 22 de abril. Entre as adições estão o Twitter, empresa cuja compra foi fechada por Musk por US$ 44 bilhões.

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