O de­se­jo pe­la bo­la

Folha De S.Paulo - - Esporte -

DO­RI­VAL JÚNIOR tem ob­ses­são pe­lo jo­go de pos­se de bo­la e as­sis­tiu a seu ti­me fa­zen­do o com­bi­na­do no pri­mei­ro tem­po do clás­si­co de on­tem. Nos pri­mei­ros dez mi­nu­tos, o San­tos pas­sou 73% do tem­po com a bo­la no pé. A ca­rac­te­rís­ti­ca do Pal­mei­ras do ano pas­sa­do e da vi­tó­ria so­bre o São Pau­lo de­sa­pa­re­ceu. O Pal­mei­ras só rou­bou uma bo­la no ata­que até os 30 mi­nu­tos.

A su­pre­ma­cia san­tis­ta deu lu­gar às chan­ces de gols pal­mei­ren­ses nos úl­ti­mos dez mi­nu­tos. No fi­nal da pri­mei­ra eta­pa, o Pal­mei­ras ha­via re­a­li­za­do 50% de seus de­sar­mes do meio de cam­po pa­ra a fren­te. O re­sul­ta­do foi ter o do­bro de fi­na­li­za­ções que o San­tos, que chu­tou du­as ve­zes na tra­ve.

Há ti­mes fan­tás­ti­cos de pos­se de bo­la e ou­tros ex­ce­len­tes que não li­gam tan­to pa­ra es­ta es­ta­tís­ti­ca. Qu­an­do o Barcelona tem 75% de pos­se de bo­la é por­que con­tro­la o jo­go. O gol sai­rá, bas­ta es­pe­rar. Mas dos cin­co prin­ci­pais cam­pe­o­na­tos da Eu­ro­pa, só o ale­mão tem co­mo lí­der o ti­me com mais tem­po de bo­la no pé.

Re­al Ma­drid, Ju­ven­tus, Mo­na­co e Chel­sea es­tão abai­xo da ter­cei­ra co­lo­ca­ção nes­te que­si­to, mas per­to de ga­nha­rem seus tor­nei­os na­ci­o­nais.

A bo­la nun­ca po­de ser o ob­je­ti­vo. Tem de ser a es­tra­té­gia. Tro­car pas­ses pa­ra obri­gar o ad­ver­sá­rio a me­xer na po­si­ção da sua de­fe­sa. Se nes­se mo­vi­men­to hou­ver três ata­can­tes contra dois de­fen­so­res, al­gum za­guei­ro sai­rá de seu lu­gar pa­ra ofe­re­cer so­cor­ro. Cer­ta­men­te vai abrir es­pa­ço, por on­de ha­ve­rá a in­fil­tra­ção e o gol.

Foi o ca­so do pri­mei­ro gol do Pal­mei­ras, com Ró­ger Gu­e­des e Je­an contra Ze­ca.

Mas o Pal­mei­ras ain­da não sa­be ser um ti­me de pos­se de bo­la. Contra o São Pau­lo, ven­ceu à cus­ta dos de­sar­mes no ata­que, não da tro­ca de pas­ses. Contra o Jor­ge Wils­ter­mann, so­freu pa­ra ven­cer o sis­te­ma de­fen­si­vo, por­que exa­ge­rou nos cru­za­men­tos. Contra o San­tos, te­ve me­nos de 50% do tem­po com bo­la no pé.

Ape­sar da der­ro­ta, o San­tos sa­be fa­zer me­lhor a tro­ca de pas­ses até se in­fil­trar. Só que nem sem­pre dá cer­to.

O iní­cio do se­gun­do tem­po mos­trou is­to. O San­tos faz a saí­da de bo­la com três ho­mens, mui­tas ve­zes com o re­cuo de Re­na­to, co­mo o Bayern de Mu­ni­que faz com o chi­le­no Vidal (ve­ja a ilus­tra­ção).

O Pal­mei­ras só evo­lui qu­an­do con­se­gue fa­zer de­sar­mes no ata­que. O me­lhor de­sem­pe­nho nes­te as­pec­to foi contra o São Pau­lo. Thi­a­go San­tos em­pur­ra a li­nha de qua­tro ar­ma­do­res pa­ra o ata­que, co­mo Fe­li­pe Me­lo não con­se­gue. Es­ta aná­li­se já exis­te tam­bém na co­mis­são técnica.

O re­sul­ta­do de on­tem que­bra ta­bu de seis anos, on­ze jo­gos, sem der­ro­tas do San­tos contra o Pal­mei­ras na Vi­la Bel­mi­ro. Os al­vi­ver­des ven­ce­ram me­nos pe­la for­ça da equi­pe, mais pe­la qua­li­da­de do elen­co, ho­je o me­lhor do Bra­sil. Falta ain­da um pou­co pa­ra ser cha­ma­do de me­lhor ti­me.

O Pal­mei­ras ain­da so­fre pa­ra ter a bo­la, co­mo de­se­ja Edu­ar­do Bap­tis­ta. Tam­bém não con­se­gue sem­pre au­men­tar os de­sar­mes per­to da área do ad­ver­sá­rio, co­mo Cu­ca fa­zia. Qu­an­do faz is­so, me­lho­ra, co­mo contra o São Pau­lo.

Mas ga­nhou dois dos três clás­si­cos, man­te­ve ta­bu contra o São Pau­lo no Al­li­anz Par­que e que­brou contra o San­tos na Vi­la Bel­mi­ro. En­quan­to is­so, o ti­me de Do­ri­val Júnior só per­deu nos en­con­tros com seus gran­des ri­vais.

Ape­sar da der­ro­ta, o San­tos sa­be fa­zer me­lhor a tro­ca de pas­ses até se in­fil­trar. Só que nem sem­pre dá cer­to

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