Tra­ba­lha­dor te­ria de con­tri­buir 44 anos pa­ra ter te­to da apo­sen­ta­do­ria

Pro­pos­ta do go­ver­no ten­ta com­pen­sar re­du­ção de 25 pa­ra 15 anos no pra­zo mí­ni­mo de pa­ga­men­to

Folha De S.Paulo - - Mercado -

Medida é con­tra­par­ti­da à fle­xi­bi­li­za­ção da reforma, que es­tá re­du­zin­do a economia pa­ra os co­fres da União

A no­va pro­pos­ta de reforma da Pre­vi­dên­cia, ape­sar de fa­ci­li­tar o aces­so à apo­sen­ta­do­ria em re­la­ção à ver­são an­te­ri­or, po­de vir com uma re­gra que re­duz o va­lor do be­ne­fí­cio de qu­em ganha aci­ma do sa­lá­rio mí­ni­mo.

A fórmula de cál­cu­lo em es­tu­do pe­lo go­ver­no e pe­la Câ­ma­ra, à qual a Fo­lha te­ve aces­so, exi­gi­rá 44 anos de con­tri­bui­ção pre­vi­den­ciá­ria pa­ra o tra­ba­lha­dor re­ce­ber o va­lor má­xi­mo do be­ne­fí­cio.

A re­gra pre­vê que o be­ne­fí­cio pa­ra qu­em com­ple­tar ida­de mí­ni­ma e 15 anos de con­tri­bui­ção se­ja equi­va­len­te a 50% da mé­dia sa­la­ri­al do tra­ba­lha­dor. A mu­dan­ça não afe­ta qu­em tem di­rei­to a um sa­lá­rio mí­ni­mo, que tem o va­lor in­te­gral ga­ran­ti­do.

Após os 15 anos de con­tri­bui­ção, a fórmula pre­vê o au­men­to de um pon­to per­cen­tu­al por ano de 16 a 25 anos de con­tri­bui­ção; 1,5 pon­to de 26a30a­nos;2pon­tos­de31a 35 anos e 2,5 pon­tos a par­tir de 36 anos de con­tri­bui­ção, com li­mi­te de 100%.

O tex­to já apro­va­do pe­la co­mis­são es­pe­ci­al na Câ­ma­ra exi­ge 40 anos de con­tri­bui­ção pa­ra ter aces­so ao va­lor má­xi­mo do be­ne­fí­cio. O re­la­tó­rio do de­pu­ta­do Arthur Maia (PPS-BA) re­du­ziu os 49 anos pre­vis­tos na pro­pos­ta ori­gi­nal do go­ver­no. Ago­ra uma no­va pro­pos­ta es­tá sen­do ela­bo­ra­da pa­ra com­pen­sar a re­du­ção de economia pre­vis­ta pa­ra os pró­xi­mos anos com a fle­xi­bi­li­za­ção da reforma.

Arthur Maia anun­ci­ou, na se­ma­na pas­sa­da, que ele e o go­ver­no ne­go­ci­am uma no­va ver­são da reforma. Ele adi­an­tou que vai re­ti­rar a exi­gên­cia de 25 anos de con­tri­bui­ção e man­ter os atu­ais 15 anos. Afir­mou, ain­da, que man­te­rá a Ida­de mí­ni­ma de 65 anos (ho­mem) e 62 (mu­lhe­res).

A ex­pec­ta­ti­va é que mu­dan­ças na apo­sen­ta­do­ria ru­ral e no be­ne­fí­cio as­sis­ten­ci­al pa­go a pes­so­as com de­fi­ci­ên­cia e ido­sos de bai­xa ren­da tam­bém se­jam re­ti­ra­das.

Nes­se con­tex­to, o mi­nis­tro da Fa­zen­da, Hen­ri­que Mei­rel­les, de­cla­rou que a re­du­ção da pro­pos­ta não po­de ser su­pe­ri­or a 50% da economia pre­vis­ta ori­gi­nal­men­te. O tex­to do go­ver­no pre­via cer­ca de R$ 800 bi­lhões de ga­nho com a reforma, mas o re­la­tó­rio apro­va­do na co­mis­são pre­vê 75% da economia ori­gi­nal. ‘OS­SO’ O mi­nis­tro da Ca­sa Ci­vil, Eli­seu Pa­di­lha, afir­mou nes­ta ter­ça (14) que não é pos­sí­vel fa­zer mais fle­xi­bi­li­za­ções na reforma pre­vi­den­ciá­ria e que ela “já che­gou no os­so”.

Se­gun­do ele, não ha­ve­rá re­du­ção na ida­de mí­ni­ma pa­ra mu­lhe­res, de 62 pa­ra 60 anos, ape­sar da pres­são da ba­se. “O go­ver­no cum­priu seu pa­pel quan­do acei­tou fa­zer fle­xi­bi­li­za­ções, ago­ra é ho­ra de o Con­gres­so vo­tar.”

A mu­dan­ça na ida­de mí­ni- ma tem si­do rei­vin­di­ca­da por de­pu­ta­das e se­na­do­ras go­ver­nis­tas. No go­ver­no, há as­ses­so­res que con­si­de­ram a re­du­ção co­mo uma car­ta na man- do be­ne­fí­cio re­ce­be­rá qu­em con­tri­buir por 30 anos

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