Le­ni­ên­cia vai ga­ran­tir se­gu­ro de cré­di­to à ex­por­ta­ção

Por pres­são da CGU, em­pre­sa que as­si­nar acor­do po­de­rá man­ter aces­so a fun­do ga­ran­ti­dor ban­ca­do com re­cur­sos do Te­sou­ro

Folha De S.Paulo - - Mercado - MA­RI­A­NA CAR­NEI­RO

As re­gras mais du­ras pa­ra aces­sar o se­gu­ro de cré­di­to à ex­por­ta­ção po­de­rão pou­par as em­pre­sas que as­si­na­rem acor­dos de le­ni­ên­cia com o go­ver­no fe­de­ral.

Por de­ci­são da Ca­mex (Câ­ma­ra de Co­mér­cio Ex­te­ri­or), co­le­gi­a­do que reú­ne se­te mi­nis­tros, o ex­por­ta­dor que pra­ti­car atos de cor­rup­ção no Bra­sil ou no ex­te­ri­or não po­de­rá mais aces­sar o se­gu­ro pe­lo pra­zo de cin­co anos.

Po­rém, os que as­si­na­rem acor­dos de le­ni­ên­cia —em que ad­mi­tem er­ros e se com­pro­me­tem em res­sar­cir da­nos— po­de­rão ter o ba­ni­men­to “con­si­de­ra­do”. Is­so por­que, se­gun­do ava­li­a­ção de téc­ni­cos do go­ver­no, ao as­si­nar o acor­do de le­ni­ên­cia, a em­pre­sa es­tá re­co­nhe­cen­do o er­ro pas­sa­do.

A Fo­lha apu­rou que a ex­ce­ção às em­pre­sas com le­ni­ên­cia apro­va­da foi le­va­da à Ca­mex por pres­são da CGU (Con­tro­la­ria-Ge­ral da União), res­pon­sá­vel pe­la ce­le­bra­ção dos acor­dos en­tre go­ver­no e em­pre­sas.

A norma po­de­rá re­sul­tar em mais um es­tí­mu­lo à ade­são de em­pre­sas que, em­bo­ra seus exe­cu­ti­vos re­co­nhe­çam cri­mes, ain­da não fe­cha­ram acor­do com o go­ver­no. No ca­so de­las, de acor­do com fon­te do go­ver­no, a aná­li­se so­bre a ex­clu­são do se­gu­ro à ex­por­ta­ção se­rá fei­ta “ca­so a ca­so”.

Ban­ca­do pe­lo FGE (Fun­do de Garantia à Ex­por­ta­ção), com re­cur­sos da con­ta do Te­sou­ro Na­ci­o­nal, o se­gu­ro foi mui­to uti­li­za­do pe­las cons­tru­to­ras que fi­ze­ram obras no ex­te­ri­or e que ho­je es­tão en­re­da­das na La­va Ja­to, co­mo Ode­bre­cht e An­dra­de Gu­ti­er­rez.

Com os ca­lo­tes de Moçambique e Ve­ne­zu­e­la, o FGE pas­sou a ser re­qui­si­ta­do pa­ra in­de­ni­za­ções. Só no ca­so da Ve­ne­zu­e­la —no qual o Bra­sil ain­da tem es­pe­ran­ças de re­ce­ber—, o de­fault ini­ci­al é de US$ 262 mi­lhões.

A pu­ni­ção só va­le pa­ra no­vas ope­ra­ções de ex­por­ta­ção.

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