Con­so­li­da­ção e so­bre­vi­vên­cia das ope­ra­do­ras ho­te­lei­ras

Pau­lo Mé­le­ga

Hotelnews Magazine - - ÍNDICE - POR PAU­LO Mé­LE­GA

Re­cen­te­men­te ocor­re­ram inú­me­ras aqui­si­ções e fu­sões en­tre ope­ra­do­ras ho­te­lei­ras no Bra­sil e no res­tan­te do mundo. Es­se pro­ces­so de con­so­li­da­ção do se­tor acen­tu­ou-se nos úl­ti­mos anos co­mo uma estratégia de so­bre­vi­vên­cia di­an­te de uma no­va realidade de mer­ca­do.

Se­guem as prin­ci­pais aqui­si­ções/fu­sões dos úl­ti­mos anos no ce­ná­rio in­ter­na­ci­o­nal: fu­são da Mar­ri­ott In­ter­na­ti­o­nal e da Starwo­od Ho­tels & Resorts, for­man­do a mai­or em­pre­sa ho­te­lei­ra do mundo, com in­crí­veis 1,1 mi­lhão de quar­tos (2016); Ac­corHo­tels fa­zen­do uma sé­rie de aqui­si­ções - Fair­mont, Swis­sô­tel, Ra­fles, Mö­ven­pick (2016 a 2018); Wyndham Worldwi­de ad­qui­rin­do a La Quin­ta Ho­tels (2018); cres­ci­men­to ex­po­nen­ci­al de re­des chi­ne­sas, co­mo a Shanghai Jin Ji­ang (já é a quin­ta mai­or do mundo), atra­vés de aqui­si­ções e fu­sões. Co­mo cu­ri­o­si­da­de, há dez anos ha­via ape­nas uma re­de chi­ne­sa en­tre as 15 mai­o­res em­pre­sas ho­te­lei­ras do mundo - ho­je já são cin­co.

Po­de­mos des­ta­car en­tre as re­cen­tes con­so­li­da­ções no mer­ca­do bra­si­lei­ro: cri­a­ção da Al­lia Ho­tels a par­tir de uma ali­an­ça es­tra­té­gi­ca da Pla­za Inn, Bris­tol Ho­tels e Gru­po So­la­re (2010); Ac­corHo­tels as­su­min­do con­tra­tos e con­ver­ten­do mar­cas de ho­téis da BHG (2017); Atrio Ho­téis as­su­min­do a ad­mi­nis­tra­ção e con­ver­ten­do mar­cas dos ho­téis da Dois Pon­to Ze­ro (2018); Atlan­ti­ca Ho­tels es­ta­be­le­cen­do uma par­ce­ria es­tra­té­gi­ca com a Vert Ho­téis para as áre­as de ven­das e compras (2018).

Mes­mo em um ce­ná­rio de con­so­li­da­ção no Bra­sil, é im­por­tan­te res­sal­tar que o mer­ca­do ho­te­lei­ro ain­da é ex­tre­ma­men­te pul­ve­ri­za­do e frag­men­ta­do. Se­gun­do da­dos de 2016 da JLL, de um to­tal de apro­xi­ma­da­men­te 537 mil quar­tos de ho­téis no Bra­sil, as re­des ho­te­lei­ras ope­ram cer­ca de 35%, sen­do os de­mais ad­mi­nis­tra­dos de for­ma in­de­pen­den­te. A Ac­corHo­tels, lí­der in­con­tes­tá­vel do se­tor, con­cen­tra ape­nas 8% do to­tal de quar­tos ho­te­lei­ros do país. As dez mai­o­res ope­ra­do­ras ho­te­lei­ras re­pre­sen­tam me­nos de 20% do to­tal de quar­tos. Um ce­ná­rio mui­to di­fe­ren­te da con­cen­tra­ção ve­ri­fi­ca­da em ou­tros se­to­res da eco­no­mia, co­mo com­pa­nhi­as aé­re­as, se­tor au­to­mo­bi­lís­ti­co, be­bi­das, ban­cos, en­tre ou­tros.

E por que é tão im­por­tan­te o pro­ces­so de con­so­li­da­ção do mer­ca­do ho­te­lei­ro? São três os fa­to­res prin­ci­pais:

Para que as em­pre­sas se­jam re­le­van­tes; atra­vés de mai­or abran­gên­cia ge­o­grá­fi­ca, ca­pi­la­ri­da­de, seg­men­ta­ção de de­man­da, re­call de mar­ca, cap­ta­ção de no­vos ne­gó­ci­os.

Para que te­nham ga­nhos de es­ca­la e si­ner­gi­as; em­pre­sas mai­o­res nor­mal­men­te con­se­guem di­luir me­lhor gas­tos da es­tru­tu­ra cen­tral, es­ta­be­le­cem me­lho­res con­di­ções de compras jun­to a for­ne­ce­do­res (in­clu­si­ve OTAs), têm mai­or ca­pa­ci­da­de de in­ves­ti­men­to, etc. Ter es­ca­la é fun­da­men­tal em um se­tor no qual os cus­tos são cres­cen­tes e as mar­gens ca­da vez mais aper­ta­das.

Para que se­jam mais com­pe­ti­ti­vas na cap­ta­ção de cli­en­tes (leia-se dis­tri­bui­ção ele­trô­ni­ca); em­pre­sas mai­o­res con­se­guem in­ves­tir mais em tecnologia, em pla­ta­for­mas de dis­tri­bui­ção, em pro­gra­mas de fi­de­li­da­de, com o ob­je­ti­vo de en­fren­tar o no­vo ce­ná­rio com­pe­ti­ti­vo das OTAs e eco­no­mia com­par­ti­lha­da (Airbnb).

A par­tir do no­vo ce­ná­rio com­pe­ti­ti­vo, as ope­ra­do­ras ho­te­lei­ras en­ten­de­ram que ou cres­cem ou ten­dem a de­sa­pa­re­cer, a per­der for­ça. A con­so­li­da­ção per­mi­te que as re­des con­ti­nu­em se de­sen­vol­ven­do, sen­do lu­cra­ti­vas, re­le­van­tes, exis­tin­do. É bem pro­vá­vel, por­tan­to, que no­vas fu­sões e aqui­si­ções ocor­ram nos pró­xi­mos anos. Mais do que uma estratégia de cres­ci­men­to, a con­so­li­da­ção é uma ques­tão de so­bre­vi­vên­cia.

Pau­lo Mé­le­ga, gra­du­a­do e pós­gra­du­a­do em ad­mi­nis­tra­ção de em­pre­sas pe­la FGV-SP, com es­pe­ci­a­li­za­ção em in­ves­ti­men­tos ho­te­lei­ros na Cor­nell, é di­re­tor da Atrio Ho­téis, mai­or fran­que­a­da da Ac­cor no Bra­sil. Con­ta­to: pau­lo.me­le­ga@atri­oho­teis.com.br

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