Se­na­do ar­ti­cu­la vo­to se­cre­to para de­fi­ni­ção do ca­so Aé­cio

Saí­da es­tá sen­do dis­cu­ti­da para di­mi­nuir des­gas­te dos se­na­do­res que que­rem re­ver­ter afas­ta­men­to do tu­ca­no

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página - Isa­do­ra Pe­ron Dai­e­ne Car­do­so Bre­no Pires / BRA­SÍ­LIA / COLABORARAM ANDREZA MATAIS e WIL­LI­AM CASTANHO

Após a de­ci­são do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF), a cú­pu­la do Se­na­do in­ten­si­fi­cou ar­ti­cu­la­ção para de­fi­nir o fu­tu­ro de Aé­cio Ne­ves (PSDB-MG) em vo­ta­ção se­cre­ta. O ob­je­ti­vo é di­mi­nuir o des­gas­te po­lí­ti­co para os que pre­ten­dem re­ver­ter o afas­ta­men­to do se­na­dor tu­ca­no. A vo­ta­ção no ple­ná­rio es­tá mar­ca­da para ter­ça-fei­ra. Em de­ci­são aper­ta­da, an­te­on­tem, os mi­nis­tros do Su­pre­mo en­ten­de­ram que me­di­das cau­te­la­res im­pos­tas a de­pu­ta­dos e se-

na­do­res de­vem ser sub­me­ti­das à aná­li­se da Câ­ma­ra e do Se­na­do. Com no­ve inqué­ri­tos abertos no STF, Aé­cio foi afas­ta­do do man­da­to pe­lo Su­pre­mo e sub­me­ti­do a re­co­lhi­men­to do­mi­ci­li­ar no­tur­no com ba­se na de­la­ção de exe­cu­ti­vos da JBS. O re­gi­men­to in­ter­no do Se­na­do pre­vê que a vo­ta­ção de­ve ser se­cre­ta em al­guns ca­sos, en­tre eles para de­li­be­rar so­bre a pri­são de um se­na­dor. A Cons­ti­tui­ção não diz que mo­de­lo de­ve ser ado­ta­do. Até 2001, o ar­ti­go 53 es­ta­be­le­cia que a vo­ta­ção de­ve­ria ser se­cre­ta, mas uma emen­da su­pri­miu a exi­gên­cia.

Se­na­do­res in­ten­si­fi­ca­ram a ar­ti­cu­la­ção por uma vo­ta­ção se­cre­ta para de­li­be­rar so­bre as me­di­das cau­te­la­res e o afas­ta­men­to im­pos­tos ao se­na­dor Aé­cio Ne­ves (PSDB-MG). O te­ma es­tá em dis­cus­são pe­la cú­pu­la do Se­na­do e tem co­mo ob­je­ti­vo di­mi­nuir o des­gas­te de se­na­do­res que pre­ten­dem re­ver­ter a sus­pen­são das fun­ções par­la­men­ta­res do tu­ca­no.

A vo­ta­ção no ple­ná­rio da Ca­sa es­tá mar­ca­da para a pró­xi­ma ter­ça-fei­ra. Por 6 vo­tos a 5, os mi­nis­tros do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF) de­ci­di­ram an­te­on­tem que me­di­das cau­te­la­res, co­mo o re­co­lhi­men­to no­tur­no, de­ter­mi­na­das a de­pu­ta­dos fe­de­rais e se­na­do­res de­vem ser sub­me­ti­das ao aval da Câ­ma­ra ou do Se­na­do.

O re­gi­men­to in­ter­no do Se­na­do pre­vê vo­ta­ção se­cre­ta para de­li­be­ra­ção so­bre pri­são de par­la­men­tar. Na se­ma­na pas­sa­da, a Co­lu­na do Es­ta­dão já ha­via adi­an­ta­do que se­na­do­res de­ba­ti­am a pos­si­bi­li­da­de de tor­nar a vo­ta­ção si­gi­lo­sa. A Cons­ti­tui­ção, po­rém, não diz que mo­de­lo de­ve ser ado­ta­do. Até 2001, o ar­ti­go 53 es­ta­be­le­cia vo­ta­ção se­cre­ta – a ex­pres­são foi su­pri­mi­da pe­la Emen­da Cons­ti­tu­ci­o­nal 35.

Se­gun­do um in­te­gran­te da Me­sa Di­re­to­ra do Se­na­do, a vo­ta­ção se­rá co­mo de­ter­mi­na o re­gi­men­to – ou se­ja, fe­cha­da. Re­ser­va­da­men­te, um mi­nis­tro do Su­pre­mo dis­se ao Es­ta­do que, co­mo a re­gra in­ter­na da Ca­sa de­ter­mi­na o mo­de­lo de vo­ta­ção, há es­pa­ço para tal in­ter­pre­ta­ção.

“Se­guir o re­gi­men­to e a Cons­ti­tui­ção, e res­pei­tar e pro­cla­mar o re­sul­ta­do li­vre do ple­ná­rio, que é so­be­ra­no, é meu de­ver co­mo pre­si­den­te (do Se­na­do)”, dis­se Eu­ní­cio Oli­vei­ra (PMDB-CE) ao co­men­tar a dis­cus­são so­bre o si­gi­lo da de­li­be­ra­ção. A se­na­do­ra Fá­ti­ma Be­zer­ra (PT-RN) cri­ti­cou a ar­ti­cu­la­ção na Ca­sa: “Eu es­pe­ro que não ha­ja ne­nhu­ma ma­no­bra e o vo­to se­ja aber­to”.

No ca­so da pri­são do se­na­dor cas­sa­do Del­cí­dio Amaral (sem par­ti­do-MS), em no­vem­bro de 2015, o en­tão pre­si­den­te do Se­na­do, Re­nan Ca­lhei­ros (PMDBAL), ten­tou re­a­li­zar a vo­ta­ção de for­ma si­gi­lo­sa. Par­la­men­ta­res, no en­tan­to, re­a­gi­ram e en­tra­ram com um man­da­do de se­gu­ran­ça con­tra a ini­ci­a­ti­va.

O pe­di­do foi de­fe­ri­do pe­lo mi­nis­tro Edson Fa­chin com ba­se na Emen­da Cons­ti­tu­ci­o­nal 35.

“Não ha­ven­do men­ção no art. 53, § 2.º, da Cons­ti­tui­ção, à na­tu­re­za se­cre­ta da de­li­be­ra­ção ali es­ta­be­le­ci­da, há de pre­va­le­cer o prin­cí­pio de­mo­crá­ti­co que im­põe a in­di­ca­ção no­mi­nal do vo­to dos re­pre­sen­tan­tes do po­vo”, es­cre­veu Fa­chin na de­ci­são. Na oca­sião, Aé­cio apoi­ou o en­ten­di­men­to do Su­pre­mo.

Para o lí­der do PMDB no Se­na­do, Rai­mun­do Li­ra (PB), não es­tá cla­ro se o ca­so de Del­cí­dio de­fi­niu uma re­gra para as pró­xi­mas vo­ta­ções. “Não pos­so di­zer com ab­so­lu­ta cer­te­za que aque­la vo­ta­ção de­fi­niu um pa­drão a ser se­gui­do ou se pre­ci­sa, em ca-

da ca­so, ser re­ver­ti­do o vo­to se­cre­to em vo­to aber­to”, afir­mou.

O pro­fes­sor de Di­rei­to Cons­ti­tu­ci­o­nal Pau­lo de Tar­so Ne­ri, po­rém, afir­mou que “a re­gra é a vo­ta­ção aberta”. “Só se per­mi­te vo­to se­cre­to quan­do o tex­to ex­pres­sa­men­te diz que de­ve ser se­cre­to”, dis­se. “Já hou­ve vo­ta­ções aber­tas na Câ­ma­ra. Por exem­plo, a cas­sa­ção de Edu­ar­do Cu­nha. Se até a cas­sa­ção, que é mui­to mais gra­ve, é aberta, vo­ta­ção me­nos gra­vo­sa tam­bém tem de ser trans­pa­ren­te.”

Opo­si­ção. Se­na­do­res da opo­si­ção – que são mi­no­ria e de­fen-

dem pu­ni­ção a Aé­cio – di­zem que di­fi­cil­men­te a Ca­sa vai man­ter as me­di­das cau­te­la­res im­pos­tas ao se­na­dor tu­ca­no. Para Ran­dol­fe Ro­dri­gues (Re­deAP), há um acor­do de pro­te­ção ao tu­ca­no fir­ma­do en­tre PMDB e PSDB. Pe­las su­as con­tas, os vo­tos pe­la ma­nu­ten­ção das me­di­das im­pos­tas a Aé­cio podem che­gar a 30 se­na­do­res ca­so o PT fe­che questão pe­lo afas­ta­men­to do tu­ca­no.

Após o mal-es­tar cau­sa­do pe­la no­ta em que o PT cri­ti­cou a de­ci­são do Su­pre­mo em re­la­ção a Aé­cio, o lí­der da mi­no­ria no Se­na­do, Hum­ber­to Cos­ta (PTPE), afir­mou que sua ban­ca­da de­ve vo­tar uni­da para man­ter o tu­ca­no afas­ta­do do car­go. “O Se­na­do vai ter de en­trar no mé­ri­to da dis­cus­são. Ago­ra nós va­mos dis­cu­tir se as coi­sas que têm con­tra o Aé­cio jus­ti­fi­cam ou não es­sa re­co­men­da­ção do Su­pre­mo. Eu vou de­fen­der que nós vo­te­mos para se­guir a re­co­men­da­ção”, dis­se Cos­ta.

Com no­ve inqué­ri­tos abertos no Su­pre­mo, Aé­cio foi afas­ta­do do man­da­to e sub­me­ti­do ao re­co­lhi­men­to do­mi­ci­li­ar no­tur­no por de­ci­são da Pri­mei­ra Tur­ma do Su­pre­mo no dia 26 de se­tem­bro com ba­se no re­la­to dos de­la­to­res do Gru­po J&F.

ANDRE DUSEK/ES­TA­DÃO–3/10/2017

Ple­ná­rio. Se­na­do vai de­ci­dir o fu­tu­ro do se­na­dor Aé­cio Ne­ves; tu­ca­no es­tá afas­ta­do do car­go des­de o dia 26 de se­tem­bro

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