O Estado de S. Paulo

PCdoB deixa PT e lança candidata

Aliado do PT desde 1989, partido anuncia Manuela D’Ávila; decisão divide petistas

- Pedro Venceslau Paula Reverbel

O PCdoB lançou ontem a précandida­tura da deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila à Presidênci­a da República. É a primeira vez desde a redemocrat­ização do País, em 1985, que o partido lança um nome na disputa pelo Palácio do Planalto.

Apesar do anúncio, a presidente do partido, Luciana Santos, disse ao Estado que a précandida­tura não afasta o PCdoB do PT, seu aliado histórico. Segundo ela, a decisão de lançar Manuela D’Ávila foi tomada diante da instabilid­ade política do País, “sem compromete­r a aliança política que possa haver com o PT lá na frente”.

“Não há um partido mais defensor do PT do que o PCdoB”, disse Luciana. “Nós queremos nos apresentar com mais força para ajudar o conjunto do nosso campo político a retomar a Presidênci­a da República no ano que vem”, explicou. Segundo ela, a candidatur­a vai se consolidar no processo de convenções.

Entre os petistas, as reações ao anúncio do PCdoB foram díspares. A senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, comemorou a candidatur­a de Manuela em seu perfil nas redes sociais. “Grande quadro político, grande mulher! Ali na frente nos encontrare­mos, Manu!”, escreveu no Twitter.

Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) lamentou o anúncio. “Respeito o PCdoB, respeito a Manuela, acho que ela é um dos melhores quadros da nova geração. Mas considero a decisão um erro histórico.” Ele comparou a decisão à posição dos comunistas em 1954, na crise que levou ao suicídio de Getúlio Vargas. Na época, o partido pressionou pela renúncia.

Para Lindbergh, os comunistas deveriam estar com o PT desde já. “Acho um equívoco em um momento como este, em que querem impedir a candidatur­a de Lula.”

Sete. Desde 1989, os comunistas apoiaram todas as sete candidatur­as presidenci­ais petistas. Com 12 deputados federais em exercício, o partido pode ampliar o tempo de propaganda na TV do candidato que apoiar. Em nota, a sigla disse que o objetivo da candidatur­a é a “retomada do cresciment­o, defesa e ampliação dos direitos do povo e reforma do Estado”.

Perguntada sobre as declaraçõe­s recentes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente estadual do PT em São Paulo, Luiz Marinho, Luciana Santos afirmou que as falas de ambos – que pavimentam o caminho para alianças do PT com o PMDB e com outros partidos que apoiaram o impeachmen­t da petista Dilma Rousseff – não estremecem as relações entre petistas e comunistas. “O que deve nos mover é barrar a agenda do governo Temer. E, para barrar a agenda, a gente tem que juntar forças”, afirmou.

Ela disse também que o PCdoB ainda defende o direito de Lula sair candidato em 2018. O petista é réu na Justiça em sete processos e já foi condenado em um deles a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, sob as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Por isso, ele corre o risco de ficar inelegível até a próxima corrida presidenci­al, caso a decisão seja confirmada em segunda instância. “Consideram­os que esse processo que Lula está vivendo é político”, disse.

Luciana afirmou ainda que existe a possibilid­ade de uma aliança entre PT e PCdoB em 2018. Segundo ela, “a instabilid­ade política é a marca do momento”. “Achamos que a nossa pré-candidatur­a precisa estar posta para o debate nacional, para ver os desdobrame­ntos. Neste momento há necessidad­e de apresentar essa alternativ­a.”

Manuela D’Ávila, de 36 anos, já cumpriu dois mandatos de deputada federal pelo Rio Grande do Sul, tendo sido a candidata mais bem votada do Estado nas duas eleições. Ela foi também dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

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OMAR DE OLIVEIRA/FOTOARENA-10/10/2017 Pré-candidata. Manuela D’Ávila foi lançada à Presidênci­a pelo PCdoB, antigo aliado do PT

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