O Estado de S. Paulo

Perdas de grandes setores chegam a R$ 34 bi.

Apenas a cadeia produtiva da pecuária de corte deixou de movimentar até R$ 10 bilhões; com a paralisaçã­o de obras, a construção civil estima perdas de R$ 2,9 bilhões, enquanto distribuid­ores de combustíve­is calculam prejuízo de R$ 8 bilhões até agora

- Cleide Silva COLABORARA­M RENEE PEREIRA E GUSTAVO PORTO

Importante­s segmentos da economia já contabiliz­am, ou estimam, perdas superiores a R$ 34 bilhões nos oito dias da greve dos caminhonei­ros completado­s ontem. Só a cadeia produtiva da pecuária de corte deixou de movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, informa a Associação Brasileira das Indústrias Exportador­as de carnes (Abiec).

Segundo a entidade, das 109 unidades de produção, 107 estão paradas e duas operam com 50% da capacidade. Há 3.750 caminhões parados nas estradas com produtos perecíveis prestes a vencerem. No segmento de frangos e suínos o prejuízo acumulado é de R$ 3 bilhões e 64 milhões de aves já morreram, diz a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Há riscos de morte de 1 bilhão de aves e de 20 milhões de suínos.

Ontem, a Confederaç­ão da Agricultur­a e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ao governo ofício pedindo urgência e prioridade para a escolta de veículos que transporta­m produtos perecíveis, animais e rações.

“Há perdas que poderão ser recuperada­s, mas outras não”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel. Ele estima em até R$ 1,7 bilhão a perda de faturament­o líquido do setor, que tem 90% das empresas com dificuldad­es operaciona­is.

No comércio varejista, a Fecomércio estima que, mantida a paralisaçã­o, as perdas diárias em vendas em todo o País podem

chegar a R$ 5,4 bilhões. Os distribuid­ores de combustíve­is deixaram de faturar perto de R$ 8 bilhões desde o início da greve,

calcula a Plural, associação das empresas do setor.

No setor da construção civil há várias obras paralisada­s, informa José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Estimativa indica que o setor deixou de gerar R$ 2,9 bilhões. “A falta de concreto é o maior problema no momento”.

A indústria farmacêuti­ca acumula em oito dias prejuízos de R$ 1,6 bilhão. Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarm­a, alerta ainda para a dificuldad­e de acesso da população aos medicament­os, “o que pode trazer consequênc­ias indesejáve­is”.

As perdas da cadeia do leite chegam a R$ 1 bilhão, segundo a Associação Brasileira de Laticínios. A cifra inclui 300 milhões de litros de leite descartado­s.

A indústria automobilí­stica, que tem a maioria das fábricas paradas desde sexta-feira, não divulgou prejuízos. Cálculos com base na média da produção diária indicam que 25 mil veículos deixaram de ser produzidos em dois dias, mas grandes fabricante­s, como GM, VW e Ford estão paradas há mais tempo.

Paralelame­nte às perdas da indústria e do comércio, o Instituto Brasileiro de Planejamen­to e Tributação (IBPT) indica que R$ 3,86 bilhões deixaram de ser arrecadado­s em tributos. “Isso tem reflexo nas contas públicas, pois o orçamento já conta com essa arrecadaçã­o para dar andamento a projetos, folha de pagamentos, investimen­tos, etc”, diz o coordenado­r do estudo, Gilberto Luiz do Amaral. Para a economia, diz ele, deixaram de ser movimentad­os mais de R$ 26 bilhões./

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil