O Estado de S. Paulo

‘Amar é para os fortes...’

- ROBERTA MARTINELLI E-MAIL: ROBERTA.MARTINELLI@ESTADAO.COM

Com esse título você pode achar que essa coluna é sobre o nosso momento, sobre o que acontece no Brasil, sobre as eleições que se aproximam, sobre a polarizaçã­o, sobre homofobia, sobre lutas, conquistas, superações, mas não, a coluna ainda é sobre música. Mas não podemos esquecer jamais que música também é sobre tudo isso... Entende? Então Amar É para os Fortes éo título dessa coluna, do álbum visual em fase de lançamento agora e também do nosso momento no Brasil hoje e já faz um tempinho. Vamos juntos e fortes. O cantor e compositor Marcelo D2 lançou mais um disco solo (e que disco, você já ouviu?). E junto com esse disco lançou um filme com o belíssimo e significat­ivo nome Amar É para os Fortes – nome dado também a essa coluna de hoje.

É um álbum visual que tem direção e roteiro dele. No papel principal, o filho do cantor, Stephan Peixoto, também conhecido com Sain no seu trabalho no rap. Ele interpreta Sinistro, um garoto que usa a arte para lutar e resistir. Veja só. O filme talvez seja um retrato do cantor, talvez um retrato do artista, talvez um retrato de tantos artistas, e com certeza uma escolha fundamenta­l para o tempo em que vivemos no qual a arte vem sendo cada vez mais (se é que é possível) marginaliz­ada. Agora, até com frases preconceit­uosas e irresponsá­veis de políticos e com tantos cortes e mais cortes de verbas para projetos culturais.

Semana passada, entrei em uma briga por causa de política no Facebook (sim, acontece com todo mundo e ainda mais em período de eleição) e em certo momento da discussão, um rapaz me escreve “vai levar sua filha em uma exposição com gente pelada”. Que frase horrível. Fiquei tão triste com essa frase. Pois ela é fruto da ignorância e também da má-fé de quem espalha notícias assim, de quem censura e não é capaz de entender uma obra, uma performanc­e.

Enfim, arte é luta – e em momentos de luta acirrada (agora) é fundamenta­l. Logo, o personagem do filme do Marcelo D2 é um retrato superatual do nosso momento. E que momento delicado.

Além do álbum visual, já uma tendência no mundo, uma vez que as pessoas buscam cada vez mais a imagem, o disco é imperdível com uma parceria com o mestre Wilson das Neves (baterista, cantor e compositor que nos deixou no ano passado, saudades!), e participaç­ão de Kassin, Marcelo Jeneci, Rodrigo Amarante, Rincon Sapiência, Siba, Alice Caymmi, Seu Jorge e (ahhhhhh suspiros) Gilberto Gil.

Mudar o mundo com arte e cultura é possível e esse disco já nos faz mudar um pouco. A arte é também para os fortes e aqui temos um belo exemplo dessa força, Marcelo D2 na lata e sem dó.

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ALEX BATISTA Marcelo D2. Disco/filme
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