‘Blo­co da Sen­sa­tez’

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página - Eli­a­ne Can­ta­nhê­de

De­vas­ta­do, o PSDB ten­ta jun­tar os ca­cos e ar­ti­cu­lar um blo­co na Câ­ma­ra con­tra a cri­se já con­tra­ta­da pa­ra 2019.

OPSDB, ou o que so­brou de­le, ten­ta jun­tar os ca­cos e ar­ti­cu­lar um blo­co na Câ­ma­ra com PPS, DEM e PSD pa­ra atu­ar no Con­gres­so no pró­xi­mo go­ver­no e ser­vir de em­brião pa­ra um no­vo par­ti­do mo­de­ra­do, de cen­tro, com ten­dên­cia à di­rei­ta. Se­ria o que eles cha­mam de “Blo­co da Sen­sa­tez”, pe­gan­do ca­ro­na no alerta de Fer­nan­do Hen­ri­que Car­do­so con­tra a “marcha da in­sen­sa­tez”.

Dê Jair Bol­so­na­ro (PSL), co­mo tu­do in­di­ca, ou Fer­nan­do Haddad (PT), em fran­ca des­van­ta­gem, a avaliação do blo­co é que tem­pos mui­tos di­fí­ceis es­tão por vir no País e no Par­la­men­to, com o no­vo go­ver­no ba­ten­do ca­be­ça, co­me­ten­do erros cras­sos, e a opo­si­ção armada até os den­tes. Por is­so, seus ar­ti­cu­la­do­res jo­gam na me­sa du­as pre­mis­sas de atu­a­ção: bom sen­so e res­pon­sa­bi­li­da­de.

De­vas­ta­do pe­las ur­nas e pe­la ra­di­ca­li­za­ção en­tre Bol­so­na­ro e PT, o PSDB não en­xer­ga um fu­tu­ro, com FHC er­rá­ti­co, Ser­ra, Aé­cio e Alck­min fo­ra de com­ba­te e João Do­ria, neó­fi­to, mais à di­rei­ta e pou­co con­fiá­vel, ten­tan­do as­su­mir o vá­cuo. No par­ti­do, há uma tor­ci­da con­tra Do­ria (que pas­sou ve­xa­me com Bol­so­na­ro) e a fa­vor de Már­cio Fran­ça (PSB). Além de São Pau­lo, tu­ca­nos es­tão no se­gun­do tur­no no RS, MT, RO, RR e a joia da co­roa, Mi­nas.

Além de Alck­min le­var o tro­féu de pi­or de­sem­pe­nho da his­tó­ria do PSDB nas elei­ções, com me­nos de 5% dos vo­tos, a ban­ca­da da Câ­ma­ra foi qua­se di­zi­ma­da. Dos seis úl­ti­mos lí­de­res, só um, Car­los Sam­paio (SP), so­bre­vi­veu. Não vol­tam Antô­nio Im­bas­sahy (BA), que per­deu a re­e­lei­ção, e to­dos os que ten­ta­ram o Se­na­do: Bruno Araú­jo (PE), Ju­tahy Jr. (BA), Nil­son Lei­tão (MT) e Ri­car­do Tri­po­li (SP).

Tam­bém caí­ram tu­ca­nos de gran­de for­ça na ban­ca­da do par­ti­do e de re­le­vân­cia na pró­pria Câ­ma­ra, co­mo Luiz Car­los Hauly (PR), relator da re­for­ma tri­bu­tá­ria, Ro­gé­rio Ma­ri­nho (RN), da tra­ba­lhis­ta, Mar­cus Pes­ta­na (MG), vi­ce-pre­si­den­te da co­mis­são da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia, e Flo­ri­a­no Pe­sa­ro (SP), um dos prin­ci­pais es­pe­ci­a­lis­tas em pro­gra­mas so­ci­ais do Con­gres­so.

Se a ban­ca­da tu­ca­na de São Pau­lo caiu à me­ta­de, de 13 pa­ra seis, a do pró­prio par­ti­do des­pen­cou do ter­cei­ro pa­ra o no­no lu­gar da Câ­ma­ra. O PSDB dei­xa de ser um dos prin­ci­pais par­ti­dos pa­ra se em­bo­lar en­tre os mé­di­os – e sem su­as mais co­nhe­ci­das es­tre­las. No Se­na­do, Alui­zio Nu­nes Ferreira nem dis­pu­tou, Cás­sio Cu­nha Li­ma (PB), vi­ce-pre­si­den­te da Ca­sa, e Pau­lo Bau­er (SC) fi­ca­ram de fo­ra.

Na avaliação in­ter­na, es­sa de­vas­ta­ção é re­sul­ta­do de uma sequên­cia de fa­to­res e erros: Aé­cio Ne­ves en­ro­la­do até a al­ma na La­va Ja­to, a prisão do ex-pre­si­den­te da si­gla Eduardo Azeredo, o “ape­ti­te” de go­ver­na­do­res tu­ca­nos, a in­ca­pa­ci­da­de de per­ce­ber os re­ca­dos das ru­as des­de ju­nho de 2013, o des­dém pe­la for­ça das re­des so­ci­ais. Além, é cla­ro, do pró­prio pro­ces­so po­lí­ti­co.

O im­pe­a­ch­ment li­vrou Lula do pe­so Dil­ma e ti­rou a cri­se do co­lo do PT e jo­gou no de Mi­chel Te­mer. Lo­go, o im­pe­a­ch­ment ga­ran­tiu o PT no se­gun­do tur­no, ape­sar de tu­do, da prisão de Lula, das in­ves­ti­ga­ções, do men­sa­lão e do pe­tro­lão. Bas­ta com­pa­rar os ín­di­ces de Lula com Dil­ma no go­ver­no e com Dil­ma fo­ra do go­ver­no.

Cor­ren­do por fo­ra, Bol­so­na­ro vi­rou “o ca­ra”, en­quan­to o PSDB, co­mo sem­pre di­vi­di­do, ten­ta­va es­co­rar o go­ver­no Te­mer e ga­ran­tir as saí­das da cri­se econô­mi­ca. O ho­je fa­vo­ri­to pa­ra a Pre­si­dên­cia sim­ples­men­te não exis­tia an­tes do im­pe­a­ch­ment, que sal­vou o PT, e das gra­va­ções de Jo­es­ley Batista/Ro­dri­go Ja­not, que tru­ci­da­ram Te­mer e im­plo­di­ram o PSDB.

As­sim, a que­da de Dil­ma e a PGR de Ja­not de­fi­ni­ram, jun­to com as ru­as, o se­gun­do tur­no de ho­je en­tre o ca­pi­tão e o PT. E Bol­so­na­ro, se ven­cer, vai de­ver a vi­tó­ria a Ja­not, Jo­es­ley, o des­gas­te po­lí­ti­co e o es­go­ta­men­to da po­la­ri­za­ção PT ver­sus PSDB. Ago­ra, é se pre­pa­rar pa­ra a cri­se já con­tra­ta­da pa­ra 2019. A “Ban­ca­da da Sen­sa­tez” vai ter mui­to tra­ba­lho.

De­vas­ta­do, PSDB ten­ta reu­nir os ca­cos num blo­co con­tra a cri­se con­tra­ta­da pa­ra 2019

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