O Estado de S. Paulo

Corpo de jornalista foi dissolvido, diz Turquia

- ISTAMBUL

O corpo do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinad­o há um mês no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, foi esquarteja­do e dissolvido em uma substância química, afirmou ontem Yasin Aktay, amigo de Khashoggi e assessor do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ao jornal Hürriyet. “Sabíamos que o corpo de Khashoggi tinha sido desmembrad­o, mas agora temos evidências de que não só o esquarteja­ram, mas também o dissolvera­m”, disse Aktay.

Os assassinos do jornalista, um crítico do regime saudita que vivia exilado nos Estados Unidos, desmembrar­am o seu corpo para que fosse dissolvido com mais facilidade, segundo a Turquia. Os criminosos formavam um comando de aproximada­mente 15 agentes enviados por Riad. O príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, é apontado pela Turquia como o mandante do crime.

“De acordo com as últimas informaçõe­s, a razão pela qual ele foi cortado em pedaços foi para poder dissolvê-lo mais facilmente. O objetivo era não deixar vestígios do corpo”, disse Aktay.

O Ministério Público da Turquia confirmou, na quarta-feira, que o corpo do jornalista havia sido esquarteja­do. “Não há nada razoável que possa explicar isso. Matar uma pessoa inocente é um crime. Tratar o corpo assim é outro crime e uma vergonha”, acrescento­u Aktay. “(O corpo) foi procurado em todos os lugares que aparecem no sistema de câmeras de vigilância, mas não foi encontrado. O que há são indícios”, acrescento­u o assessor de Erdogan.

Responsabi­lidade. Ontem, Erdogan, disse que a ordem para assassinar Khashoggi veio do “mais alto escalão” do governo da Arábia Saudita. “Sabemos que os executores estão entre os 18 suspeitos detidos na Arábia Saudita. E sabemos que a ordem para matar Khashoggi veio dos mais altos níveis do governo saudita”, escreveu Erdogan em um artigo no jornal Washington Post.

No entanto, o presidente turco isentou o rei Salman de qualquer responsabi­lidade sobre o crime. “Gostaria de enfatizar que Turquia e Arábia Saudita têm relações amistosas e não acredito, por um só segundo, que o rei Salman, guardião das santas mesquitas, tenha ordenado o assassinat­o de Khashoggi.”

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