O Estado de S. Paulo

Família de Ghosn terá acesso a apartament­o no Rio.

Decisão judicial concede 24 horas para parentes recolherem bens pessoais do executivo em apartament­o que pertence à Nissan

- Fernando Scheller

Uma nova decisão da Justiça permitirá que a família do executivo Carlos Ghosn, expresiden­te do conselho da Nissan, possa entrar no apartament­o funcional que o executivo mantinha no Rio de Janeiro para recolher documentos e pertences pessoais. A disputa, relativa a um imóvel na Avenida Atlântica, em Copacabana, é um dos reflexos globais da prisão do executivo no último dia 19 de novembro, em Tóquio. Ghosn foi acusado formalment­e por autoridade­s japonesas nesta semana de deixar de declarar o equivalent­e a US$ 43 milhões de sua renda.

Segundo decisão proferida ontem pela 52.ª Vara Cível da Justiça do Rio de Janeiro, a família terá direito de entrar no apartament­o, por um prazo de 24 horas, para “retomar a posse dos seus bens, pertences e documentos pessoais”. Desde a prisão de Ghosn, membros de sua família tentavam entrar no apartament­o, sem sucesso. Tratase, no entanto, da segunda decisão judicial neste sentido – e a Nissan tem recorrido, inclusive em fins de semana, para reverter essa possibilid­ade.

Na decisão de ontem, a juíza Maria Cecília Pinto Gonçalves afirmou que não existe base legal para a companhia impedir a entrada de Ghosn – ou da filha Caroline, coautora do processo – no apartament­o. Um dos argumentos da montadora para impedir a entrada da família no imóvel seria a possibilid­ade de destruição de eventuais provas relativas à acusação feita no Japão contra o executivo.

Segundo apurou o Estado,o objetivo de pessoas ligadas ao executivo seria fazer a visita ao imóvel com a presença de funcionári­os da Justiça fluminense. Essa seria uma maneira de garantir a elaboração de um relatório sobre o que foi retirado do imóvel. Embora o empresário e seus filhos não morem mais no Brasil, a mãe e uma irmã de Ghosn vivem no Rio.

“Caso haja interesse dos órgãos de investigaç­ão, com a devida autorizaçã­o judicial, de identifica­r e apreender os cofres ou outros bens e documentos, com vistas à preservaçã­o de provas relevantes para uma imputação criminal efetiva, poderão fazê-lo oportuname­nte”, aponta a sentença de ontem. A decisão diz que o fim da relação contratual não obriga a devolução imediata do imóvel funcional.

Fama. Preso há 20 dias e agora formalment­e acusado, Carlos Ghosn, 64 anos, era até pouco tempo considerad­o uma espécie de herói no Japão. Apelidado de “cortador de custos” pela indústria automotiva, ele fechou cinco fábricas e cortou 21 mil funcionári­os para garantir que a Nissan se tornasse um negócio saudável novamente. O brasileiro chegou à francesa Renault em 1996 e promoveu uma fusão global da montadora coma rival japonesa, em 1999. O grupo incorporou a Mitsubishi há pouco mais de dois anos.

Procurada, a Nissan não quis se pronunciar. Representa­ntes da família Ghosn no País não foram encontrado­s.

 ?? RICARDO MORAES/REUTERS-10/12/2018 ?? Localizaçã­o. Apartament­o fica no 6º andar de um dos endereços mais conhecidos do Rio
RICARDO MORAES/REUTERS-10/12/2018 Localizaçã­o. Apartament­o fica no 6º andar de um dos endereços mais conhecidos do Rio

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil