MA­RA­NHÃO

São Luis por mui­tos anos foi ape­nas a rá­pi­da pas­sa­gem pa­ra os Len­çóis Ma­ra­nhen­ses. Com o tu­ris­mo de ex­pe­ri­ên­cia nas ci­da­des da re­gião me­tro­po­li­ta­na o tu­ris­ta tem mais de du­as de­ze­nas de ro­tei­ros pa­ra vi­ven­ci­ar as prá­ti­cas do tu­ris­mo sus­ten­tá­vel. Con­fi­ra u

Qual Viagem - - SUMÁRIO - Por Cláu­dio La­cer­da Oli­va

São Luis por mui­tos anos foi ape­nas a rá­pi­da pas­sa­gem pa­ra os Len­çóis Ma­ra­nhen­ses. Con­fi­ra uma no­va abor­da­gem do tu­ris­mo a par­tir da ca­pi­tal do Ma­ra­nhão.

OMa­ra­nhão tal­vez se­ja o es­ta­do bra­si­lei­ro que apre­sen­ta a mai­or di­ver­si­da­de de ecos­sis­te­mas do nor­des­te bra­si­lei­ro. Por mui­to tem­po, a ca­pi­tal foi ape­nas a por­ta de en­tra­da pa­ra os Len­çóis Ma­ra­nhen­ses. Os tu­ris­tas des­ci­am no ae­ro­por­to e em me­nos de du­as ho­ras já alu­ga­vam o car­ro, pe­ga­vam o trans­fer e se di­ri­gi­am ao mu­ni­cí­pio de Bar­rei­ri­nhas pa­ra ex­plo­rar o Rio Pre­gui­ças e su­as be­le­zas até che­gar à re­gião dos Len­çóis. Atu­al­men­te, es­se ce­ná­rio es­tá mu­dan­do bas­tan­te.

O atu­al go­ver­no do es­ta­do tem pro­cu­ra­do, atra­vés de ações pon­tu­ais da Se­cre­ta­ria de Cul­tu­ra e Tu­ris­mo e do Sebrae - Ma­ra­nhão, mos­trar que São Luis e as ou­tras ci­da­des que com­põem a re­gião me­tro­po­li­ta­na: Ra­po­sa, São Jo­sé de Ri­ba­mar e Pa­ço do Lu­mi­ar - es­sa úl­ti­ma com pou­ca vocação tu­rís­ti­ca - mais Al­cân­ta­ra, têm mui­to a ofe­re­cer em ter­mos de pas­sei­os e atra­ções na­tu­rais, his­tó­ri­cas e cul­tu­rais.

Co­mo se diz, a al­ter­nân­cia de po­der faz mui­to bem em qual­quer es­tá­gio de ad­mi­nis­tra­ção, pú­bli­co ou pri­va­da. A pri­mei­ra vez que es­ti­ve em São Luis, fi­quei apai­xo­na­do pe­la gas­tro­no­mia, his­tó­ria, cul­tu­ra e be­le­za das prai­as, dos ri­os e dos ma­jes­to­sos man­gues. Não en­ten­dia por­que gran­de par­te das prai­as eram im­pró­pri­as ao ba­nho. Vol­tan­do após 16 anos, mi­nha pai­xão fi­cou ain­da mai­or. As prai­as da or­la es­tão to­tal­men­te sa­ne­a­das e a ci­da­de ofe­re­ce ho­téis mo­der­nos, óti­mos res­tau­ran­tes e um tra­ba­lho in­ten­so pa­ra va­lo­ri­zar o tu­ris­mo sus­ten­tá­vel, tem pro­por­ci­o­na­do avan­ços gran­di­o­sos.

Nos­sa pri­mei­ra ex­pe­ri­ên­cia de ro­tei­ro foi re­a­li­zar um pas­seio náu­ti­co na praia de Ra­po­sa, on­de con­fe­ri­mos o cul­ti­vo do ma­ris­co, além de con­vi­ver com a exu­be­rân­cia do mai­or man­gue­zal do pla­ne­ta, ter­mi­nan­do nos­so pas­seio nas cha­ma­das “Fro­nhas Ma­ra­nhen­ses”, con­si­de­ra­da um pe­que­no exemplar dos Len­çóis, em ple­na re­gião me­tro­po­li­ta­na de São Luis. A praia de Aca­ri foi on­de apor­ta­mos. Ela é pra­ti­ca­men­te de­ser­ta, tem enor­mes du­nas, o ba­nho de mar é quen­ti­nho e a ba­se da eco­no­mia lo­cal é a pes­ca ar­te­sa­nal do ca­ma­rão. A ci­da­de de Ra­po­sa fi­ca na par­te li­to­râ­nea da Ilha de São Luis, a me­nos de 30 km do cen­tro his­tó­ri­co. 70% da área do mu­ni­cí­pio é for­ma­da por enor­mes man­gue­zais. Ne­les, aves do Alas­ca e do Ca­na­dá fo­gem do ri­go­ro­so in­ver­no e vem se re­pro­du­zir e se ali­men­tar de su­ru­ru, sar­nam­bi e vá­ri­as es­pé­ci­es de ca­ran­gue­jos. Ra­po­sa é uma das mais an­ti­gas vi­las de pes­ca­do­res do es­ta­do. Gran­de par­te da po­pu­la­ção ain­da re­si­de em pa­la­fi­tas e as mu­lhe­res aju­dam na ren­da da fa­mí­lia cul­ti­van­do a ar­te do ar­te­sa­na­to de ren­das de bil­ro, tra­di­ção tra­zi­da dos Aço­res. O Cor­re­dor de Ren­das é uma rua com mais de 20 lo­ji­nhas que co­mer­ci­a­li­zam pro­du­tos ex­clu­si­vos des­sa ar­te milenar. De­pois de pas­se­ar de bar­co, com­prar as ren­das e ex­pe­ri­men­tar o ma­ris­co fres­qui­nho, nu­ma fa­zen­da lo­cal co­or­de­na­da pe­lo Sr Ju­vên­cio, che­gou a hora do al­mo­ço. Mi­nha di­ca é o Res­tau­ran­te Na­tu­re­za. Lá ex­pe­ri­men­ta­mos o ar­roz de cu­xá e pra­tos a ba­se de pei­xes, além do de­li­ci­o­so va­ta­pá ma­ra­nhen­se.

UM POU­CO DA HIS­TÓ­RIA

Fun­da­da pe­los fran­ce­ses em 1612, en­tre os ri­os Anil e Ba­can­ga, co­mo pro­je­to do go­ver­no fran­cês em es­ta­be­le­cer nas Amé­ri­cas a Fran­ça Equi­no­ci­al, São Luís ho­me­na­geia ao mes­mo tem­po o rei fran­cês à épo­ca da fun­da­ção, Luís XIII, e o pa­tro­no da Fran­ça, o rei me­di­e­val Luís IX. Foi lo­go to­ma­da pe­los por­tu­gue­ses em 1615. Tam­bém to­ma­da no sé­cu­lo XVII pe­los ho­lan­de­ses, foi no­va­men­te in­va­di­da e re­con­quis­ta­da em de­fi­ni­ti­vo pe­los por­tu­gue­ses em 1645, mar­can­do a épo­ca da ocu­pa­ção na re­gião nor­te, até en­tão ig­no­ra­da pe­la Co­roa Por­tu­gue­sa.

Pa­ra os tu­pi­nam­bás, prin­ci­pal po­vo in­dí­ge­na lo­cal, a re­gião se cha­ma­va Upa­on Açu (“Ilha Gran­de”). Es­ta abri­ga­va cer­ca de 30 et­ni­as in­dí­ge­nas no sé­cu­lo XVII, to­ta­li­zan­do cer­ca de 250 mil pes­so­as. A mai­o­ria dos po­vos de­sa­pa­re­ceu em ra­zão da es­cra­vi­dão, das do­en­ças, da apro­pri­a­ção de su­as ter­ras e da im­po­si­ção cul­tu­ral eu­ro­peia que des­truiu as ba­ses cul­tu­rais des­ses po­vos. Ho­je são 35 mil in­dí­ge­nas no Ma­ra­nhão, de 8 et­ni­as e mais 3 em pro­ces­so de afir­ma­ção cul­tu­ral, lu­tan­do pa­ra que sua his­tó­ria, sua lín­gua e seus cos­tu­mes não se per­cam.

A es­cra­vi­dão de po­vos afri­ca­nos se deu com mais in­ten­si­da­de no fi­nal do sé­cu­lo XVIII, con­si­de­ra­da tar- dia em re­la­ção ao res­tan­te do Bra­sil. Vi­nham prin­ci­pal­men­te de Cos­ta do Mar­fim (os “mi­na”), An­go­la e Gui­né-bis­sau, pa­ra tra­ba­lha­rem nas la­vou­ras de ar­roz e al­go­dão. A en­tra­da de es­cra­vi­za­dos afri­ca­nos foi tão ex­pres­si­va que, no iní­cio do sé­cu­lo XIX, a po­pu­la­ção ne­gra já re­pre­sen­ta­va 55% dos mo­ra­do­res do Ma­ra­nhão. Com a ocu­pa­ção ex­tre­ma­men­te ra­re­fei­ta, a fu­ga dos es­cra­vi­za­dos con­tri­buiu pa­ra a for­ma­ção de di­ver­sos qui­lom­bos, que se es­ta­be­le­ce­ram ao re­dor da mai­o­ria das fa­zen­das do es­ta­do. Mui­tos gru­pos re­ma­nes­cen­tes des­ses qui­lom­bo­las rei­vin­di­cam su­as ter­ras ori­gi­nais co­mo ma­nei­ra de pre­ser­var seus cos­tu­mes e tra­di­ções. Va­le vi­si­tar em Al­cân­ta­ra a co­mu­ni­da­de de Ita­ma­ta­tiua e con­fe­rir o tra­ba­lho ar­te­sa­nal das ce­ra­mis­tas lo­cais. A mis­tu­ra de po­vos é a res­pon­sá­vel pe­la ri­que­za das ma­ni­fes­ta­ções cul­tu­rais ma­ra­nhen­ses, co­mo o bum­ba-meu-boi, o tam­bor de cri­ou­la, o ca­cu­riá (dan­ça pre­sen­te nos fes­te­jos do Di­vi­no Es­pí­ri­to San­to) e as tra­di­ci­o­nais fes­tas ju­ni­nas, pa­trimô­ni­os ima­te­ri­ais bra­si­lei­ros.

SÃO JO­SÉ DE RI­BA­MAR O SAN­TO MA­RA­NHEN­SE

São Jo­sé de Ri­ba­mar é bu­có­li­ca e tran­qui­la. Fi­ca a 32 quilô­me­tros de São Luís e tem vá­ri­os atra­ti­vos, co­mo: prai­as, co­mi­das de­li­ci­o­sas à ba­se de fru­tos do mar (des­ta­que pa­ra o tra­di­ci­o­nal pei­xe-pe­dra fri­to) e histórias que ex­plo­ram a fi­gu­ra do san­to pa­dro­ei­ro - São Jo­sé. Se­gun­do a len­da, a igre­ja da ci­da­de te­ria de­sa­ba­do du­as ve­zes até ser cons­truí­da de fren­te pa­ra o mar, co­mo era o de­se­jo do San­to. Em se­tem­bro, uma gran­de fes­ta em ho­me­na­gem ao pa­dro­ei­ro acon­te­ce no pe­río­do da lua cheia, atrain­do mi­lha­res de fiéis à ci­da­de.

O Mu­seu dos Ex-vo­tos gu­ar­da ob­je­tos pa­gos em pro­mes­sa. A Gru­ta de Lour­des é uma réplica da gru­ta exis­ten­te na Fran­ça; foi cons­truí­da em 1957. As Prai­as do Caú­ra, Pa­na­qua­ti­ra e Boa Vi­a­gem são de­ser­tas e com be­las pai­sa­gens na­tu­rais. Boa pa­ra ba­nhos e prá­ti­ca de es­por­te.

O Car­na­val do Lava-pra­tos acon­te­ce quan­do o car­na­val ter­mi­na em to­do o Bra­sil, e co­me­ça em São Jo­sé de Ri­ba­mar. O tra­di­ci­o­nal even­to ocor­re no do­min­go se­guin­te ao ao da fo­lia ofi­ci­al. Agre­mi­a­ções car­na­va­les­cas e mi­lha­res de fo­liões in­va­dem a pe­que­na ci­da­de bal­neá­ria e tu­do vi­ra uma gran­de fes­ta.

SÃO LUÍS. VA­RI­E­DA­DE DE ATRA­ÇÕES

Pas­se­ar no Cen­tro His­tó­ri­co de São Luís e co­nhe­cer a his­tó­ria de ca­da be­co e dos mui­tos ca­sa­rões an­ti­gos é uma ex­pe­ri­ên­cia en­can­ta­do­ra. Além de pro­pi­ci­ar uma vi­a­gem no tem­po, o pas­seio nos traz a cer­te­za da be­le­za e do char­me dos mais de 4 mil ca­sa­rões, dis­tri­buí­dos por mais de 220 hec­ta­res, tom­ba­dos co­mo Pa­trimô­nio Mun­di­al da Hu­ma­ni­da­de pe­la Unesco des­de 1997. Os ca­sa­rões se­cu­la­res, em sua mai­o­ria, re­ves­ti­dos de azu­le­jos por­tu­gue­ses pin­ta­dos à mão, com­põem um dos mais im­por­tan­tes con­jun­tos ar­qui­tetô­ni­cos da Amé­ri­ca La­ti­na.

For­ma­do pe­los bair­ros da Praia Gran­de e Des­ter­ro, a re­gião con­cen­tra ho­je mu­seus, cen­tros de cul­tu­ra, te­a­tros, ci­ne­ma, ba­res, res­tau­ran­tes, fei­ras e uma in­fi­ni­da­de de lo­jas de ar­te­sa­na­to. Es­tão ali tam­bém pra­ças, be­cos, fon­tes, es­ca­da­ri­as, la­dei­ras e al­gu­mas das mais be­las ru­as da par­te his­tó­ri­ca da ci­da­de, co­mo as Ru­as Por­tu­gal e do Giz e o Lar­go do Co­mér­cio.

O Palácio dos Leões, se­de do go­ver­no es­ta­du­al, a Ca­te­dral da Sé, os pa­lá­ci­os Epis­co­pal, La Ra­var­dié­re e Cris­to Rei, o Te­a­tro Arthur Aze­ve­do, en­tre mui­tos ou­tros, são um pra­to cheio pa­ra quem ado­ra se per­der na his­tó­ria dos anos de ou­ro. Cons­truí­dos pe­los se­nho­res que co­man­da­vam a pro­du­ção de al­go­dão na re­gião, os so­la­res

e so­bra­dos re­pre­sen­tam o apo­geu econô­mi­co da ci­da­de.

Nes­te be­lís­si­mo ce­ná­rio, a cu­li­ná­ria tam­bém é atra­ção. Não tem co­mo não se dei­xar se­du­zir pe­los sa­bo­res re­gi­o­nais do imperdível ar­roz de cu­xá, da caldeirada de ca­ma­rão e fru­tos do mar, dos su­cos de ba­cu­ri e cu­pu­a­çu, além do tra­di­ci­o­nal do­ce de bu­ri­ti. Fo­ram tan­tos os tem­pe­ros e in­fluên­ci­as de eu­ro­peus, ín­di­os, afri­ca­nos e ou­tros po­vos, que a cu­li­ná­ria ma­ra­nhen­se só po­de­ria dar no que deu: uma con­jun­ção exu­be­ran­te, ini­gua­lá­vel de sa­bo­res e re­cei­tas. Na hora de co­mer con­fi­ra o Buf­fet do Res­tau­ran­te do Se­nac, com­ple­to com so­bre­me­sas sai a R$ 59,90 por pes­soa, e afir­mo ser um dos mais sa­bo­ro­sos da ci­da­de. Quem pre­fe­rir va­ri­ar po­de ex­pe­ri­men­tar o so­fis­ti­ca­do Res­tau­ran­te Sa­bi­na, o ate­liê gas­tronô­mi­co da Ca­sa de Ju­ja ou os dois con­sa­gra­dos res­tau­ran­tes da or­la, o Fei­jão de Cor­da e Ca­ba­na do Sol.

A área do Cen­tro His­tó­ri­co é fe­cha­da pa­ra o trân­si­to de veí­cu­los. A Praia Gran­de é per­fei­ta pa­ra pas­sei­os a pé. Use tê­nis e sa­pa­tos bai­xos. O pi­so das ru­as são de pa­ra­le­le­pí­pe­dos. Re­co­men­da-se usar rou­pas le­ves, pro­te­tor so­lar e es­tar sem­pre hi­dra­ta­do.

O ro­tei­ro po­de co­me­çar pe­lo Palácio dos Leões. Com três mil me­tros qua­dra­dos de área cons­truí- da, com o pri­mor da ar­qui­te­tu­ra ne­o­clás­si­ca fi­ca em fren­te à Baía de São Mar­cos e ser­ve de re­si­dên­cia ofi­ci­al e se­de do Go­ver­no do Ma­ra­nhão. Tem es­se no­me de­vi­do aos leões de bron­ze que guar­dam su­as en­tra­das. Er­gui­do so­bre o que um dia foi o For­te de São Luís, ga­nhou for­ma de palácio em 1776, quan­do o Go­ver­na­dor Jo­a­quim de Mel­lo e Po­vo­as re­mo­de­lou a cons­tru­ção com ma­te­ri­ais apro­vei­ta­dos da ex­tin­ta ca­sa dos je­suí­tas em Al­cân­ta­ra. Com­ple­ta­men­te res­tau­ra­do, me­re­ce uma vi­si­ta.

A Rua Por­tu­gal é uma das prin­ci­pais ru­as do Cen­tro His­tó­ri­co de São Luís, on­de se con­cen­tra­vam os es­ta­be­le­ci­men­tos co­mer­ci­ais mais im­por­tan­tes da épo­ca de sua cons­tru­ção. Ain­da ho­je man­tém su­as raí­zes, pois pos­sui di­ver­sas lo­jas e co­mér­cio ati­vo. É um po­lo on­de se en­con­tram o Mu­seu de Ar­tes Vi­su­ais e a Ca­sa de Nho­zi­nho (Mu­seu que ho­me­na­geia o ar­te­são ma­ra­nhen­se Antô­nio Bru­no Pin­to No­guei­ra que, ao lon­go da vi­da, con­fec­ci­o­nou brin­que­dos e fi­gu­ras do fol­clo­re em bu­ri­ti).

Es­qui­na com a Rua Por­tu­gal, a Rua do Tra­pi­che é a Morada das Ar­tes, lo­cal de mo­ra­dia de di­ver­sos ar­tis­tas que abrem as por­tas pa­ra a vi­si­ta­ção de su­as obras.

O Lar­go do Co­mér­cio é tí­pi­co de uma ci­da­de co­lo­ni­al. Mui­to da his­tó­ria lu­do­vi­cen­se acon­te­ceu aqui.

Du­ran­te os sé­cu­los XVIII e XIX, es­te lo­gra­dou­ro da Praia Gran­de era uti­li­za­do pa­ra o co­mér­cio e ho­je abri­ga ba­res, res­tau­ran­tes, lo­jas e qui­os­ques tu­rís­ti­cos.já o Mu­seu de Ar­te Sa­cra es­tá si­tu­a­do num so­lar com fa­cha­da de azu­le­jos, on­de re­si­diu o Ba­rão de Gra­jaú. Seu acer­vo per­ten­ce à Ar­qui­di­o­ce­se de São Luís, é com­pos­to por pe­ças dos sé­cu­los 18 e 19 em es­ti­los ro­co­có e ne­o­clás­si­co.

Com uma es­ca­da­ria de 35 de­graus, o Be­co Ca­ta­ri­na Mi­na tem pedras de li­oz, da­ta­das do sé­cu­lo XVII. Tem es­se no­me em ho­me­na­gem à Ca­ta­ri­na Ro­sa Pe­rei­ra de Je­sus, uma be­la mu­lher da re­gião da Cos­ta da Mi­na, na Áfri­ca, de on­de vi­e­ram par­te dos gru­pos es­cra­vi­za­dos pa­ra o Ma­ra­nhão. Man­ti­nha uma lo­ja no lo­cal e fez for­tu­na gra­ças ao seu tra­ba­lho. Com­prou sua al­for­ria e de vá­ri­os ami­gos, e trans­for­mou-se em se­nho­ra de es­cra­vos, pas­san­do a ser vista pe­la ci­da­de se­gui­da por um cor­te­jo de mu­lhe­res ca­pri­cho­sa­men­te ves­ti­das.

Va­le ain­da vi­si­tar o bair­ro de Ma­ra­ca­nã e vi­ven­ci­ar a ro­ta da Ju­ça­ra e vi­si­tar o bar­ra­cão do Boi lo­cal. Ou­tra di­ca in­te­res­san­te é se aven­tu­rar no pas­seio de bar­co pe­la Bahia de São Mar­cos (ope­ra­do pe­la Brit­tur Tu­ris­mo) e vi­si­tar o es­pe­ta­cu­lar Es­ta­lei­ro Es­co­la. An­tes de con­cluir vi­si­te o Si­tio Pi­ra­nhen­ga pa­ra re­lem­brar a épo­ca du­ra e so­frí­vel da es­cra­vi­dão.

Além do Cen­tro His­tó­ri­co re­ple­to de ca­sa­rões e cal- ma­ria, as prai­as de São Luis são um es­pe­tá­cu­lo à par­te. O Ma­ra­nhão pos­sui um li­to­ral com cer­ca de 640 km de ex­ten­são, o que o tor­na o se­gun­do mai­or do Bra­sil, ou se­ja, tu­do cons­pi­ra pa­ra uma das me­lho­res ex­pe­ri­ên­ci­as de sol e praia. A mai­o­ria de­las tem lar­ga fai­xa de areia, man­gues, du­nas, ve­ge­ta­ção ras­tei­ra e or­las ur­ba­ni­za­das. São de­ze­nas de op­ções de ba­res e qui­os­ques. As águas da ilha são pro­pí­ci­as aos es­por­tes náu­ti­cos co­mo sur­fe, ki­te­surf, wind­surf e vo­os de ul­tra­le­ve. As mais vi­si­ta­das são: Praia da Guia, Praia da Pon­ta ,Praia de São Mar­cos (Mar­ce­la) Praia do Ca­lhau, Praia do Ca­o­lho a Praia do Olho D´água – Praia tra­di­ci­o­nal e uma das mais bo­ni­tas de São Luís fi­ca a 10 Km do cen­tro, pos­sui fai­xa lar­ga de areia bran­ca e fi­na e du­nas que che­gam a atin­gir mais de 10 me­tros de al­tu­ra, mor­ros e fa­lé­si­as e a Praia do Meio com arei­as ama­re­la­das e ba­ti­das, on­das for­tes no ve­rão, quan­do a água fi­ca mais cla­ra. Pro­pí­cia pa­ra prá­ti­ca de wind­surf e vo­os de ul­tra­le­ve.

HIS­TÓ­RIA, PRAI­AS, REVOADAS DE GU­A­RÁS E PA­TRIMÔ­NIO EM AL­CÂN­TA­RA

Al­cân­ta­ra foi a pri­mei­ra ci­da­de ma­ra­nhen­se tom­ba­da pe­lo Ins­ti­tu­to do Pa­trimô­nio His­tó­ri­co e Ar­tís­ti­co Na­ci­o­nal, em 1948, co­mo ci­da­de-mo­nu­men­to. Cer­ca­da por prai­as e ilhas de­ser­tas, a se­re­na e tran­qui­la, Al­cân­ta­ra po­de se or­gu­lhar de ser tam­bém a mais im­por­tan­te ci­da­de his­tó­ri­ca da Amazô­nia. Seu ca­sa­rio co­lo­ni­al pre­ser­va­do e im­po­nen­te e o si­lên­cio de su­as ruí­nas guar­dam re­mi­nis­cên­ci­as de um pas­sa­do glo­ri­o­so, um tem­po de ri­que­za, de fa­mí­li­as no­bres e nu­me­ro­sa po­pu­la­ção es­cra­va. Os atra­ti­vos co­me­çam lo­go na des­ci­da do bar­co, no Porto do Ja­ca­ré e su­bin­do a la­dei­ra de mes­mo no­me, que con­duz ao co­ra­ção da ci­da­de: o lar­go on­de se en­con­tram as ruí­nas da Igre­ja da Ma­triz, a an­ti­ga ca­deia e o pelourinho, íco­nes má­xi­mos das so­ci­e­da­des co­lo­ni­ais e es­cra­va­gis­tas bra­si­lei­ras, as igre­jas co­lo­ni­ais, fon­tes e os mu­seus.

To­do o cen­tro an­ti­go po­de ser vi­si­ta­do a pé. Tão im­por­tan­te quan­to apre­ci­ar os mo­nu­men­tos é ou­vir dos mo­ra­do­res ou gui­as tu­rís­ti­cos lo­cais as histórias que tor­nam Al­cân­ta­ra ain­da mais en­can­ta­do­ra.

Por to­do o cen­tro his­tó­ri­co da ci­da­de o cal­ça­men­to é de pe­dra e al­gu­mas la­dei­ras, co­mo a do Ja­ca­ré, exi­gem fô­le­go. Além dis­so, o sol e o ca­lor nor­mal­men­te são in­ten­sos, o que su­ge­re o uso de pro­te­tor so­lar, ócu­los es­cu­ros, tê­nis e rou­pas le­ves.

Che­gar à Pra­ça da Ma­triz de Al­cân­ta­ra sig­ni­fi­ca aden­trar ao co­ra­ção da ci­da­de. Mui­to mais que sua ar­qui­te­tu­ra di­fe­ren­ci­a­da, a pra­ça, cer­ca­da por ele­gan­tes cons­tru­ções co­lo­ni­ais, re­pre­sen­ta o lo­cal dos acon­te­ci­men­tos so­ci­ais da ci­da­de, al­go co­mo a Pla­za Mayor das ci­da­des his­pâ­ni­cas. Nes­se es­pa­ço, on­de ain­da ho­je po­de ser vis­to o pelourinho uti­li­za­do nos tem­pos da es­cra­vi­dão, se con­cen­tram ati­vi­da­des vi­tais e re­pre­sen­ta­ti­vas do sis­te­ma de­mo­crá­ti­co al­can­ta­ren­se co­mo a Pre­fei­tu­ra e Câ­ma­ra dos Ve­re­a­do­res, Car­tó­rio, Mu­seus e Fó­rum Mu­ni­ci­pal.

Ou­tro lo­cal in­te­res­san­te é a Ca­sa do Di­vi­no que é abri­ga­da num Ca­sa­rão em es­ti­lo co­lo­ni­al com bal­cões de sa­ca­da de fer­ro, por­tais emol­du­ra­dos com pe­dra de li­oz e azu­le­jos. O lo­cal, tam­bém cha­ma­do de mu­seu, é re­ser­va­do pa­ra a gu­ar­da de ob­je­tos li­ga­dos ao Di­vi­no Es­pí­ri­to San­to, a tra­di­ci­o­nal e mais im­por­tan­te fes­ta re­li­gi­o­sa da ci­da­de. Ves­ti­men­tas, ins­tru­men­tos, es­tan­dar­tes, al­tar e joi­as es­tão ex­pos­tos pa­ra apre­ci­a­ção dos visitantes.

A Ca­sa de Câ­ma­ra e ca­deia de­ve da­tar do fi­nal do sé­cu­lo XVIII. Atu­al Pre­fei­tu­ra Mu­ni­ci­pal e Câ­ma­ra de Ve­re­a­do­res de Al­cân­ta­ra, che­gou a abri­gar a Pe­ni­ten­ciá­ria Es­ta­du­al até me­a­dos do sé­cu­lo XX. Uma das cons­tru­ções mais sur­pre­en­den­tes da ci­da­de, en­con­tra-se iso-

la­da, com me­re­ci­do des­ta­que, no con­jun­to da Pra­ça Ma­triz. Abri­gan­do an­ti­gas ce­las no seu an­dar in­fe­ri­or e uma das mais be­las vis­tas da Ilha do Li­vra­men­to.

Par­te da his­tó­ria de Al­cân­ta­ra fi­ca no Mu­seu His­tó­ri­co e Ar­tís­ti­co. Ne­le são re­tra­ta­dos o mo­do de vi­da dos seus mo­ra­do­res e da re­li­gi­o­si­da­de da sua gen­te. Es­se mu­seu ilus­tra a opu­lên­cia da ci­da­de quan­do es­ta era ha­bi­ta­da por ba­rões. Ins­ta­la­do em um ca­sa­rão co­lo­ni­al do sé­cu­lo XIX, re­ves­ti­do de azu­le­jos por­tu­gue­ses na fa­cha­da, o Mu­seu de Al­cân­tra tem um acer­vo pre­ci­o­so. São pin­tu­ras, pe­ças de mo­bi­liá­rio, lou­ças, ob­je­tos de ador­no e de ar­te sa­cra com exem­pla­res de san­tos ma­ra­nhen­ses dos sé­cu­los XVII ao XIX, além de vi­tri­nes que ex­põem fi­nas joi­as do te­sou­ro de ir­man­da­des re­li­gi­o­sas lo­cais.

IGRE­JAS CO­LO­NI­AIS DOS SÉ­CU­LOS XVIII E XIX

Em Al­cân­ta­ra, os tem­plos ca­tó­li­cos do pe­río­do co­lo­ni­al for­mam um ca­pí­tu­lo à par­te. A co­me­çar pe­la Igre­ja de São Ma­ti­as, do séc XIX, que não re­sis­tiu à pas­sa­gem do tem­po e de­sa­bou qua­se que to­tal­men­te, em­bo­ra su­as ruí­nas per­ma­ne­çam de pé, for­man­do, jun­to ao pelourinho e ca­sa­rões que a cir­cun­dam, um in­co­mum e be­lo cartão-pos­tal. De­pois de pas­sar por obras de res­tau­ra­ção, a igre­ja e o con­ven­to de Nos­sa Se­nho­ra do Car­mo, cons­truí­da a par­tir de 1660, se des­ta­ca com seus be­los pai­néis de azu­le­jos, es­cul­tu­ras e al­ta­res.

A Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra do Ro­sá­rio dos Pre­tos me­re­ce ser vi­si­ta­da. Tam­bém co­nhe­ci­da co­mo Igre­ja do Ga­lo, foi cons­truí­da em 1780 e ben­zi­da em 1803 quan­do re­ce­beu a ima­gem da san­ta e de São Be­ne­di­to, pa­dro­ei­ro do po­vo ne­gro. No mês de agos­to, acon­te­ce uma das mais im­por­tan­tes fes­tas re­li­gi­o­sas e cul­tu­rais do mu­ni­cí­pio, a Fes­ta de São Be­ne­di­to. Uma cu­ri­o­si­da­de: sen­do os ne­gros proi­bi­dos ou de­sen­co­ra­ja­dos a fre­quen­ta­rem as prin­ci­pais igre­jas da ci­da­de, eram eles obri­ga­dos a pro­fes­sa­rem sua fé na Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra do Ro­sá­rio. Prá­ti­ca que, na­tu­ral­men­te, não exis­tia ape­nas em Al­cân­ta­ra.

A Fon­te das Pedras foi cons­truí­da no sé­cu­lo XVIII pa­ra abas­te­ci­men­to de água. Lo­ca­li­za-se na Rua Pe­que­na, e, na sim­pli­ci­da­de de seu es­ti­lo, po­de-se no­tar a be­le­za de su­as li­nhas. Em Al­cân­ta­ra va­le a pe­na vi­si­tar a praia de Ma­mu­na, pra­ti­car as revoadas de gu­a­rás a par­tir da Ilha do Li­vra­men­to e con­cluir a vi­si­ta nu­ma das colô­ni­as qui­lom­bo­las, co­mo a de Ita­ma­ta­tiua. Ex­pe­ri­men­te ir ao Ma­ra­nhão e apor­tar em São Luis. Afir­mo que 10 di­as é pou­co pra ex­plo­rar tu­do que a re­gião me­tro­po­li­ta­na ofe­re­ce.

Apre­sen­ta­ção das cri­an­ças na co­mu­ni­da­de qui­lom­bo­la de Ita­ma­ta­tiua Ar­te­sa­na­to em ar­gi­la. Tra­di­ção qua­se cen­te­ná­ria

Pra­ça ma­triz de São Jo­sé do Ri­ba­mar

O con­jun­to ar­qui­tetô­ni­co de São Luís reú­ne no cen­tro his­tó­ri­co, ca­sas com azu­le­jos por­tu­gue­ses.

O Palácio dos Leões , se­de do go­ver­no gu­ar­da re­lí­qui­as his­tó­ri­cas em seu in­te­ri­or O tra­di­ci­o­nal Boi Ma­ra­ca­nã

A de­ser­ta e pre­ser­va­da praia de Ma­mu­na é uma das mais be­la do li­to­ral de Al­cân­ta­ra

Na pra­ça cen­tral des­ta­que pa­ra o Pelourinho. Lo­cal on­de eram cas­ti­ga­das pes­so­as que se opu­nham as leis.

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