CA­PA

Qual Viagem - - SUMÁRIO - Por Patrícia Che­min

Não é exa­ge­ro di­zer que Por­to de Ga­li­nhas é um dos lu­ga­res mais pa­ra­di­sía­cos do Bra­sil. Ao se de­pa­rar com aque­le mar cristalino, as prai­as deslumbrantes, as pis­ci­nas na­tu­rais a per­der de vis­ta e ou­tras tan­tas be­le­zas, vo­cê sim­ples­men­te não vai mais que­rer vol­tar pa­ra ca­sa. Pa­ra dei­xar tu­do ain­da mais per­fei­to, o des­ti­no reú­ne uma sa­bo­ro­sa gas­tro­no­mia com far­ta ofer­ta de fru­tos do mar, uma vi­la ani­ma­da, pas­sei­os bem or­ga­ni­za­dos, op­ções de hos­pe­da­gem pa­ra to­dos os bol­sos e cli­ma de ve­rão o ano in­tei­ro.

An­tes uma pa­ca­ta vi­la de pes­ca­do­res, Por­to de Ga­li­nhas co­me­çou a ga­nhar po­pu­la­ri­da­de na­ci­o­nal e in­ter­na­ci­o­nal há cer­ca de 30 anos. Su­as pai­sa­gens na­tu­rais de ti­rar o fôlego en­can­tam to­dos aque­les que de­ci­dem vi­si­tar es­se pe­da­ci­nho do Nor­des­te. Com um no­me mais co­nhe­ci­do do que o do pró­prio mu­ni­cí­pio do qual faz par­te, Por­to de Ga­li­nhas fi­ca em Ipo­ju­ca, li­to­ral sul de Per­nam­bu­co, a ape­nas 50 mi­nu­tos de car­ro de Re­ci­fe.

Ape­sar de ter fi­ca­do tão fa­mo­so em tão pou­co tem­po, o des­ti­no con­se­guiu man­ter sua es­sên­cia. Não é do­mi­na­do por gran­des re­des de ho­téis ou de res­tau­ran­tes. Os em­pre­en­di­men­tos são mui­to au­tên­ti­cos e chei­os de per­so­na­li­da­de. Dos pas­sei­os às lo­jas da vi­la, qua­se tu­do é to­ca­do pe­los pró­pri­os re­si­den­tes – pes­so­as que de­ci­di­ram abra­çar o des­ti­no e se es­for­çam pa­ra man­tê-lo em óti­mas con­di­ções pa­ra os tu­ris­tas.

Por­to de Ga­li­nhas vai além das prai­as e cha­ma a aten­ção por ser um lo­cal mui­to se­gu­ro, limpo e or­ga­ni­za­do. Ou­tra van­ta­gem é a ofer­ta ho­te­lei­ra: são qua­se 20 ho­téis de três a cin­co es­tre­las, al­guns dos me­lho­res re­sorts do país e mais de 200 pou­sa­das. Há ain­da hos­tels, pa­ra qu­em não quer gas­tar mui­to com hos­pe­da­gem.

Quan­to aos pas­sei­os, não faltam op­ções em Por­to de Ga­li­nhas. Um ro­tei­ro com­ple­to pe­la re­gião po­de ser fei­to em tor­no de uma se­ma­na. A al­ta tem­po­ra­da vai de de­zem­bro a mar­ço. Po­rém, com sol e ca­lor o ano in­tei­ro, dá pa­ra vi­si­tar o des­ti­no em qual­quer épo­ca.

JANGADAS E PIS­CI­NAS NA­TU­RAIS

De pon­ta a pon­ta, Por­to de Ga­li­nhas com­pre­en­de 18 km de prai­as de areia bran­qui­nha, mas ca­da uma tem um per­fil di­fe­ren­te. A Praia da Vi­la de Por­to de Ga­li­nhas, que é a das pis­ci­nas na­tu­rais, sem dú­vi­da é a mais fa­mo­sa. Ne­nhum lu­gar do país tem um ce­ná­rio se­me­lhan­te tão per­to da or­la.

O mar cristalino va­ria en­tre os tons de azul tur­que­sa e es­ver­de­a­do e ga­nha ain­da um co­lo­ri­do a mais com as ve­las de de­ze­nas de jangadas. A água é sem­pre bem mor­na, em tor­no dos 26°C. En­tre os re­ci­fes de co­rais, que se es­ten­dem por mais de 1 km, for­mam­se inú­me­ras pis­ci­nas de to­dos os ta­ma­nhos. Das mai­o­res, on­de é pos­sí­vel na­dar, até pe­que­nas po­ças.

Mes­mo nes­sas me­no­res, a vi­da ma­ri­nha é abun­dan­te: apa­re­cem pei­xes de to­das as co­res, ca­ran­gue­jos, ou­ri­ços e até mo­rei­as. De no­vem­bro a abril, as águas fi­cam ain­da mais cris­ta­li­nas, mas o ce­ná­rio é in­crí­vel mes­mo nos ou­tros pe­río­dos do ano.

De jan­ga­da, le­va me­nos de cin­co mi­nu­tos pa­ra che­gar às pis­ci­nas na­tu­rais. O pas­seio é or­ga­ni­za­do pe­la As­so­ci­a­ção dos Jan­ga­dei­ros de Por­to de Ga­li­nhas, que ven­de os tic­kets na pra­ça em fren­te à praia pe­lo va­lor de R$ 25 por pes­soa. Du­ra cer­ca de 45 mi­nu­tos e acon­te­ce du­ran­te o ano to­do, mas ape­nas na ma­ré bai­xa – e quan­to mais bai­xa, me­lhor o vi­su­al. Pa­ra sa­ber o ho­rá­rio exa­to em que ela vai ocor­rer, não dei­xe de che­car an­tes a tá­bua da ma­ré.

Ao sair da jan­ga­da, vo­cê ca­mi­nha so­bre os co­rais, em áre­as bem de­li­mi­ta­das. Use chi­ne­los pa­ra não ma­chu­car os pés. O tre­cho é com­pri­do e a ca­da pas­so vo­cê é sur­pre­en­di­do pe­la na­tu­re­za à sua vol­ta. Já o fi­nal do pas­seio re­ser­va a ex­pe­ri­ên­cia in­crí­vel de na­dar en­tre os pei­xes. Qu­em qui­ser po­de le­var seu pró­prio snor­kel, e os jan­ga­dei­ros cos­tu­mam for­ne­cer ócu­los de mer­gu­lho.

Qu­an­do sair do mar, va­le ti­rar o sal do cor­po com uma chu­vei­ra­da de água do­ce. Há chu­vei­ros pa­gos em fren­te à praia, per­to do fa­mo­so le­trei­ro de Por­to de Ga­li­nhas – ce­ná­rio im­per­dí­vel pa­ra fo­tos.

Além das pis­ci­nas na­tu­rais, há a op­ção de mer­gu­lho com ci­lin­dro en­tre pei­xes, co­rais e até na­vi­os nau­fra­ga­dos – ati­vi­da­de ofe­re­ci­da por vá­ri­as ope­ra­do­ras na Vi­la de Por­to. Com óti­ma vi­si­bi­li­da­de, o mar ali é per­fei­to pa­ra qu­em é ini­ci­an­te.

VO­AR EM MARACAIPE

Ao la­do da praia das pis­ci­nas na­tu­rais, a praia de Ma­ra­caí­pe é bem mais tran­qui­la, la­de­a­da por uma pro­fu­são de co­quei­ros. Sem co­rais pa­ra for­mar uma bar­rei­ra, ali as on­das são mais for­tes – po­dem che­gar a 2,5 me­tros de al­tu­ra. Por is­so, não é re­co­men­da­da pa­ra ba­nho, mas vi­rou re­du­to de sur­fis­tas.

Ain­da as­sim, va­le cur­tir a praia pa­ra apre­ci­ar a be­le­za do mar azul tur­que­sa. Quer ter uma ex­pe­ri­ên­cia ain­da mais ines­que­cí­vel? Ali acon­te­cem vo­os de pa­ra­mo­tor, que é um pa­ra­pen­te equi­pa­do com um mo­tor pa­ra

pro­pul­são. Jun­to com o ins­tru­tor no voo du­plo, vo­cê so­bre­voa Ma­ra­caí­pe e os co­quei­rais e po­de até ver as pis­ci­nas na­tu­rais lá do al­to. Bem se­gu­ro em uma es­pé­cie de ca­dei­ri­nha, vo­cê fi­ca com os bra­ços e per­nas sol­tos, em uma sen­sa­ção in­des­cri­tí­vel de vo­ar li­vre­men­te.

Tan­to o pou­so quan­to a de­co­la­gem são sur­pre­en­den­te­men­te tran­qui­los, am­bos fei­tos na areia da praia, e o mo­tor pos­si­bi­li­ta vá­ri­as su­bi­das e des­ci­das ao lon­go do pas­seio. Qu­em li­de­ra os vo­os é o Sér­gio Vo­a­dor, ex­pe­ri­en­te ins­tru­tor de pa­ra­mo­tor e voo li­vre. É pre­ci­so agen­dar o pas­seio pe­lo me­nos um dia an­tes, pe­lo Whatsapp (81) 99481-3949 ou pe­lo Ins­ta­gram @ser­gi­o­vo­a­dor. O voo cus­ta R$ 250 por pes­soa e du­ra de 10 a 15 mi­nu­tos.

CA­VA­LOS MARINHOS NO PONTAL DE MARACAIPE

Des­li­zar so­bre a água com jangadas é uma ex­pe­ri­ên­cia que tam­bém po­de ser fei­ta no Rio Ma­ra­caí­pe. Em seu tre­cho fi­nal, o rio é cer­ca­do por man­gue­zais, con­si­de­ra­dos ver­da­dei­ros ber­çá­ri­os da vi­da ma­ri­nha.

En­tre as raí­zes do man­gue, vi­vem ca­va­los-marinhos, os­tras, ca­ran­gue­jos, guai­a­muns e ara­tus.

Pa­ra ver de per­to to­da es­sa ri­ca bi­o­di­ver­si­da­de, o pas­seio de jan­ga­da or­ga­ni­za­do pe­la As­so­ci­a­ção dos Jan­ga­dei­ros do Pontal de Ma­ra­caí­pe le­va os vi­si­tan­tes pe­lo rio até seu en­con­tro com o mar. A água é tão cris­ta­li­na que dá pa­ra ver o fun­do. O ní­vel mu­da de acor­do com a ma­ré, mas, ge­ral­men­te, há tre­chos bem ra­si­nhos, on­de vo­cê po­de até sair da jan­ga­da e ca­mi­nhar pe­lo lei­to do rio, com a água abai­xo dos jo­e­lhos.

A jan­ga­da se­gue até um pon­to pró­xi­mo à praia do Pontal de Ma­ra­caí­pe, on­de ban­cos de areia fo­fi­nha mu­dam com o ven­to e a água é mor­na – lo­cal tran­qui­lo e per­fei­to pa­ra um mer­gu­lho. Tam­bém há re­ci­fes de co­ral e pis­ci­nas na­tu­rais. Por ali cos­tu­mam ven­der pi­co­lés e be­bi­das ge­la­das, co­mo água de co­co. Es­se pas­seio de jan­ga­da du­ra de 40 a 45 mi­nu­tos e acon­te­ce das 8h às 17h. Os in­gres­sos cus­tam R$ 25 por pes­soa e são ven­di­dos no mes­mo lo­cal de on­de os bar­cos sa­em.

O pas­seio de jan­ga­da te le­va às ma­ra­vi­lho­sas pis­ci­nas na­tu­rais de águas cris­ta­li­nas.

À es­quer­da, de­pois de des­li­zar so­bre o mar na jan­ga­da, vo­cê po­de ver de per­to os co­rais, na­dar en­tre pei­xes co­lo­ri­dos e con­fe­rir to­do o es­pe­tá­cu­lo da na­tu­re­za nas pis­ci­nas na­tu­rais. Aci­ma, Praia de Ma­ra­caí­pe, on­de acon­te­cem vo­os de pa­ra­mo­tor.

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