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A lo­ta­ria das mar­cas

- JOÃO COUTINHO ,North Ame­ri­can Exe­cu­ti­ve Cre­a­ti­ve Di­rec­tor na VMLY&R NY Viral · TikTok · Fleetwood Mac · Como · Corona · Mick Fleetwood · Fred Perry

Oví­deo do mo­men­to é aque­le TikTok do usuá­rio 420dogg­fa­ce208 a des­cer a es­tra­da de ska­te, a can­tar “Dre­ams” dos Fle­etwo­od Mac en­quan­to be­be su­mo Oce­an Spray fru­tos ver­me­lhos. Es­te fe­nó­me­no da in­ter­net já pas­sou das 50 mi­lhões de vi­su­a­li­za­ções e fez as ven­das do sin­gle de 1977 dis­pa­rar no­va­men­te. Ra­pi­da­men­te vi­rou um de­sa­fio, com mi­lha­res de pes­so­as a re­cri­ar o ví­deo, en­tre elas vá­ri­as fi­gu­ras pú­bli­cas co­mo Mick Fle­etwo­od e Tom Hayes, CEO da Oce­an Spray.

Nathan “DoggFa­ce” Apo­da­ca tra­ba­lha num ar­ma­zém de ba­ta­tas em Idaho e vi­ve nu­ma rou­lot­te com as du­as fi­lhas ado­les­cen­tes. Des­de 2017 que as fi­lhas o in­cen­ti­vam a fa­zer ví­de­os no TikTok. Nathan ado­ra dan­çar, an­dar de ska­te e ou­vir mú­si­ca old scho­ol.

A his­tó­ria por trás do ví­deo é a se­guin­te: um dia Nathan ia pa­ra o tra­ba­lho e a car­ri­nha pick up ava­ri­ou. Ain­da fi­cou à es­pe­ra que al­guém pa­ras­se pa­ra o aju­dar, mas co­mo não pas­sou nin­guém, agar­rou no ska­te e o no su­mo, fez-se à es­tra­da e ao ví­deo.

Sem que­rer, o ví­deo cha­mou à aten­ção pa­ra o su­mo, e o im­pac­to na ima­gem da mar­ca foi bru­tal (ain­da não é co­nhe­ci­do o re­fle­xo nas ven­das). Co­mo agra­de­ci­men­to, o de­par­ta­men­to de mar­ke­ting ofe­re­ceu a Nathan Apo­da­ca uma car­ri­nha no­va, car­re­ga­da de cran­ber­ry jui­ce. Em me­nos de du­as se­ma­nas Apo­da­ca lan­çou uma li­nha de mer­chan­di­sing

DoggFa­ce, que já fa­tu­rou cer­ca de 50 mil dó­la­res, di­nhei­ro que vai usar pa­ra dar en­tra­da pa­ra uma ca­sa. DoggFa­ce vai tam­bém en­trar co­mo per­so­na­gem num ví­deo ga­me e en­tre­tan­to con­tra­tou uma ma­na­ger pa­ra ge­rir a ava­lan­che de pro­pos­tas que tem re­ce­bi­do.

Ago­ra, vai ha­ver mui­tos cli­en­tes a pe­dir às su­as agên­ci­as um vi­ral co­mo o do DoggFa­ce. Mas is­so não se cria, não se es­cre­ve, não se pla­neia. É obra do aca­so, uma lo­ta­ria. Lo­ta­ria es­sa que saiu aos Fle­etwo­od Mac e à Oce­an Spray, que ti­ve­ram a sor­te de es­tar do la­do cer­to. A mes­ma sor­te não te­ve a Fred Per­ry que viu um dos seus icó­ni­cos po­los ser es­co­lhi­do por gru­pos de su­pre­ma­cis­tas bran­cos, co­mo o uni­for­me ofi­ci­al. Ou a Toyota que vê os ter­ro­ris­tas is­lâ­mi­cos da ISIS usar os seus car­ros. Ou a cer­ve­ja Co­ro­na, que por ter o mes­mo no­me do ví­rus pan­dé­mi­co, viu as su­as ven­das caí­rem 170 mi­lhões de dó­la­res em mar­ço. Quan­do o cli­en­te lhe pe­dir um vi­ral, pe­ça-lhe pa­ra apro­var idei­as que nun­ca fo­ram fei­tas, idei­as que de­em al­go em tro­ca pe­lo tem­po que os con­su­mi­do­res per­dem com a mar­ca.

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