5 dis­pa­ra­tes mais co­me­ti­dos.

FO­MOS IN­VES­TI­GAR CIN­CO “SO­LU­ÇÕES” PA­RA EMA­GRE­CER RA­PI­DA­MEN­TE E DES­CO­BRIR SE RE­AL­MEN­TE VA­LEM A PE­NA.

Men's Health (Portugal) - - Este Mês -

Há sé­cu­los que os ho­mens pro­cu­ram ata­lhos pa­ra ema­gre­cer. Des­de os pri­mei­ros reis que ex­pe­ri­men­ta­vam dietas lí­qui­das, por­que não con­se­gui­am su­bir pa­ra os ca­va­los, a Lord By­ron, que fa­zia exer­cí­cio co­ber­to de man­tas pa­ra su­ar mais, a hu­ma­ni­da­de sem­pre se sen­tiu atraí­da por pro­gra­mas ra­di­cais de ema­gre­ci­men­to. Mas se­rá que al­gum des­tes tru­ques fun­ci­o­na na ver­da­de? Va­mos por par­tes, pois uma coi­sa é con­se­guir ema­gre­cer com es­tas “so­lu­ções”, ou­tra coi­sa é elas se­rem be­né­fi­cas pa­ra o seu fu­tu­ro. É sa­bi­do que há es­tu­pe­fa­ci­en­tes que fa­zem per­der pe­so de for­ma lou­ca, mas fi­car vi­ci­a­do em dro­gas não é um bom exem­plo, cer­to? Tal co­mo es­te ab­sur­do, apre­sen­ta­mos-lhe mais cin­co dis­pa­ra­tes...

CON­GE­LAR A GOR­DU­RA

Ins­pi­ra­dos pe­la pa­ni­cu­li­te dos ge­la­dos (do­en­ça ca­rac­te­ri­za­da pe­la in­fla­ma­ção do te­ci­do adi­po­so sub­cu­tâ­neo), um gru­po de in­ves­ti­ga­do­res do Hos­pi­tal Ge­ne­ral de Mas­sa­chu­setts (EUA) in­ven­tou em 2008 a cri­o­li­pó­li­se ou Co­olS­culp­ting. Du­ran­te a pri­mei­ra ses­são de uma ho­ra (po­dem ser ne­ces­sá­ri­as vá­ri­as), pres­si­o­na-se a gor­du­ra com du­as pla­cas re­fri­ge­ra­das li­ga­das a um tu­bo de vá­cuo na zo­na em que o pa­ci­en­te apre­sen­ta o pro­ble­ma. A con­ge­la­ção das cé­lu­las es­ti­mu­la a apop­to­se – mor­te ce­lu­lar pro­gra­ma­da – e, du­ran­te os três me­ses se­guin­tes, o cor­po eli­mi­na as cé­lu­las gor­das afe­ta­das atra­vés da uri­na. A cri­o­li­pó­li­se po­de pro­vo­car uma re­du­ção de 22% da per­cen­ta­gem de gor­du­ra. No en­tan­to, is­to ape­nas fun­ci­o­na na zo­na tra­ta­da, co­mo a bar­ri­ga ou co­xas.

FUN­CI­O­NA? Não é uma in­ter­ven­ção ci­rúr­gi­ca in­va­si­va, mas mes­mo as­sim de­ve pro­cu­rar uma clí­ni­ca es­pe­ci­a­li­za­da com pro­fis­si­o­nais qua­li­fi­ca­dos que lhe di­gam se es­te é o mé­to­do mais acon­se­lhá­vel pa­ra o seu ca­so. Pa­ra ser re­al­men­te efi­caz, tem de se­guir uma ali­men­ta­ção es­pe­cí­fi­ca dois di­as an­tes e de­pois do tra­ta­men­to. E con­vém be­ber mui­ta água pa­ra a uri­na eli­mi­nar a gor­du­ra. Um gru­po de in­ves­ti­ga­do­res da UCLA (EUA) ob­ser­vou que a con­ge­la­ção da gor­du­ra po­de­ria pro­vo­car al­go cha­ma­do de “hi­per­pla­sia adi­po­sa pa­ra­do­xal”, um au­men­to de pe­so na zo­na tra­ta­da (mas ape­nas nu­ma per­cen­ta­gem de do­en­tes mui­to re­du­zi­da).

BAN­DA GÁSTRICA

Es­tá a ver aque­la sen­sa­ção in­có­mo­da com que fi­ca de­pois de co­mer que nem um lor­de?A ideia da ban­da gástrica é, mais ou me­nos, es­sa. Co­lo­cam-lhe um ba­lão de si­li­co­ne no estô­ma­go (atra­vés de en­dos­co­pia) e de­pois

en­chem o ba­lão até fi­car do ta­ma­nho de uma la­ran­ja. Ima­gi­ne que de­vo­ra o jan­tar de Na­tal, fi­ca cheio e es­sa sen­sa­ção não se vai em­bo­ra. En­tre os efei­tos se­cun­dá­ri­os tem­po­rá­ri­os, des­ta­cam-se os vó­mi­tos, náu­se­as, cãibras e in­có­mo­do. Mas as­sim que o cor­po se ha­bi­tua ao ba­lão, tor­na-se mais fá­cil. Só não po­de pra­ti­car kick­bo­xing, jo­gar râ­gue­bi ou en­trar nu­ma ati­vi­da­de que pos­sa su­por uma pan­ca­da na bar­ri­ga. Mas tam­bém não ia fa­zer is­so, pois não?

FUN­CI­O­NA? À par­ti­da não é uma so­lu­ção pa­ra quem só pre­ci­sa per­der 2-3 kg. É pa­ra pes­so­as que pre­ten­dam per­der 12 ou mais qui­los ou que te­nham um pro­ble­ma gra­ve de obesidade. O ha­bi­tu­al é os pa­ci­en­tes per­de­rem 25% do ex­ces­so de pe­so, ain­da que, em ra­ras oca­siões, pos­sam per­der até 25 kg. Não é uma va­ri­nha má­gi­ca, mas po­de ser con­si­de­ra­da uma fer­ra­men­ta pa­ra com­ple­men­tar ou­tros mé­to­dos de ema­gre­ci­men­to. Pa­ra al­guns, cons­ti­tui a for­ma de ini­ci­ar um pro­gres­so pa­ra ema­gre­cer, mas o ris­co é que após co­me­ça­rem a sur­gir os re­sul­ta­dos da ban­da gástrica as pes­so­as aban­do­nam a ali­men­ta­ção sau­dá­vel e ab­di­cam da re­e­du­ca­ção ali­men­tar. E is­to tam­bém é pe­ri­go­so por­que po­de pro­vo­car atro­fia da mem­bra­na do estô­ma­go ou uma ru­tu­ra gástrica. Ao fim de seis me­ses re­ti­ra-se o ba­lão e acon­se­lha-se os pa­ci­en­tes a se­gui­rem os pro­ces­sos da re­e­du­ca­ção ali­men­tar pa­ra não re­cu­pe­ra­rem o pe­so per­di­do. Mas lá es­tá, o su­ces­so des­ta es­tra­té­gia de ema­gre­ci­men­to de­pen­de sem­pre da sua ca­pa­ci­da­de pa­ra man­ter uma ali­men­ta­ção bai­xa em ca­lo­ri­as.

CIGARROS ELETRÓNICOS

Nos Es­ta­dos Uni­dos co­me­çam a sur­gir pro­gra­mas di­e­té­ti­cos co­mo o Slis­sie ou a Va­por Di­et, que pro­me­tem eli­mi­nar a ân­sia de co­mer atra­vés de va­po­res com sa­bo­res ar­ti­fi­ci­ais. Exis­tem mais de 400 mar­cas de cigarros eletrónicos com sa­bo­res que vão de al­ca­çuz a pas­tel de na­ta ou piz­za.

FUN­CI­O­NA? Um gru­po de in­ves­ti­ga­do­res da No­va Ze­lân­dia ana­li­sou es­ta ideia e che­gou a uma con­clu­são na­da con­clu­si­va, ou se­ja: tal­vez fun­ci­o­ne. Não exis­te ne­nhu­ma evi­dên­cia ca­paz de con­fir­mar ou des­men­tir a sua efi­cá­cia. Ao que pa­re­ce, os cigarros eletrónicos po­dem aju­dar os fu­ma­do­res que dei­xa­ram re­cen­te­men­te o tabaco, evi­tan­do que ga­nhem pe­so de no­vo, mas é pre­ci­so in­ves­ti­gar mais. E ain­da não se co­nhe­cem os ris­cos dos cigarros eletrónicos a lon­go pra­zo pa­ra a saú­de. Se al­guém não quer dei­xar de fu­mar com me­do de ga­nhar pe­so, es­tes cigarros são uma boa op­ção pa­ra lar­gar o ví­cio do tabaco, mas uma coi­sa é não ga­nhar dois qui­los ao dei­xar de fu­mar, ou­tra coi­sa é per­der pe­so. Além dis­so, um gru­po de in­ves­ti­ga­do­res da UC San Di­e­go (EUA) des­co­briu que o va­por dos cigarros eletrónicos po­de ser tó­xi­co pa­ra as mem­bra­nas dos ór­gãos, da­ni­fi­can­do o ADN e le­van­do ao ris­co de can­cro.

DRE­NA­GEM GÁSTRICA

Al­gu­ma vez saiu de um jan­tar de ami­gos e pen­sou: “Era fan­tás­ti­co se ago­ra pu­des­se abrir uma válvula no estô­ma­go pa­ra eli­mi­nar dois ter­ços do que co­mi.”? Cla­ro que nun­ca o fez, mas fi­que a sa­ber que es­sa tec­no­lo­gia já exis­te e tem o no­me de As­pi­re As­sist (nos EUA) e nou­tros paí­ses é co­nhe­ci­da co­mo By­Pass Ex­ter­no. Di­to de for­ma mais sim­ples, tra­ta-se de um tu­bo que é in­se­ri­do ci­rur­gi­ca­men­te no ab­dó­men e na su­per­fí­cie da pe­le é co­lo­ca­da uma es­pé­cie de “válvula” co­mo se fos­se um no­vo ori­fí­cio. Meia ho­ra de­pois da re­fei­ção, mais ou me­nos, só tem de abrir a válvula e eli­mi­nar do estô­ma­go um ter­ço do que aca­bou de co­mer (per­to de 30% das ca­lo­ri­as). É co­mo se es­ti­ves­se a vo­mi­tar... mas não pe­la bo­ca.

FUN­CI­O­NA? A FDA (Fo­od and Drug Ad­mi­nis­tra­ti­on) apro­vou o uso do As­pi­re As­sist em adul­tos com um IMC en­tre 35 e 55. A mé­dia de pe­so per­di­do nos par­ti­ci­pan­tes com mais de 90 kg foi de 12,1%, com­pa­ra­ti­va­men­te com os 3,5% dos que fi­ze­ram ape­nas di­e­ta. O As­pi­re As­sist tem um me­ca­nis­mo de se­gu­ran­ça que con­tro­la a dre­na­gem e dei­xa de fun­ci­o­nar au­to­ma­ti­ca­men­te após 115 ci­clos (cin­co a seis se­ma­nas). Po­de aju­dar a mu­dar a con­du­ta ali­men­tar, mas não dei­xa de ser um mé­to­do um tan­to ou qu­an­to ra­di­cal e equa­ci­o­na­do só em úl­ti­mo ca­so. É que qu­an­do re­cor­re a es­ta es­tra­té­gia não po­de en­go­lir pe­da­ços gran­des, pois po­de en­tu­pir o tu­bo, e tem de apren­der a mas­ti­gar mais e me­lhor. De qual­quer for­ma, a as­pi­ra­ção cria o que é cha­ma­do de “ca­os me­ta­bó­li­co”, pois ao ex­pul­sar tan­tas ca­lo­ri­as não tem co­mo con­tro­lar o equi­lí­brio nu­tri­ci­o­nal.

TERMOLIPÓLISE... ANTICALORIAS

É um tra­ta­men­to que aju­da a quei­mar imen­sas ca­lo­ri­as atra­vés de rai­os in­fra­ver­me­lhos que es­ti­mu­lam o me­ta­bo­lis­mo. Es­ten­de-se nu­ma mar­que­sa du­ran­te uma ho­ra com os bra­ços, as per­nas e o ab­dó­men en­vol­tos em ban­das de si­li­co­ne aque­ci­das a uma tem­pe­ra­tu­ra qua­se in­to­le­rá­vel. A ideia é su­ar ao má­xi­mo.

FUN­CI­O­NA? Se a pos­si­bi­li­da­de de eli­mi­nar o ex­ces­so de ca­lo­ri­as atra­vés do suor lhe pa­re­ce boa de­mais pa­ra ser ver­da­de, tal­vez de­va re­con­si­de­rar. Po­de ser efi­caz pa­ra a ce­lu­li­te, mas não há ne­nhu­ma ga­ran­tia que se­ja útil.

“MEIA HO­RA DE­POIS DA RE­FEI­ÇÃO SÓ TEM DE ABRIR A VÁLVULA E ELI­MI­NAR DO ESTÔ­MA­GO UM TER­ÇO DO QUE CO­MEU”

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