DEFEITOS ESPECIAIS

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Es­te mês o Ri­car­do Du­rand avi­sa-o para ter cui­da­do com as vi­das vir­tu­ais cri­a­das pe­las re­des so­ci­ais.

Há du­plas que são co­mo a mú­si­ca de Tom Jo­bim: sam­ba de uma no­ta só.

Na pau­ta, pa­re­ce que tu­do fun­ci­o­na bem, mas de­pois, no que se vê (ou se dei­xa ver), só exis­tem mes­mo um dó.

É o que cos­tu­ma acon­te­cer quan­do de­ter­mi­na­da pes­soa (ca­sa­da, ena­mo­ra­da, pri­si­o­nei­ra) co­me­ça a mos­trar a vi­da no Instagram: on­de vi­vem du­as pes­so­as (apa­ren­te­men­te), só uma res­pi­ra.

A outra, co­mo é ób­vio, vi­ve li­ga­da a gar­ra­fa de oxi­gé­nio em for­ma de ra­pa­ri­ga; é o quar­to que só tem o seu “clo­set”; o ter­ra­ço que só tem a sua ca­dei­ra; é a co­zi­nha que só tem as ter­ri­nas da avó; é a ca­sa de ba­nho on­de nem uma lâ­mi­na para cor­tar a bar­ba há - só para fa­zer a de­pi­la­ção das per­nas.

Dú­vi­da: o ho­mem vi­ve na ca­sa ou pa­ga bi­lhe­te para ver o sho­wro­om?

No fun­do, é uma vi­da que só a tem a ela. O cul­to da per­so­na­li­da­de num casal é, co­mo é de es­pe­rar, pe­ri­go­so, mes­mo que tu­do te­nha nas­ci­do de um fe­liz aca­so.

A anu­la­ção de um ser hu­ma­no em re­la­ção a ou­tro (para agra­dar, para ve­ne­rar, en­fim, para ser­vir de ali­men­to e cão de fi­la) é pi­or que o cár­ce­re.

En­quan­to en­tre qua­tro pa­re­des, alhe­a­do do mun­do ex­te­ri­or te­mos, en­fim, tem­po para o nos­so pró­prio mun­do, nu­ma re­la­ção on­de so­mos um aces­só­rio so­mos obri­ga­dos a vi­ver o mun­do do ou­tro.

E é tris­te que is­so acon­te­ça, in­va­ri­a­vel­men­te, sob for­ma de pau de sel­fie hu­ma­no.

RI­CAR­DO DU­RAND Edi­tor

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