De­sa­fi­os nas al­tu­ras

Sport Life - - CORRIDA SEGURA -

Pa­ra en­ca­rar uma pro­va em al­ti­tu­des ele­va­das e pas­sar lon­ge da “que­bra”, al­guns cui­da­dos são im­pres­cin­dí­veis. Ve­ja co­mo se adap­tar bem às va­ri­a­ções al­ti­mé­tri­cas

De­pois de ro­dar mui­tos quilô­me­tros no as­fal­to do “quin­tal de ca­sa”, o cor­re­dor sen­te a ne­ces­si­da­de de no­vos de­sa­fi­os. Ci­to aqui um de­les, que é o de aven­tu­rar-se em pro­vas em lo­cais com al­ti­tu­des ele­va­das e di­fí­ceis, co­mo La Paz, Ci­da­de do Mé­xi­co, Qui­to e Bo­go­tá. Com fo­co nos cui­da­dos pa­ra es­se ti­po de de­sa­fio, ini­cio com um mi­to bas­tan­te co­men­ta­do, que é a me­nor con­cen­tra­ção de oxi­gê­nio em al­ti­tu­des ele­va­das. Na ver­da­de, a con­cen­tra­ção é exa­ta­men­te a mes­ma que a do ní­vel do mar, pró­xi­ma de 21%. O que ocor­re é que a pres­são par­ci­al do oxi­gê­nio na al­ti­tu­de é me­nor, di­mi­nuin­do a sa­tu­ra­ção de oxi­gê­nio nas cé­lu­las ver­me­lhas. Ou se­ja, ao che­gar ao lo­cal da pro­va, vo­cê vai per­ce­ber o au­men­to de sua frequên­cia res­pi­ra­tó­ria, o que o dei­xa­rá mais ofe­gan­te. Is­so ocor­re pa­ra ten­tar com­pen­sar a per­da da sa­tu­ra­ção de oxi­gê­nio nas cé­lu­las ver­me­lhas. Sua pres­são tam­bém vai au­men­tar em re­pou­so, mas as prin­ci­pais al­te­ra- ções vo­cê vai sen­tir du­ran­te a cor­ri­da: com o mes­mo es­for­ço apli­ca­do, sua frequên­cia car­día­ca vai au­men­tar em até 50%! Ou se­ja, se vo­cê não fi­zer um pe­río­do de acli­ma­ta­ção, na­da de cor­rer na mes­ma in­ten­si­da­de em que vo­cê re­a­li­za seus trei­nos em al­ti­tu­des mais bai­xas. Seu ren­di­men­to não se­rá o mes­mo. Ou­tro pon­to im­por­tan­te: ci­da­des com gran­des al­ti­tu­des ge­ral­men­te pos­su­em cli­ma frio e se­co, fa­vo­re­cen­do a de­si­dra­ta­ção. Por­tan­to, sua in­ges­tão de lí­qui­dos (isotô­ni­cos e água) de­ve ser mui­to bem pla­ne­ja­da. Se vo­cê de­ci­diu che­gar an­tes pa­ra re­a­li­zar a acli­ma­ta­ção, al­gu­mas di­cas pre­ci­o­sas: Pa­ra adap­tar-se a uma al­ti­tu­de de 2 300 m, são ne­ces­sá­ri­as du­as se­ma­nas. A ca­da au­men­to de 610 m na al­ti­tu­de, vo­cê pre­ci­sa­rá de mais uma se­ma­na. Au­men­te a in­ges­tão de sul­fa­to fer­ro­so, pois seu cor­po pro­du­zi­rá mais cé­lu­las ver­me­lhas pa­ra po­der trans­por­tar mais oxi­gê­nio. Se vo­cê for mu­lher e es­ti- ver no pe­río­do mens­tru­al, a in­ges­tão de­ve­rá ser ain­da mai­or. Se por um la­do a sua quan­ti­da­de de cé­lu­las ver­me­lhas vai au­men­tar, a sua mas­sa mus­cu­lar vai di­mi­nuir, e is­so po­de in­ter­fe­rir no de­sem­pe­nho du­ran­te a pro­va. Fa­ça uma di­e­ta ri­ca em car­boi­dra­tos e com pou­ca gor­du­ra pa­ra evi­tar do­res de ca­be­ça, náu­sea, fa­di­ga e insô­nia. Tais des­con­for­tos ocor­rem pos­si­vel­men­te de­vi­do à di­mi­nui­ção da sa­tu­ra­ção de oxi­gê­nio. Co­me­çam en­tre 4 h e 12 h após a sua che­ga­da e po­dem du­rar até uma se­ma­na. Pro­va­vel­men­te vo­cê vai fa­zer sua pro­va em um cli­ma frio. Es­que­ça rou­pas de lã – elas vão fi­car úmi­das de­pois de al­gum tem­po. Uti­li­ze vá­ri­as ca­ma­das de rou­pas le­ves e que con­si­gam con­du­zir a umi­da­de pa­ra a ca­ma­da su­pe­ri­or. A rou­pa ide­al vai di­mi­nuir a mo­vi­men­ta­ção de ar en­tre o te­ci­do e seu cor­po, per­mi­tin­do a saí­da de va­por de água. Ca­da um tem uma res­pos­ta di­fe­ren­te à al­ti­tu­de. Fi­que aten­to aos si­nais do seu cor­po e boa pro­va!

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