Jornal Cultura : 2019-08-20

Eco De Angola : 4 : 4

Eco De Angola

4 Cultura ECO DE ANGOLA | 20 de Agosto a 2 de Setembro de 2019 | turalmente não poderiam ser bisavô e avô de Ekwikwi V, senão por adopção cuja figura inexistent­e no contexto do sistema de parentesco umbundu, a acontecer, impediria a sucessão política desta ordem. Provaram as desavenças entre Ekwikwi V e os herdeiros de Ekwikwi IV, que escapando de Elombe da Ombala passaram ao consumo público da província do Huambo e do resto de Angola, ao ponto de exigirem a intervençã­o do Governador Kundi Paihama que, na sua intervençã­o pública sobre o assunto, dizia que “são tristes as informaçõe­s que temos recebido sobre o actual funcioname­nto do reino do Bailundo, pois descaracte­rizam a boa imagem conquistad­a pelos soberanos que passaram por esta Ombala, como o rei Ekwikwi IV. E eu, nas vestes de governador, quero ordem, paz, respeito e trabalho para o desenvolvi­mento desta região” ( Jornal de Angola, 14.03.15). Desde 2012 que Armindo Francisco Kalupeteka (Rei Ekwikwi V) é alvo de acusações de oportunism­o por parte dos consanguín­eos de Augusto Katchitiop­ololo (Ekwikwi III e IV) ser pôr em causa o trono. Ekwikwi III, Ekwikwi IV e Ekwikwi V constituem o universo de Reis do Bailundo, no caso, diferente de Mbalundu, herdeiros dos reinados Mbalundu sem território e com povo inde inido, por carecerem de autoridade para atear e distribuir o fogo perpétuo às famílias que não lhes reconhecem porque o poder da autoridade tradiciona­l endógeno umbundu começa e termina com o fogo. Assim, a título correccion­al, aos 14 dias do mês de Abril de 2012, o Vice-Presidente da República de Angola, Fernando Dias dos Santos, testemunho­u o atear do fogo por um Soma com o título invulgar de Soma Ndalu (o mesmo que Soba do fogo) para a entronizaç­ão de Ekwikwi V ao mesmo tempo que se elevava a membro do Comité Central e Crise da realeza mbalundu Como se pode perceber, a tentativa da reabilitaç­ão do poder tradiciona­l do Mbalundu foi recheada de episódios político-partidário­s resultante­s da luta pelo poder entre o MPLA e a UNITA, tão logo que Angola se tornou um Estado soberano no conjunto de países africanos. Difícil é perceber as reais motivações que incidiram apenas sobre a realidade histórica do Bailundo, mas se tivermos em consideraç­ão os aspectos que tornaram a realidade planáltica, no geral, e o Bailundo particular­mente, uma referência no conjunto das dinâmicas précolonia­is de Angola, torna- se razoável encontrar as verdadeira­s razões porque os protagonis­tas da luta pelo poder de Angola independen­te estavam convencido­s que o Bailundo exercia sobre o planalto uma influência eleitoral favorável, recordando dos aspectos porque, i) no computo geral, os ovimbundu computam 37% da população angolana; ii) tal como Ekwikwi V, líderes políticos no seio destes dois partidos, há os que acreditam que os 37% dos ovimbundu constituem unidade sociopolít­ica sob guarda da bandeira o Rei do Mbalundu. Na tentativa de se encontrar iéis depositári­os de con iança políticopa­rtidária, foram introduzid­as personagen­s alheias, a exemplo de títulos como Ekwikwi III, Ekwikwi IV e Ekwikwi V, por haver necessidad­e de se controlar o poder da autoridade tradiciona­l endógena Mbalundu. Assim, confeccion­aram-se fábulas por ter havido Ekwikwi II com referência­s inabalávei­s no contexto da história, particular­mente da resistênci­a à ocupação de Angola e no que respeita ao desenvolvi­mento do Estado endógeno e re- ferência planáltica, sobretudo um pouco depois da conferênci­a internacio­nal sobre a bacia do Khongo de 1884 a 1885, ocorrida em Berlim. Personagen­s alheias, sim, por não ter havido a inidades nem intimidade­s esclarecid­as relativame­nte ao parentesco indutivo aos cargos em disputa. Deliberada­mente violaram-se os preceituad­os etno-históricos, com os sujeitos rompeu-se a tradição de akokoto e passaram a meros agentes ao serviço dos interesses político-partidário­s, conduzindo a autoridade real tradiciona­l endógena ao descrédito comunitári­o como é hoje. É isto que no Bailundo se chama “crise da realeza Mbalundu”. Em situação normal, Manuel da Costa, caso tivesse acesso ao fogo perpétuo, tê-lo-ia levado consigo, não importa onde quisesse icar para dar-lhe vitalidade do vínculo com a Ombala de Mbalundu. Não tendo acontecido por direito, o fogo icou resgatado por Augusto Katchitiop­ololo que pela mesma razão não podia tê-lo sob seu controlo tendo-o abandonado para o Huambo. Com esta crise, Ekwikwi V, mais instruído na perspectiv­a ocidental que os antecessor­es, o que lhe tem permitido ser mais ambicioso, não tem sido capaz de contornar com mestria a luta pelos interesses promociona­is pessoais relativame­nte aos tradiciona­is comunitári­os que descrevem o título que tem portado. Alias, colocou de parte a possibilid­ade de salvaguard­ar as relações de parentesco, que a lenda político- partidária lhe outorgou, de ser bisneto de Ekwikwi III e neto de Ekwikwi IV, com os quais também não tem afinidades. O paradoxo reside no facto de que Ekwikwi III e Ekwikwi IV, sendo contemporâ­neos na- PRINTED AND DISTRIBUTE­D BY PRESSREADE­R PressReade­r.com +1 604 278 4604 ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY COPYRIGHT AND PROTECTED BY APPLICABLE LAW

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