Diario de Noticias - DN + Dinheiro Vivo : 2020-10-17

Mobi Summit : 37 : 37

Mobi Summit

3V7 sábado, 17 de outubro de 2020 www.dinheirovi­vo.pt Nidhi Gulati “Aldeias urbanas é a resposta para humanizar as cidades” O planeament­o urbano depois da covid-19 (foto em cima) e a construção de “ecossistem­as seguros” para peões e ciclistas foram dois painéis a juntar especialis­tas nacionais e estrangeir­os à volta das mudanças que a pandemia provocou nas cidades. FOTOS: RIICARDO GONÇALVES /GI Habitar um “centro humano” é muito mais importante do que sobreviver num centro urbano, diz a arquiteta indiana. —KÁTIA CATULO redacao@dinheirovi­vo.pt para demonstrar a urgência de se planear cidades sustentáve­is. E este foi o ponto central do debate focado na necessidad­e de reduzir a circulação automóvel para dar lugar às pessoas. É o caminho mais eficaz para projetar “ecossistem­as seguros” tanto para peões, como para ciclistas. E se, por algum lado se deve começar, será justamente pelos passeios, defende David Vale, professor da Escola de Arquitetur­a da Universida­de de Lisboa: “Normalment­e, o desenho da rua começava nas faixas de rodagem e o que sobrava eram os passeios. O que é preciso é o contrário. Primeiro, traçar as zonas pedonais, depois os corredores de bicicletas e, por fim, o espaço para os carros.” E foi justamente isso que o alcaide de Pontevedra fez há 20 anos. A cidade espanhola da região da Galiza só permite a entrada dos automóveis na cidade para as necessidad­es essenciais, como cargas e descargas ou serviços de emergência. “Não se trata de uma cidade sem carros, mas de uma cidade só com os carros necessário­s para que tudo continue a funcionar”, conta Miguel Anxo Lores. Os resultados estão à vista, diz o autarca, enumerando os benefícios como a qualidade do ar com níveis acima do recomendad­o pela Organizaçã­o Mundial de Saúde, a sinistrali­dade rodoviária reduzida a zero desde 2011 ou as deslocaçõe­s pedonais a subirem cerca de 72% na cidade. É um bom modelo a servir de referência, admite o vice-presidente da Câmara de Lisboa com os pelouros da Economia, Inovação, Mobilidade e Segurança. “Uma cidade inteligent­e é a que aproveita as boas ideias vindas de onde vierem”, diz Miguel Gaspar, recordando que a capital já “copiou orgulhosam­ente” exemplos estrangeir­os e esperando que o inverso também possa vir a acontecer. “Um centro urbano apetecível é o que protege os mais vulnerávei­s, como os peões, as crianças e os idosos”, defendeu o autarca, advertindo para a necessidad­e de se olhar para o transporte público em toda a área metropolit­ana como peça “estruturan­te” da mobilidade. Um bom planeament­o é o que pensa nas pessoas e usa as tecnologia­s em benefício de todos, concorda também Rui Rei, CEO da Cascais Próxima – empresa municipal de gestão, mobilidade, espaços urbanos e energias: “Cidades que eram selvas humanas têm de ser agora espaços para conviver, partilhar.”